Perspetiva Geral do Mercado de Combustíveis Alternativos em 2022: Uma Análise de Tamanho, Participação e Perspetivas Futuras

Em 2022, o mercado global de combustíveis alternativos registou uma evolução significativa, impulsionado por uma crescente preocupação ambiental, avanços tecnológicos e políticas governamentais de incentivo à transição energética. Este artigo visa analisar detalhadamente o estado atual deste mercado, abordando o seu volume, participação de mercado, principais tendências e previsões para o período entre 2021 e 2024. Utilizando dados de fontes credíveis e estudos de mercado recentes, procura-se oferecer uma visão abrangente e fundamentada sobre a evolução deste setor estratégico, especialmente no contexto da crescente mobilidade sustentável e transição energética mundial.

Dimensão e Dinâmica do Mercado de Combustíveis Alternativos em 2022

O mercado global de combustíveis alternativos, que inclui biocombustíveis, hidrogénio, eletricidade para veículos e outros, atingiu em 2022 um volume estimado de cerca de 1,2 mil milhões de metros cúbicos equivalentes de energia. Este valor representa um crescimento de aproximadamente 8% em relação ao ano anterior, refletindo uma rápida adoção de novas fontes de energia no setor de transporte e indústria. A participação dos combustíveis alternativos no total de combustíveis utilizados a nível mundial subiu para cerca de 15%, um incremento de 2 pontos percentuais em relação a 2021, indicando uma tendência de substituição progressiva dos combustíveis fósseis tradicionais.

Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), os principais mercados consumidores continuam a ser a Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico, regiões onde as políticas de descarbonização e incentivos fiscais têm impulsionado a expansão desta indústria. Em particular, a União Europeia mantém-se na liderança ao promover metas ambiciosas de redução de emissões e de aumento da quota de energias renováveis no setor de transportes, enquanto a China avança rapidamente na implementação de veículos elétricos e hidrogénio.

Segmentação por Tipo de Combustível Alternativo em 2022

O mercado de combustíveis alternativos é diversificado e apresenta diferentes taxas de crescimento consoante o tipo de fonte energética. Em 2022, a distribuição de volume de utilização foi a seguinte:

  • Eletricidade para veículos: 45% do total, com um crescimento de 12% face a 2021, impulsionado por uma forte expansão da frota de veículos elétricos (VE) e melhorias na infraestrutura de carregamento.
  • Biocombustíveis: 30%, predominantemente biodiesel e bioetanol, com crescimento de 7%, apoiado por políticas de incentivos agrícolas e regulamentações de mistura obrigatória.
  • Hidrogénio: 15%, com um aumento de 10%, refletindo o investimento crescente em projetos de hidrogénio verde e a sua aplicação em setores de transporte pesado e indústria.
  • Outros combustíveis: 10%, incluindo gás natural renovável e combustíveis sintéticos, que continuam a representar uma menor quota, mas com potencial de crescimento futuro.

Esta segmentação revela uma tendência clara de preferência por eletricidade, sobretudo em veículos de passeio, enquanto o hidrogénio começa a consolidar-se como alternativa viável para setores de transporte de maior escala e peso, contribuindo assim para a diversificação da matriz energética do setor de transportes.

Análise dos Factores que Impulsionam o Crescimento dos Combustíveis Alternativos

O crescimento do mercado de combustíveis alternativos em 2022 pode ser atribuído a uma combinação de fatores políticos, económicos e tecnológicos. Entre os principais, destacam-se:

  1. Políticas Governamentais e Regulamentações: Diversos países implementaram metas de neutralidade carbónica, obrigando a uma redução progressiva do uso de combustíveis fósseis e incentivando a adoção de energias renováveis. Na União Europeia, por exemplo, a estratégia Fit for 55 prevê uma redução de 55% nas emissões de gases com efeito de estufa até 2030.
  2. Inovação Tecnológica: Avanços em baterias, células de hidrogénio e infraestrutura de carregamento têm tornado os combustíveis alternativos mais acessíveis, eficientes e confiáveis. A redução de custos de produção de veículos elétricos e de infraestrutura tem sido crucial nesta evolução.
  3. Pressão do Mercado e Consumidores: Uma crescente conscientização ambiental dos consumidores e empresas leva à procura por soluções de transporte mais sustentáveis, fomentando a adoção de veículos de combustíveis alternativos.
  4. Investimento Privado e Público: O volume de investimento em projetos de energias renováveis e tecnologias de transporte sustentável atingiu recordes em 2022, refletindo uma aposta global na transição energética.

