O Reino Unido, que outrora era considerado um dos sistemas de transplantes mais avançados do mundo, está agora atrás de outros países ocidentais, segundo relatórios recentes. A queda no desempenho tem gerado preocupação entre especialistas e autoridades de saúde, que apontam para uma série de fatores que explicam essa mudança.

Reino Unido perde liderança em transplantes

De acordo com o relatório anual da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Reino Unido tem registrado uma redução no número de transplantes realizados por milhão de habitantes, colocando-o atrás de nações como Espanha, França e Alemanha. Esses países têm sistemas mais eficientes de doação de órgãos e maior cooperação entre hospitais e centros de transplante.

Reino Unido Cai em Ranking de Transplantes, Perde Liderança Mundial — Empresas
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Entre 2018 e 2023, o número de transplantes no Reino Unido caiu em 12%, enquanto países da Europa Ocidental aumentaram suas taxas em média em 8%. Especialistas apontam que a falta de uma política nacional unificada e a demora no processo de autorização de doações são fatores críticos.

Contexto histórico e mudanças recentes

O Reino Unido foi pioneiro em sistemas de transplante em meados do século passado, com a criação do National Health Service (NHS) em 1948. Nos anos 1990, o país liderava o mundo em transplantes cardíacos e renais, graças à eficiência no gerenciamento de doações. No entanto, desde o início dos anos 2010, a taxa de doação de órgãos tem sido estável ou em declínio.

Uma das mudanças mais significativas foi a implementação de uma nova legislação em 2019 que exigia consentimento explícito para doação de órgãos. Antes disso, o sistema funcionava com um modelo de "não opção", onde as pessoas eram consideradas doadoras por padrão, salvo se expressassem o contrário. Especialistas afirmam que essa mudança reduziu o número de doações.

Críticas e perspectivas futuras

Organizações como a British Transplantation Society (BTS) estão pressionando o governo para revisitar as políticas de doação. Segundo o presidente da BTS, "o Reino Unido precisa reavaliar sua abordagem para recuperar sua posição de liderança". A entidade sugere a reintrodução de um sistema de "não opção" com maior transparência e educação pública.

Além disso, o sistema enfrenta desafios operacionais, como a falta de infraestrutura adequada para armazenar e transportar órgãos. O custo elevado e a burocracia também são barreiras para a expansão do número de transplantes.

Comparação com outros países ocidentais

Na Espanha, por exemplo, o sistema de doação é considerado um dos melhores do mundo, com mais de 45 transplantes por milhão de habitantes. Isso é possível graças a uma legislação que permite a doação automática, com opção de recusa, e a uma cultura de doação amplamente aceita.

Na Alemanha, o governo investe pesado em campanhas de conscientização e em tecnologias de acompanhamento de doadores. Esses esforços têm contribuído para a melhoria contínua da taxa de transplantes. O Reino Unido, por outro lado, tem tido dificuldades em manter essa dinâmica.

Consequências e o que está por vir

A queda no desempenho do sistema de transplantes no Reino Unido pode ter impactos graves na saúde pública. Pacientes que dependem de transplantes enfrentam longas listas de espera, o que aumenta o risco de morte. Especialistas alertam que o país corre o risco de ficar cada vez mais atrás em relação aos seus concorrentes ocidentais.

Com o avanço das tecnologias médicas e a crescente demanda por transplantes, o Reino Unido precisa tomar medidas urgentes. A reavaliação do sistema de doação, investimentos em infraestrutura e campanhas de conscientização são essenciais para recuperar a liderança que outrora era sua.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.