A Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que mais de 4,9 milhões de crianças africanas morreram antes dos cinco anos de idade em 2024, um número que revela o estagnamento global dos avanços na redução da mortalidade infantil. O relatório da ONU destaca que, apesar de esforços internacionais, o progresso tem sido lento, especialmente em países com economias frágeis e sistemas de saúde subdesenvolvidos.

Crise Humanitária em Escala Continentais

O dado da ONU evidencia uma crise humanitária em larga escala na África, onde a falta de acesso a cuidados médicos básicos, nutrição inadequada e doenças preveníveis continuam a ser as principais causas de mortalidade infantil. Países como Nigéria, Congo e Sudão do Sul são os mais afetados, com taxas alarmantes de mortalidade. O relatório também aponta que mais de 70% das crianças que morreram estavam em regiões com baixo acesso a vacinas e tratamentos.

ONU Revela 4,9 Milhões de Crianças Africanas Mortas Antes dos 5 Anos em 2024 — Empresas
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De acordo com a Unicef, a maioria dessas mortes poderia ter sido evitada com intervenções simples, como vacinação, suplementos de vitamina A e acesso a água potável. A diretora da Unicef, Catherine Russell, destacou que “a inação global em resposta a estas crises está deixando milhares de crianças sem esperança de vida”.

Contexto Histórico e Desafios Contemporâneos

O aumento das mortes infantis na África tem raízes em décadas de pobreza, conflitos e políticas de saúde ineficazes. Apesar de avanços significativos nos últimos anos, como a redução da mortalidade por malária e HIV, a pandemia de COVID-19 e os efeitos das mudanças climáticas agravaram ainda mais a situação. A fome, a escassez de medicamentos e a instabilidade política também estão contribuindo para o aumento das taxas de mortalidade infantil.

Países como Angola e Moçambique, que enfrentam crises políticas e económicas, têm registrado altas taxas de mortalidade infantil. Em alguns casos, a falta de infraestrutura médica e a escassez de profissionais de saúde limitam a capacidade de atendimento. O relatório da ONU também aponta que a desigualdade entre regiões e entre os diferentes grupos sociais tem um impacto direto na saúde das crianças.

Impacto Global e Repercussões em Portugal

Embora o foco do relatório esteja na África, os dados têm implicações globais, especialmente para países como Portugal, que participa de iniciativas internacionais de cooperação e ajuda humanitária. O aumento das mortes infantis na África pode impactar o orçamento de ajuda externa português e reforçar a necessidade de maior investimento em programas de saúde e desenvolvimento.

Analistas portugueses destacam que o estagnamento global no combate à mortalidade infantil pode influenciar as políticas de cooperação do país. "A situação na África é um lembrete de que a cooperação internacional é essencial para enfrentar desafios globais", afirmou um especialista em relações internacionais.

O Que se Pode Fazer e o Que Esperar em 2025

Para reduzir o número de mortes infantis, a ONU e organizações internacionais estão pressionando os governos africanos e suas parcerias para aumentar o investimento em saúde pública. Além disso, ações como a vacinação em massa, a melhoria da educação sobre cuidados maternos e o fortalecimento dos sistemas de saúde são vistos como fundamentais.

Em 2025, a comunidade internacional espera que novas metas e financiamentos sejam estabelecidos para acelerar os progressos. Para Portugal, a situação reforça a importância de manter e expandir programas de apoio a países em desenvolvimento, especialmente na África.

A
Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.