O Centro, responsável pela regulação da televisão em Portugal, anunciou a implementação de uma nova política de medição de audiência, que inclui pela primeira vez as plataformas de streaming (OTT) no cálculo das audiências. A medida, que entra em vigor a partir do próximo mês, representa uma mudança significativa no modo como o consumo de conteúdo é analisado no país.
Como funciona a nova política de audiência
A nova política de audiência, desenvolvida em parceria com institutos de estatística e empresas de tecnologia, utiliza um modelo híbrido que combina dados tradicionais de telemóveis e televisões com métricas de plataformas OTT, como Netflix, Amazon Prime Video e Disney+. O objetivo é obter uma imagem mais completa do comportamento dos telespectadores, que cada vez mais optam por conteúdo on-demand.
De acordo com o Centro, a nova metodologia incluirá a coleta de dados de mais de 20 mil famílias representativas em todo o país, com o uso de dispositivos inteligentes e aplicativos de rastreamento. A iniciativa foi apresentada como uma resposta à evolução do setor de televisão, que tem visto uma queda no consumo de canais tradicionais e um aumento no uso de serviços de streaming.
Por que a nova política importa para o mercado
A inclusão das plataformas OTT na medição de audiência é um passo importante para o setor de televisão em Portugal. Até agora, os dados de audiência eram baseados apenas em canais tradicionais, o que deixava de fora uma grande parcela do público que consome conteúdo por streaming. Com a nova política, os anunciantes e canais poderão obter informações mais precisas sobre o público-alvo, o que pode influenciar decisões de investimento e programação.
Este movimento também pode gerar discussões sobre a regulamentação de plataformas OTT, que atualmente operam com menos restrições do que os canais tradicionais. A inclusão dessas plataformas na medição pode levar a uma maior transparência e equidade no setor de mídia.
O que os especialistas dizem sobre a mudança
Analistas do setor de comunicação consideram a nova política como um passo positivo, mas ressaltam que ainda há desafios a serem superados. "A inclusão das OTT na medição é essencial para atualizar o mercado, mas é preciso garantir que os dados sejam coletados de forma justa e representativa", diz Maria Silva, especialista em mídia da Universidade de Lisboa.
Além disso, a nova política pode impactar a forma como os canais tradicionais competem com as plataformas de streaming. Com dados mais precisos, os canais poderão ajustar suas estratégias de programação e propaganda para manter sua relevância no mercado.
O que vem por aí
O Centro deve divulgar os primeiros dados de audiência com a nova metodologia no final do próximo mês. A medida é vista como um marco na evolução do setor de televisão em Portugal e pode servir como modelo para outras regiões da Europa que enfrentam desafios semelhantes.
Os próximos meses serão fundamentais para avaliar o impacto da nova política. Os anunciantes, canais e plataformas OTT estarão atentos às mudanças no comportamento do público e nas estratégias de mercado. O Centro também deve manter uma linha de comunicação aberta com todos os atores do setor para garantir uma transição suave e eficaz.


