O Fundo Monetário Internacional (FMI) emitiu um alerta sobre as repercussões da guerra na Europa Oriental para os mercados globais. O conflito, que persiste desde 2022, está a causar tremores nas economias, afetando tanto investidores como empresas em Portugal e além.

Impacto da guerra nos mercados financeiros

Recentemente, o FMI divulgou um relatório que revela a magnitude do impacto da guerra nos mercados financeiros globais. O documento destaca que a incerteza gerada pelo conflito contribuiu para a volatilidade das bolsas de valores, com as ações a registarem flutuações significativas em resposta a notícias relacionadas ao conflito. A queda nas cotações de empresas que dependem de matérias-primas da região, como energia e alimentos, tem sido particularmente acentuada.

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Consequências para as empresas em Portugal

As empresas portuguesas estão a sentir os efeitos da guerra de forma direta e indireta. A escassez de matérias-primas e o aumento dos custos de transporte estão a pressionar os lucros das empresas. Muitas indústrias, especialmente as que dependem de importações, estão a rever as suas cadeias de abastecimento, o que pode resultar em aumentos de preços para os consumidores. Segundo a AICEP Portugal Global, quase 60% das empresas entrevistadas afirmaram que o conflito teve um impacto negativo nas suas operações.

A perspectiva dos investidores diante da incerteza

Os investidores, por sua vez, estão a reavaliar as suas carteiras de investimentos à luz da instabilidade provocada pela guerra. O FMI recomenda cautela, à medida que as tensões geopolíticas continuam a evoluir. Muitos analistas sugerem que a diversificação de ativos e a procura por investimentos mais seguros são estratégias prudentes neste momento. A procura por ouro e outras commodities está a crescer, refletindo um movimento em direção a ativos considerados refúgios seguros.

Dados económicos alarmantes e o que vem a seguir

Os dados económicos são preocupantes, com o FMI a prever um crescimento mais lento para a economia global em 2023. A inflação elevada, em parte impulsionada pelos custos da energia, está a criar uma pressão adicional sobre os consumidores e as empresas. O FMI estima que a inflação nos países da zona euro pode superar os 7% este ano, o que terá implicações diretas no poder de compra dos cidadãos e nas margens de lucro das empresas.

O que os investidores devem observar

Os investidores devem estar atentos a algumas métricas chave nas próximas semanas. A evolução das negociações de paz e as sanções impostas ao país em conflito serão cruciais para decidir o futuro do mercado. Além disso, a resposta das políticas monetárias dos bancos centrais, especialmente na zona euro, pode influenciar os mercados financeiros. O FMI alerta que a falta de uma resolução rápida pode levar a consequências ainda mais graves para a economia global.

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Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.