O linguista Tjerk Hagemeijer fez um alerta preocupante sobre o risco de extinção dos crioulos falados em São Tomé e Príncipe. Durante uma conferência realizada na capital, em 15 de outubro de 2023, Hagemeijer destacou a importância cultural e económica destas línguas que, se não forem preservadas, podem levar à perda de identidade e à redução das oportunidades de desenvolvimento local.

O que está em risco: a diversidade linguística em São Tomé

Os crioulos de São Tomé e Príncipe, que são uma mistura de línguas africanas e europeias, refletem a rica história do arquipélago. Com cerca de 200 mil falantes, a língua crioula é uma parte fundamental da cultura local. No entanto, a crescente influência do português e a migração de jovens para o exterior colocam em risco a sobrevivência destas línguas. Segundo Hagemeijer, a extinção de uma língua não é apenas uma perda cultural, mas também um impacto significativo sobre a economia local, uma vez que as línguas são fundamentais para a educação, o turismo e a preservação da identidade nacional.

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Impacto na economia local e no turismo

A preservação das línguas crioulas é crucial para o setor do turismo em São Tomé e Príncipe. Os turistas frequentemente buscam uma experiência autêntica e imersiva, e a língua é um componente essencial dessa experiência. A extinção dos crioulos pode fazer com que o arquipélago perca a sua atratividade como destino turístico. Além disso, como destacou Hagemeijer, a diversidade linguística pode ser uma vantagem competitiva para os negócios locais, que podem utilizar a língua para se conectar melhor com os consumidores.

Reações do governo e da sociedade civil

Após as declarações de Hagemeijer, houve uma onda de reações, tanto do governo como de organizações da sociedade civil. O Ministério da Educação manifestou interesse em implementar programas educacionais que promovam o uso das línguas crioulas nas escolas. Por outro lado, ativistas culturais pedem um maior investimento em iniciativas que incentivem a utilização do crioulo em ambientes formais e informais. As iniciativas propostas poderão não apenas ajudar a preservar a língua, mas também fomentar uma maior consciência cultural e identidade nacional.

Qual é o papel dos investidores?

Os investidores devem estar cientes de que a preservação das línguas pode ter um impacto direto nos negócios. Empresas que valorizam a cultura local e a diversidade linguística podem ver um aumento na lealdade do cliente, enquanto aquisições de empresas locais que promovem a cultura podem se tornar mais atrativas. Além disso, o aumento do turismo, impulsionado pela valorização da cultura local, poderá trazer novas oportunidades de investimento em áreas como hotelaria e gastronomia.

O que vem a seguir?

Com a crescente conscientização sobre a importância dos crioulos de São Tomé e Príncipe, o foco agora deve estar em ações concretas. A implementação de programas de educação bilíngue, campanhas de sensibilização e apoio financeiro para iniciativas culturais são passos essenciais para garantir que estas línguas continuem a florescer. O futuro das línguas crioulas depende do envolvimento de todos os setores da sociedade, incluindo o governo, as empresas e a comunidade. O que acontecer a seguir poderá determinar não apenas a sobrevivência de uma língua, mas também o futuro cultural e económico do país.

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Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.