A Autoridade de Mobilidade de Portugal divulgou dados que mostram uma redução de 9,7% na carga movimentada por portos nacionais em 2025, chegando a 82 milhões de toneladas. O recuo é o primeiro desde 2018 e sinaliza desafios na logística e na economia do país. A queda ocorreu em meio a uma combinação de fatores, incluindo atrasos na infraestrutura e uma menor atividade industrial.
Queda na Carga Marítima e Impacto Econômico
De acordo com o relatório da Autoridade de Mobilidade, a carga total movimentada pelos portos portugueses caiu de 90,8 milhões de toneladas em 2024 para 82 milhões no ano seguinte. A redução foi observada em todos os principais portos, como Lisboa, Sines e Leixões. A queda na carga pode impactar setores como o comércio exterior e a indústria, já que os portos são essenciais para a entrada e saída de mercadorias.
Analistas apontam que a redução pode estar ligada ao aumento dos custos de transporte e à menor demanda global por produtos made in Portugal. Além disso, atrasos na construção de novas instalações portuárias e na modernização de infraestrutura têm contribuído para a redução da eficiência.
Contexto Histórico e Tendências
O setor portuário de Portugal tem enfrentado desafios há alguns anos. A crise sanitária e os conflitos geopolíticos afetaram a cadeia de suprimentos, e os custos de combustíveis e logística subiram significativamente. Em 2023, a carga movimentada foi de 91 milhões de toneladas, o que indica uma trajetória de estagnação ou declínio desde o início da década.
Segundo o Ministério dos Transportes, a redução na carga marítima pode ser um reflexo da menor competitividade do país no mercado internacional. Países vizinhos, como Espanha e França, têm investido mais em infraestrutura portuária, o que pode estar atraindo mais negócios para suas instalações.
Reações do Setor e Expectativas
Representantes do setor empresarial criticaram a falta de investimento público em infraestrutura portuária. "A redução na carga é preocupante, pois mostra que Portugal não está se adaptando às novas realidades do comércio global", afirmou um executivo da Associação Portuguesa de Empresas de Transporte Marítimo.
A Autoridade de Mobilidade, por sua vez, afirmou que está trabalhando em um plano de modernização dos portos. "Nossa meta é melhorar a eficiência e atrair mais negócios para os terminais portugueses", disse um porta-voz da instituição.
O Que Esperar nos Próximos Meses
Analistas acreditam que a redução na carga pode se manter nos próximos anos, a menos que haja uma mudança significativa na política de investimento em infraestrutura. A crise energética e a instabilidade geopolítica continuam a ser fatores de risco para o setor.
Para os cidadãos, a queda na carga pode ter impacto indireto, como o aumento de preços de produtos importados e a redução de empregos no setor logístico. A Autoridade de Mobilidade prometeu monitorar o setor de perto e apresentar relatórios trimestrais sobre a evolução do fluxo de carga.