Estes fatores criam um ecossistema favorável ao crescimento sustentável e à inovação no setor de combustíveis alternativos, consolidando o seu papel na matriz energética global.

Previsões de Mercado de 2021 a 2024: Perspetivas de Crescimento e Desafios

De acordo com projeções de agências internacionais e consultoras de mercado, o mercado de combustíveis alternativos deverá continuar a sua trajetória de crescimento entre 2021 e 2024. Estima-se que o volume global atinja cerca de 1,8 mil milhões de metros cúbicos equivalentes de energia até ao final de 2024, representando um crescimento composto anual (CAGR) de aproximadamente 12%. A participação de mercado poderá atingir 20%, refletindo uma substituição mais acelerada dos combustíveis fósseis tradicionais.

As principais previsões incluem:

  • Expansão da infraestrutura de carregamento elétrico: A instalação de pontos de carregamento rápido deverá crescer cerca de 35% ao ano, aumentando a acessibilidade e estimulando a adoção de VE.
  • Aceleração da produção de hidrogénio verde: Com investimentos previstos de mais de 20 mil milhões de euros em projetos de hidrogénio renovável, a sua utilização deverá expandir-se, especialmente em setores industriais e de transporte pesado.
  • Incremento na quota de biocombustíveis avançados: A adoção de biocombustíveis de segunda geração, produzidos a partir de resíduos e matérias-primas não alimentares, deverá crescer cerca de 10% ao ano, contribuindo para uma matriz energética mais sustentável.
  • Desafios a superar: Entre os obstáculos principais encontram-se a necessidade de reduzir custos de produção, a adaptação regulatória em diferentes regiões e a gestão do ciclo de vida dos combustíveis para garantir benefícios ambientais reais.

Assim, o mercado enfrenta um período de transição dinâmico, marcado por oportunidades de investimento mas também por desafios regulatórios, tecnológicos e de aceitação do consumidor.

Impacto no Setor de Finanças e Investimentos

O crescimento do mercado de combustíveis alternativos tem vindo a refletir-se na esfera financeira, com uma crescente alocação de capital por parte de investidores institucionais, fundos de investimento verdes e empresas do setor energético. Em 2022, os fundos dedicados a energias renováveis atingiram valores superiores a 70 mil milhões de euros, um aumento de 20% face ao ano anterior.

Além disso, as grandes empresas petrolíferas e multinacionais de energia estão a ajustar as suas estratégias, investindo em projetos de transição energética e diversificação de portfólios. Algumas, como a Shell e a BP, comprometeram-se a atingir a neutralidade carbónica até 2050, consolidando investimentos em hidrogénio, eletricidade renovável e biocombustíveis.

O mercado de capitais também tem observado uma crescente emissão de títulos verdes e de impacto, destinados a financiar projetos de energia limpa, transporte sustentável e infraestrutura de combustíveis alternativos. Este movimento reforça a perceção de que a transição energética é uma oportunidade de negócio com retorno financeiro sólido, atraindo uma nova geração de investidores preocupados com sustentabilidade.

Por outro lado, a volatilidade dos preços de matérias-primas, as incertezas regulatórias e as flutuações na procura global representam riscos que os investidores devem monitorizar de perto para realizar decisões fundamentadas e sustentáveis.

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Autor
Carlos Mendes
Economista e jornalista especializado em indústria transformadora e cadeias de abastecimento globais. Licenciado em Gestão Industrial pelo Instituto Superior Técnico e mestre em Economia Aplicada. Com passagem pela Confederação Empresarial de Portugal (CIP), Carlos traz uma perspetiva privilegiada sobre os desafios da competitividade industrial nacional. Cobre regularmente o setor automóvel, energético e agroalimentar.