O NHS Tracker, ferramenta que monitora as expectativas de atendimento em hospitais, revelou um aumento nas filas para consultas e exames em várias regiões de Portugal. O relatório, divulgado nesta semana, aponta para um aumento de 12% nas expectativas de espera em comparação com o mesmo período do ano anterior, gerando preocupação entre pacientes e profissionais de saúde.

Expectativas de espera em crescimento

Segundo o NHS Tracker, a média nacional de tempo de espera para consultas médicas subiu para 28 dias, contra 25 dias em 2022. Regiões como Lisboa e Porto são as que registam os maiores aumentos, com médias de 33 e 31 dias, respectivamente. A ferramenta, que reúne dados de mais de 200 hospitais em todo o país, também apontou para um atraso de 15% nas cirurgias programadas.

NHS Tracker Revela Aumento de Espera em Hospitais Portugueses — Tecnologia
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Este aumento tem causado frustração entre os cidadãos, que têm enfrentado dificuldades para agendar consultas e tratar condições crónicas. "Já estou há mais de um mês a esperar por um exame", disse Maria Silva, uma paciente de Lisboa. "Não sei se vou conseguir resolver isso a tempo."

Contexto e causas do aumento

O crescimento das filas está associado a vários fatores, incluindo uma escassez de profissionais de saúde, agravada pela pandemia, e uma maior procura por serviços devido ao aumento da população idosa. Além disso, a falta de investimento em infraestruturas e tecnologia tem contribuído para a sobrecarga dos hospitais.

O Ministério da Saúde reconhece o problema e afirma que está a implementar medidas para melhorar o acesso. "Estamos a trabalhar em parceria com as unidades de saúde para otimizar os processos e reduzir os tempos de espera", afirmou o secretário de Estado da Saúde, João Ferreira.

Impacto na sociedade e economia

O aumento das filas tem um impacto direto na qualidade de vida dos cidadãos e pode levar a um aumento de custos para o sistema de saúde. Estudos indicam que atrasos no diagnóstico e tratamento de doenças crónicas podem resultar em complicações mais graves, exigindo cuidados mais intensivos e custosos.

Além disso, o atraso no atendimento pode afetar a produtividade do país, com trabalhadores ausentando-se por mais tempo para tratar de problemas de saúde. O sindicato dos médicos, Sindicato dos Médicos Portugueses, alerta para a necessidade de uma resposta mais rápida e eficaz.

O que está a ser feito?

Além das medidas já anunciadas, o governo está a considerar a contratação de mais profissionais de saúde e a implementação de serviços de telemedicina para aliviar a pressão nos hospitais. A ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou que estas iniciativas são parte de um plano mais amplo para modernizar o sistema de saúde nacional.

Apesar disso, muitos especialistas acreditam que são necessárias ações mais estruturais, como a criação de novos centros de saúde e a digitalização dos processos administrativos. "É urgente que se invista em infraestruturas e em recursos humanos", disse o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral.

Próximos passos e expectativas

Com o NHS Tracker a ser atualizado regularmente, os cidadãos podem acompanhar o desempenho dos hospitais próximos a eles. A ferramenta também oferece sugestões de alternativas de atendimento, como centros de saúde ou hospitais privados, para ajudar os pacientes a encontrar soluções mais rápidas.

O próximo relatório do NHS Tracker será divulgado em dezembro, com dados atualizados sobre o desempenho do sistema de saúde em 2023. A sociedade portuguesa aguarda ansiosamente por sinais de melhoria, mas também por uma resposta mais eficaz das autoridades.