A recente análise sobre a igualdade de género nos media portugueses revelou sinais alarmantes de regressão, com dados que apontam para uma diminuição na representação feminina em várias plataformas. Este estudo, divulgado na última semana, destaca a necessidade urgente de intervenções no setor, que podem ter impacto significativo na economia e no mercado.

A Pesquisa Revela Dados Preocupantes

O relatório, elaborado pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), mostra que a presença feminina em posições de liderança nas redações caiu para 35% em 2023, uma descida de 10% em relação ao ano anterior. Além disso, apenas 30% das vozes em programas de debate são femininas, refletindo um padrão de desigualdade que afeta não apenas a representação, mas também a narrativa mediática predominante.

Igualdade de Género nos Media Portugueses: Sinais de Regressão Atravessam Setor — Empresas
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As Implicações para os Negócios e o Mercado

A diminuição da igualdade de género nos media pode ter repercussões significativas para as empresas que dependem da publicidade e da comunicação para o seu crescimento. As marcas que não conseguem adaptar suas mensagens para um público mais inclusivo correm o risco de alienar consumidores, especialmente as novas gerações que valorizam a diversidade e a representatividade. A falta de igualdade pode também afetar a confiança dos investidores, que estão cada vez mais atentos às práticas de responsabilidade social das empresas.

O Efeito na Economia e no Investimento

Com a desigualdade de género a persistir nos media, o impacto na economia pode ser alarmante. Os estudos mostram que a inclusão de mulheres em posições de liderança pode aumentar a rentabilidade das empresas. Assim, a marginalização de vozes femininas pode resultar em decisões de baixo desempenho que afetam não apenas o sector mediático, mas todo o ecossistema económico de Portugal.

O Papel das Políticas Públicas

A situação atual levanta questões sobre a eficácia das políticas públicas em promover a igualdade de género. As intervenções governamentais, que incluem incentivos para empresas que adotam práticas inclusivas, precisam ser revistas e potencialmente reforçadas para garantir que as mulheres tenham as mesmas oportunidades de contribuir para a narrativa mediática. A implementação de tais políticas pode também oferecer um impulso ao investimento e à inovação no sector.

O Que Os Investidores Devem Observar a Seguir

Os investidores devem acompanhar de perto as reações do mercado a estas revelações. As marcas que se comprometerem a melhorar a igualdade de género nos media podem oferecer oportunidades de investimento mais promissoras. Por outro lado, as empresas que ignorarem estas questões poderão enfrentar repercussões financeiras e reputacionais significativas. A mudança no comportamento do consumidor e as exigências por maior responsabilidade social são tendências que não podem ser subestimadas.

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Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.