Em Portugal, a participação dos pais no processo de gravidez e parto tem aumentado significativamente nos últimos anos, refletindo uma mudança cultural e social. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o número de pais que acompanham o parto em unidades hospitalares subiu cerca de 30% entre 2019 e 2023. Esse aumento tem gerado debates sobre os benefícios e desafios dessa nova realidade.

Participação ativa dos pais no parto

Os pais estão cada vez mais presentes durante o parto, muitas vezes acompanhando a mãe desde o início do trabalho de parto. Esta prática, que antes era rara, está se tornando mais comum, especialmente em hospitais públicos e privados. O aumento da participação masculina tem sido impulsionado por políticas públicas que incentivam a inclusão dos pais no processo de nascimento, como o Programa Nacional para a Promoção da Parentalidade Ativa.

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Segundo o diretor do Departamento de Saúde Materna do Ministério da Saúde, "a presença do pai durante o parto tem impactos positivos tanto na saúde física quanto emocional da mãe e do bebê. Acompanhar o parto fortalece o vínculo entre os pais e o recém-nascido, além de contribuir para uma melhor recuperação pós-parto".

Impacto na cultura e na sociedade

A mudança na atitude dos pais em relação ao parto reflete uma transformação na percepção da parentalidade em Portugal. O papel do pai, antes marginalizado, está se tornando mais visível e valorizado. Isso é especialmente notável em famílias jovens, onde há uma maior valorização do envolvimento dos pais desde o início da vida do bebê.

Segundo a psicóloga Maria Fernandes, especialista em desenvolvimento infantil, "a presença do pai no parto ajuda a criar um ambiente mais seguro e acolhedor para a mãe, reduzindo o estresse e a ansiedade. Além disso, o pai se sente mais conectado ao bebê desde o primeiro momento, o que pode melhorar a relação familiar no futuro".

Desafios e críticas

Apesar dos benefícios, a maior participação dos pais no parto também gera críticas. Algumas mulheres relatam que a presença do parceiro pode gerar distração ou aumentar a pressão durante o trabalho de parto. Além disso, há preocupações sobre a capacidade dos pais de lidar com situações emocionalmente intensas.

Para o médico obstetra João Silva, "o importante é que a decisão de incluir o pai no parto seja sempre baseada no desejo da mãe. O ambiente deve ser respeitoso e adaptado às necessidades de cada família".

Consequências e o futuro

O aumento da participação dos pais no parto pode ter implicações duradouras para a estrutura familiar e a educação dos filhos. Estudos indicam que pais mais envolvidos tendem a ter uma relação mais próxima com os filhos e a participar mais ativamente no cuidado e no desenvolvimento infantil.

Com a crescente aceitação dessa nova realidade, o próximo passo será garantir que os pais tenham acesso a informações e apoio adequados para lidar com essa responsabilidade. O Ministério da Saúde já está planejando campanhas de sensibilização e capacitação para pais que desejam participar ativamente do parto.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.