O Pakistan ocupou a liderança no Índice Global de Terror de 2023, segundo relatório divulgado pela Fundação para a Investigação sobre Terrorismo e Violência (GIS), mesmo que o número total de mortes por atos terroristas tenha registrado uma redução global. O relatório destaca que o país enfrenta desafios persistentes de instabilidade, com ataques atribuídos a grupos como o Taleban e o Estado Islâmico, enquanto o restante do mundo vê uma tendência de declínio na violência terrorista. A situação levanta perguntas sobre a eficácia das estratégias globais de combate ao terrorismo.

Pakistão lidera índice de terror global

O Índice Global de Terror (GTI), que avalia a intensidade do terrorismo em 180 países, colocou o Pakistan em primeiro lugar, com uma pontuação de 5,66 em uma escala de 0 a 10. A análise revela que o país registrou 1.200 mortes por atos terroristas em 2023, um aumento de 15% em relação ao ano anterior. As regiões mais afetadas são o Khyber Pakhtunkhwa e o Balochistan, onde conflitos entre forças governamentais e grupos armados persistem. O relatório destaca que a instabilidade política e a pobreza contribuem para a persistência do terrorismo no país.

As autoridades pakistanes atribuem o aumento dos ataques à atuação de células do Taleban e do Estado Islâmico, que operam em áreas fronteiriças com a Afganistão. A segurança nacional tornou-se uma prioridade, com o governo anunciando novas medidas de repressão e cooperação internacional. No entanto, especialistas questionam a eficácia dessas ações, destacando a complexidade do cenário local e a falta de recursos para combater a radicalização.

Contexto histórico e dados relevantes

O Pakistan já havia aparecido no topo do índice em 2019, quando enfrentava uma onda de ataques contra instituições religiosas e civis. O GTI, lançado em 2012, mede a gravidade do terrorismo com base em mortes, ferimentos e danos materiais. Em 2023, o país superou a Síria e o Iraque, que tradicionalmente ocupam as primeiras posições. A queda global de mortes por terrorismo, de 25% em relação a 2022, é atribuída ao avanço de operações militares contra o Estado Islâmico no Oriente Médio e na África.

Apesar disso, o relatório alerta que o terrorismo está se tornando mais "difuso e difícil de combater", com ataques menores mas mais frequentes. O Pakistan é um exemplo desse fenômeno, onde grupos menores e descentralizados estão causando impactos significativos. A Organização das Nações Unidas (ONU) reforçou a necessidade de abordagens multilaterais para conter a expansão do terrorismo em regiões vulneráveis.

Impacto regional e global

O terrorismo no Pakistan tem implicações regionais, especialmente para a Índia e o Afeganistão, que compartilham fronteiras com o país. Ataques cross-border, como os ocorridos em 2023 contra postos militares indianos, intensificaram as tensões geopolíticas. Além disso, a instabilidade no Pakistan afeta a segurança da região, com grupos terroristas usando o território para planejar operações em outros países.

Em escala global, o Pakistan é um foco de preocupação para a comunidade internacional. A ONU e a União Europeia têm pressionado por mais investimentos em desenvolvimento e educação para reduzir a vulnerabilidade ao extremismo. No entanto, a falta de cooperação entre países vizinhos e a desigualdade interna continuam como obstáculos para uma solução duradoura.

Como o terror em Pakistan afeta Portugal

O impacto direto do terrorismo no Pakistan sobre Portugal é limitado, devido à distância geográfica e à ausência de grupos terroristas ativos no país. No entanto, a situação no Pakistan influencia políticas de segurança e relações internacionais que envolvem Portugal. Por exemplo, a cooperação entre a União Europeia e o Pakistan em temas como combate ao terrorismo e migração é afetada pela instabilidade local.

Além disso, o Pakistan é um país de origem para parte da comunidade muçulmana em Portugal, que representa cerca de 1,5% da população. Especialistas alertam que a radicalização em regiões como o Pakistan pode gerar fluxos migratórios que exigem atenção por parte das autoridades portuguesas. A análise do GTI é vista como um instrumento para entender os riscos potenciais e ajustar estratégias de prevenção.

O que vem a seguir

Os especialistas destacam que o Pakistan continua sendo um dos maiores desafios para a segurança global. A instabilidade política e a falta de investimentos em educação e emprego aumentam o risco de crescimento do extremismo. O GTI reforça a necessidade de ações coordenadas entre governos, organizações internacionais e sociedade civil para reduzir a vulnerabilidade do país.

Para Portugal, o caso do Pakistan reforça a importância de manter políticas de cooperação internacional e de monitoramento de riscos. O relatório do GTI serve como um lembrete de que o terrorismo não conhece fronteiras e exige vigilância constante. A comunidade internacional deve priorizar ações que abordem as causas profundas do terrorismo, como pobreza e desigualdade, para evitar que o pior ainda aconteça.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.