O artista e ativista cultural nigeriano Mr. Onobrakpeya lançou um apelo público para que o governo e o setor privado aumentem significativamente os investimentos no setor artístico do país, destacando a importância da cultura como motor de desenvolvimento econômico e social. A iniciativa ocorreu durante um evento em Lagos, onde Onobrakpeya reforçou a necessidade de políticas públicas que valorizem a arte como parte da identidade nacional e da inovação. A declaração ocorre em um contexto de desafios enfrentados pelo setor, incluindo falta de infraestrutura e apoio financeiro.

O Apelo de Onobrakpeya para o Setor Artístico Nigeriano

Onobrakpeya, conhecido por sua obra que combina tradições orais ecológicas com temas contemporâneos, afirmou que o setor artístico nigeriano está em "crise de reconhecimento". Durante o evento, ele destacou que "a arte é uma força que pode unir comunidades, gerar empregos e atrair investimentos estrangeiros". O ativista sugeriu a criação de fundos públicos e parcerias com empresas para financiar projetos culturais, especialmente em regiões com alta desigualdade. Ele também criticou a falta de espaços expositivos e programas educacionais dedicados à formação de artistas.

Onobrakpeya exige mais investimento no setor artístico nigeriano — Politica
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O apelo de Onobrakpeya ocorre após uma série de manifestações em universidades e cidades do norte e sul da Nigéria, onde estudantes e artistas exigem mais apoio ao setor. Segundo dados do Ministério da Cultura, menos de 1% do orçamento nacional é destinado a iniciativas culturais, um dos menores índices da África. "Isso reflete um desvalorização do patrimônio cultural do país", afirmou Onobrakpeya, destacando que a Nigéria é um dos maiores produtores de arte africana, mas enfrenta barreiras para sua internacionalização.

O Estado Atual do Setor Artístico na Nigéria

O setor artístico nigeriano, apesar de diversificado, enfrenta desafios estruturais. Muitos artistas dependem de financiamento informal ou de exposições em espaços não convencionais, como mercados e praças públicas. A falta de leis que protejam os direitos autorais e a precariedade dos contratos com galerias internacionais também limitam o crescimento. Segundo relatórios da UNESCO, a Nigéria é o maior produtor de filmes da África, mas a indústria cinematográfica sofre com a pirataria e a falta de infraestrutura de produção.

Onobrakpeya destacou que a situação afeta não apenas os artistas, mas também a economia. "A arte gera valor adicional por meio do turismo, da educação e da inovação tecnológica", disse. Ele citou projetos bem-sucedidos, como a exposição "African Futures" em Londres, que destacou artistas nigerianos, mas ressaltou que tais iniciativas são exceções. "Precisamos de uma estratégia nacional para transformar essas exceções em regra", concluiu.

Impacto Econômico e Cultural

O aumento do investimento no setor artístico poderia gerar empregos diretos e indiretos, segundo analistas. Um estudo da Universidade de Ibadan estimou que cada real investido em arte gera 3,5 reais em retorno econômico, por meio de atividades como turismo, comércio de artefatos e educação. Além disso, a valorização da cultura local pode fortalecer a identidade nacional em um país com diversidade étnica e linguística.

Onobrakpeya também enfatizou o papel da arte na resolução de conflitos. "A cultura é um meio de diálogo entre comunidades", afirmou, mencionando projetos que utilizam teatro e música para promover a paz em regiões afetadas por tensões étnicas. O ativista defendeu a inclusão de artistas em fóruns políticos, argumentando que a falta de representação cultural nas decisões públicas leva a políticas que ignoram as necessidades das comunidades.

Reações do Governo e da Comunidade

O presidente da Nigéria, Mr. Tinubu, foi convidado a se pronunciar sobre o apelo de Onobrakpeya, mas até o momento não há declarações oficiais. O Ministério da Cultura afirmou que está revisando políticas para "melhorar o suporte ao setor", mas não detalhou medidas concretas. Oposição parlamentar criticou a falta de ação, enquanto representantes da sociedade civil elogiaram o discurso de Onobrakpeya como "uma voz necessária para o debate público".

Na comunidade artística, há divisões sobre a eficácia do investimento público. Alguns artistas argumentam que fundos estatais podem ser mal geridos, enquanto outros defendem que a transparência e a participação da sociedade civil são essenciais. Um coletivo de artistas em Porto Novo lançou uma campanha online para pressionar o governo, usando a hashtag #InvestirNaArte. "A arte não é um luxo, é uma necessidade", afirmou um dos organizadores.

O Papel do Investimento na Preservação da Cultura

Onobrakpeya destacou que o investimento em arte é crucial para preservar tradições ameaçadas pela globalização. "Quando não se investe na cultura, perde-se a memória coletiva", alertou. Ele citou o exemplo de ofícios artesanais, como a tecelagem de tecidos de Kente, que enfrentam concorrência de produtos industriais. "A arte é o DNA do povo nigeriano", disse, defendendo a criação de centros de pesquisa e inovação para revitalizar práticas tradicionais.

O ativista também chamou atenção para a relação entre arte e educação. "As escolas devem incluir a arte como disciplina obrigatória", afirmou, ressaltando que isso fortaleceria a criatividade e a identidade nacional. Ele concluiu que, sem investimento, a Nigéria corre o risco de perder sua influência cultural na África e no mundo. "A arte é o legado que deixamos para as próximas gerações", disse.

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Autor
Jornalista económica especializada em sustentabilidade, ESG e transição energética. Mestre em Economia do Ambiente pela Universidade de Coimbra. Sofia cobre a implementação dos critérios ESG nas empresas cotadas, o mercado de carbono europeu, as metas climáticas nacionais e o impacto da regulação ambiental da UE no tecido empresarial português. Premiada pelo Club de Jornalistas com o prémio de Jornalismo Ambiental em 2022.