Finfluencers, ou influenciadores financeiros, têm desempenhado um papel crescente no setor de finanças em Portugal, promovendo a inclusão financeira através de conteúdo acessível e prático. No entanto, a ascensão dessa tendência também levanta preocupações sobre os riscos que os consumidores podem enfrentar ao seguir conselhos financeiros não regulamentados. A combinação de impacto positivo e perigos potenciais tem gerado debate entre especialistas e autoridades.
Finfluencers e a inclusão financeira
Finfluencers, muitos dos quais atuam em plataformas como Instagram, YouTube e TikTok, têm ajudado a democratizar o conhecimento financeiro. Para muitos portugueses, especialmente jovens e pessoas com pouca experiência em gestão financeira, esses influenciadores oferecem orientações práticas sobre orçamento, investimento e dívida. Segundo uma pesquisa da Universidade de Lisboa, mais de 40% dos jovens entre 18 e 30 anos consultam regularmente conteúdo de finfluencers para tomar decisões financeiras.
Joana Ferreira, especialista em finanças pessoais, afirma que "os finfluencers têm um papel importante na educação financeira, especialmente em um país onde a alfabetização financeira ainda é baixa". Ela destaca que muitos desses influenciadores oferecem conteúdo gratuito e acessível, o que pode ser um passo importante para aumentar a inclusão.
Os riscos de seguir conselhos não regulamentados
Apesar dos benefícios, a falta de regulamentação e supervisão dos finfluencers pode expor os consumidores a riscos. Muitos desses influenciadores não têm formação profissional em finanças, o que pode levar a conselhos imprecisos ou até mesmo perigosos. Um exemplo recente foi a divulgação de um investimento em criptomoedas sem alertar sobre os riscos de volatilidade, o que resultou em perdas significativas para alguns seguidores.
A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) já alertou sobre os perigos de seguir conselhos financeiros sem base técnica. "Os finfluencers devem ser mais transparentes sobre suas credenciais e os riscos associados a cada recomendação", afirma um comunicado oficial da CMVM.
Análise do impacto em Portugal
Em Portugal, o impacto dos finfluencers é particularmente relevante devido à crise económica e à falta de acesso a serviços financeiros tradicionais. Segundo o Banco de Portugal, mais de 10% da população ainda não tem conta bancária, o que torna os finfluencers uma fonte importante de informação para muitos cidadãos. No entanto, a falta de regulamentação pode levar a situações em que consumidores desinformados tomam decisões erradas.
Um estudo da Universidade Nova de Lisboa indica que, embora os finfluencers tenham aumentado o acesso à informação financeira, há um déficit de transparência e responsabilidade. "O conteúdo precisa ser mais rigoroso e verificado", diz o autor do estudo, Miguel Costa.
O que está em jogo?
O crescimento dos finfluencers em Portugal levanta questões sobre a necessidade de uma regulação mais clara. Enquanto alguns especialistas defendem que a transparência e a formação dos influenciadores são fundamentais, outros alertam para a possibilidade de manipulação ou má informação. A Comissão Europeia já iniciou uma discussão sobre a regulamentação de influenciadores financeiros na União Europeia.
Para os consumidores, o conselho é sempre buscar informações adicionais e, quando possível, consultar profissionais. "Não confie apenas em um vídeo no Instagram", diz Sofia Almeida, consultora financeira. "Busque fontes confiáveis e verifique a credibilidade do influenciador."
Como os finfluencers afetam Portugal?
O impacto dos finfluencers em Portugal vai além da educação financeira. Eles também influenciam comportamentos de consumo, investimento e até políticas públicas. A popularidade de certos conteúdos pode pressionar instituições financeiras a oferecer serviços mais acessíveis ou a adotar novas estratégias de divulgação.
Por outro lado, a falta de regulamentação pode levar a situações em que consumidores são enganados ou pressionados a investir em produtos de alto risco. O desafio é encontrar um equilíbrio entre a liberdade de expressão e a proteção dos consumidores.

