O município de Lisboa aprovou novas regras que reforçam o controle sobre os imóveis alugados por meio da plataforma Airbnb, classificando-os como "hóspedes temporários" e não como moradores. A medida, que entra em vigor em 2024, visa reduzir o impacto dos aluguéis de curta duração no mercado imobiliário local e garantir maior transparência para os moradores.
Novas Regras Aumentam Controlo sobre Airbnbs
As novas regras exigem que os proprietários de imóveis alugados por Airbnb registem seus imóveis no município e forneçam informações detalhadas sobre a duração do aluguel e o número de hóspedes. Além disso, os imóveis podem ser inspecionados a qualquer momento para garantir o cumprimento das leis locais. A prefeitura acredita que a medida ajudará a combater o fenômeno do "Short", ou seja, a prática de alugar imóveis por curtos períodos, frequentemente a preços elevados.
Segundo o vereador da Habitação, Rui Moreira, a medida é uma resposta à crescente pressão sobre o mercado imobiliário. "O crescimento descontrolado dos aluguéis de curta duração tem levado a uma escassez de moradias acessíveis. Esta nova legislação busca equilibrar o turismo com a necessidade de garantir moradia para os residentes", afirmou.
O que é "Short" e Porque É Controverso
O termo "Short" refere-se à prática de alugar imóveis por curtos períodos, muitas vezes para turistas, por meio de plataformas como Airbnb. Enquanto alguns veem isso como uma forma de renda adicional, outros o consideram uma ameaça ao mercado imobiliário local, pois reduz a oferta de moradias para residentes. Em Lisboa, o fenômeno é particularmente forte, com muitos imóveis sendo convertidos em hotéis caseiros.
De acordo com um relatório da Câmara Municipal, mais de 10% dos imóveis em áreas centrais da cidade estão sendo alugados por curtos períodos. Isso tem levado a preços elevados e, em alguns casos, a despejos de moradores que não conseguem pagar aluguel nas áreas mais valorizadas.
Impacto no Turismo e na Economia Local
Os novos regulamentos podem ter implicações significativas tanto para o turismo quanto para os proprietários locais. A maioria dos turistas que visitam Lisboa opta por aluguéis de curta duração, e a nova legislação pode tornar esses imóveis mais difíceis de encontrar. No entanto, o governo acredita que o equilíbrio é necessário para garantir que a cidade continue a ser habitável para os seus residentes.
Para os proprietários, a nova regulamentação pode trazer mais burocracia, mas também maior transparência. "Acredito que esta legislação é importante para manter a confiança do público e evitar a especulação imobiliária", disse Maria Fernandes, uma proprietária de um apartamento no centro da cidade.
O Que Esperar em 2024
A nova lei entra em vigor em 2024, mas já está gerando discussões entre proprietários, turistas e moradores. A prefeitura prometeu monitorar o impacto da legislação e ajustar as regras conforme necessário. Além disso, está em andamento um estudo para entender melhor como o "Short" está afetando a cidade.
Para os turistas, a nova legislação pode significar uma maior dificuldade em encontrar imóveis para alugar, especialmente em áreas populares. No entanto, a cidade também está explorando alternativas, como a criação de novos hotéis e a promoção de turismo em áreas menos movimentadas.


