Mercado de Vacinas Humanas em 2022: Análise de produção, capacidade, custos e margens

No contexto global da saúde pública, o mercado de vacinas humanas revelou-se uma das indústrias mais dinâmicas e estratégicas em 2022, impulsionado pela necessidade de resposta às pandemias, avanços tecnológicos e o aumento da consciencialização sobre imunizações preventivas. Portugal, assim como outros países europeus, assistiu a uma crescente procura por vacinas, refletindo uma maior prioridade na saúde preventiva e uma maior capacidade de produção por parte das principais empresas do setor. Este artigo realiza uma análise detalhada do mercado de vacinas humanas em 2022, abordando aspetos de produção, capacidade instalada, custos de fabrico, margens de lucro, bem como perspetivas para 2024.

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Análise da Produção de Vacinas Humanas em 2022

A produção global de vacinas humanas atingiu, em 2022, cifras recordes, impulsionada sobretudo pela resposta à pandemia de COVID-19. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a produção mundial de doses de vacinas aumentou cerca de 20% em relação ao ano anterior, atingindo aproximadamente 1,8 mil milhões de doses produzidas. Este crescimento foi marcado por uma forte expansão das fábricas de biofármacos, com destaque para multinacionais como Pfizer-Bfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen, que lideraram a produção de vacinas contra o SARS-CoV-2.

Para além das vacinas contra COVID-19, a produção de vacinas tradicionais, como as de sarampo, rubéola, poliomielite e HPV, manteve-se estável ou em ligeiro crescimento, refletindo a crescente prioridade na imunização infantil e de populações vulneráveis. A produção destas vacinas, em 2022, atingiu cerca de 600 milhões de doses, contribuindo para uma oferta global diversificada e equilibrada.

Principais fatores que impulsionaram a produção em 2022

  • Expansão das capacidades de produção devido aos contratos globais de aquisição de vacinas contra COVID-19
  • Investimentos maciços em novas instalações de produção e tecnologia de mRNA
  • Parcerias público-privadas para acelerar a produção e distribuição
  • Inovações tecnológicas na formulação e armazenamento de vacinas
  • Necessidade de manter o stock de vacinas para campanhas de imunização de rotina

Capacidade Instaladas e Investimentos na Indústria de Vacinas

Em 2022, a capacidade instalada de produção de vacinas humanas cresceu substancialmente, impulsionada por investimentos multimilionários por parte de empresas farmacêuticas e agências governamentais. Estima-se que a capacidade global de produção tenha atingido cerca de 2,2 mil milhões de doses por ano, um aumento de aproximadamente 25% face a 2021. Este incremento resultou de novas instalações de produção em países como Bélgica, Alemanha, Estados Unidos, China e Índia, onde se privilegiou a expansão de fábricas especializadas em biotecnologia.

Segundo relatórios do setor, os principais investimentos em capacidade de produção de vacinas de COVID-19 totalizaram cerca de 4 mil milhões de euros em 2022, refletindo a importância estratégica do setor na saúde pública e na economia global. Estes investimentos também visaram garantir uma capacidade de resposta rápida a futuras pandemias e a doenças infecciosas emergentes.

Distribuição geográfica da capacidade de produção

  1. Europa: cerca de 35% da capacidade total, com destaque para a Bélgica, Alemanha e França
  2. América do Norte: aproximadamente 40%, liderada pelos EUA e Canadá
  3. Ásia: cerca de 20%, com forte presença na China e Índia
  4. Outras regiões: cerca de 5%, incluindo instalações na América Latina e África

Custos de Fabrico e Estrutura de Margens

Os custos de produção de vacinas humanas variam consoante o tipo de vacina, a tecnologia empregada e a escala de produção. Em geral, o custo unitário de uma vacina COVID-19 de mRNA, por exemplo, situa-se entre 1,50 a 3 euros por dose, incluindo matérias-primas, processamento, embalagem e distribuição. Para vacinas mais tradicionais, como as de vírus inativados ou atenuados, os custos podem variar entre 0,80 a 2 euros por dose.

Apesar dos custos elevados de desenvolvimento inicial, as margens brutas do setor de vacinas têm-se mantido relativamente elevadas, devido à elevada procura e às políticas de preços robustas adotadas por empresas multinacionais. Em 2022, estima-se que as margens de lucro bruto variaram entre 60% e 75%, dependendo do produto e do mercado. Este nível de rentabilidade é sustentado pela exclusividade de formulação, patentes e o elevado valor terapêutico atribuído às vacinas.

Contudo, os custos de produção também enfrentaram desafios, nomeadamente:

  • Aumento nos preços das matérias-primas, como lipídios e proteínas recombinantes
  • Custos logísticos acrescidos devido às exigências de armazenamento em frio
  • Despesas com certificações e testes de qualidade

Perspetivas de Mercado e Projeções para 2024

Para 2024, o mercado de vacinas humanas apresenta-se com uma perspetiva de crescimento sustentado, apoiado por fatores como a introdução de novas vacinas, o envelhecimento populacional e a maior consciencialização sobre imunizações preventivas. Estima-se que a produção global possa atingir cerca de 2,4 mil milhões de doses, refletindo um crescimento de aproximadamente 15% face a 2022.

O desenvolvimento de vacinas de próxima geração, incluindo vacinas de vetor viral, DNA e RNA, promete melhorar a eficácia e reduzir custos de produção, potenciando margens de lucro mais elevadas. Além disso, a entrada de mercados emergentes e a expansão de programas de vacinação em países em desenvolvimento deverão ampliar a procura de vacinas acessíveis.

Fatores que influenciarão o mercado em 2024

  • Avanços tecnológicos na formulação e produção de vacinas
  • Maior adoção de vacinas de RNA e DNA
  • Redução dos custos de matérias-primas através de inovação e escala
  • Expansão de programas de imunização global
  • Pressões regulatórias e políticas de preços

Desafios e Oportunidades no Setor de Vacinas Humanas

Apesar do otimismo, o setor de vacinas enfrenta desafios consideráveis. Entre eles, destacam-se:

  • Custos elevados de desenvolvimento e produção, sobretudo para vacinas inovadoras
  • Complexidade logística, especialmente no armazenamento de vacinas de mRNA em frio extremo
  • Concorrência crescente com biossimilares e vacinas genéricas
  • Questões regulatórias e de propriedade intelectual
  • Desigualdade no acesso às vacinas, afetando mercados emergentes

Por outro lado, o setor também se apresenta com oportunidades de crescimento, nomeadamente:

  • Investimento em tecnologias de produção mais eficiente
  • Expansão de parcerias público-privadas
  • Desenvolvimento de vacinas personalizadas e de longa duração
  • Mercados emergentes, com maior procura de vacinas acessíveis

Conclusão

O mercado de vacinas humanas em 2022 destacou-se pelo crescimento expressivo na produção, pela expansão da capacidade instalada e pela robustez das margens de lucro, refletindo uma indústria estratégica e inovadora. A forte aposta em tecnologias de ponta, aliada a investimentos significativos, posiciona o setor para um crescimento sustentável até 2024, embora continue a enfrentar desafios logísticos, regulatórios e económicos. A adaptação às novas realidades do mercado, a inovação tecnológica e a cooperação internacional serão fatores decisivos para consolidar o papel das vacinas na promoção da saúde global e na economia da bioindústria.

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Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.