Clara Harkin, uma ativista portuguesa conhecida por sua luta contra as drogas, revelou em uma entrevista recente como a adição de seu parceiro quase a levou à ruína. A declaração, feita durante um evento de sensibilização em Lisboa, trouxe à tona as dificuldades enfrentadas por familiares de dependentes químicos no país.
Harkin, que há mais de uma década se dedica a projetos sociais voltados para a prevenção do uso de substâncias, contou que tentou ajudar seu parceiro, que sofria de dependência de opioides, por anos. "Eu quase perdi a minha vida tentando ajudá-lo. A pressão era constante e eu não sabia como lidar com isso", disse.
Segundo dados do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, Portugal registrou um aumento de 15% nos casos de dependência de opioides entre 2021 e 2023. A situação tem levado a um aumento no número de familiares que também precisam de apoio psicológico e social, como Harkin.
Contexto da Adição em Portugal
Portugal tem enfrentado um desafio crescente com o uso de substâncias, especialmente drogas sintéticas e opioides. Apesar de ter sido pioneiro na legalização da maconha em 2001, o país ainda lida com altas taxas de dependência, especialmente em regiões urbanas como Lisboa e Porto.
A crise da adição no país tem sido agravada pela falta de recursos e apoio adequado para famílias e dependentes. Muitos familiares, como Harkin, passam por situações de estresse extremo, que podem levar a problemas de saúde mental e até mesmo à ruptura de relações familiares.
"O sistema não está preparado para lidar com isso", afirmou Harkin. "A gente tenta ajudar, mas sem apoio institucional, é quase impossível."
Consequências Pessoais e Sociais
Para Harkin, a experiência foi um divisor de águas. Após anos de luta, ela decidiu se dedicar integralmente ao apoio a famílias de dependentes. "Eu percebi que não podia mais me calar", disse.
Sua iniciativa, que inclui grupos de apoio e parcerias com clínicas, tem ajudado centenas de pessoas em todo o país. "O que aconteceu comigo não é raro. Muitas pessoas passam por isso e não sabem onde buscar ajuda", ressaltou.
Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, mais de 30% das famílias que têm um membro dependente de drogas enfrentam problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Harkin acredita que a conscientização é essencial para reduzir o estigma e promover a ajuda.
Opiniões e Reações
Expertos em saúde pública elogiaram o trabalho de Harkin, destacando a importância de abordar a adição como um problema coletivo. "O foco precisa ir além do dependente e incluir a família", afirmou Maria Silva, psicóloga especializada em dependências.
Além disso, a declaração de Harkin gerou discussões nas redes sociais, com muitos internautas compartilhando suas próprias histórias. "Ela falou o que muitos não têm coragem de dizer", escreveu um seguidor em um post viral.
Apesar do apoio, Harkin reconhece que ainda há muito a ser feito. "A luta não termina aqui. Precisamos de mais recursos, mais apoio e mais compreensão", disse.
O Que Vem Por Aí
Com o aumento dos casos de dependência, a pressão sobre o sistema de saúde e apoio social tem crescido. Harkin espera que sua história inspire outras pessoas a buscarem ajuda e a lutar por mudanças.
Além disso, ela está trabalhando em uma campanha de conscientização que pretende chegar a milhares de famílias em todo o país. "Queremos que ninguém sinta que está sozinho nessa luta", afirmou.
Seu trabalho, que já teve impacto em comunidades inteiras, pode se tornar um modelo para outros países que enfrentam desafios similares. A mensagem é clara: a adição afeta todos, e a ajuda é essencial para a recuperação.


