Mercado de Oleochemicals em 2022: uma análise detalhada do panorama global e perspetivas até 2024

No contexto atual, marcado por uma crescente procura por produtos sustentáveis e biobased, o mercado de oleochemicals emergiu como uma das indústrias mais dinâmicas do setor químico mundial. Em 2022, este mercado registou um crescimento significativo, impulsionado por fatores como a transição para materiais mais ecológicos, a expansão em setores industriais variados e a evolução das cadeias de abastecimento globais. Este artigo visa analisar em detalhe o mercado de oleochemicals em 2022, realizando uma comparação com os anos anteriores e apresentando perspetivas de evolução até 2024, utilizando dados de produção, vendas e consumo, bem como as tendências emergentes na indústria.

Mercado Oleochemicals 2022 Analise de Comparacao de Mercado de Producao Vendas e Consumo Ate 2024 — industria
industria · Mercado Oleochemicals 2022 Analise de Comparacao de Mercado de Producao Vendas e Consumo Ate 2024

Contexto global e principais regiões de produção de oleochemicals em 2022

Os oleochemicals, compostos derivados de óleos e gorduras de origem vegetal e animal, representam uma categoria vital na indústria química, com aplicações que vão desde produtos de higiene até plásticos e lubrificantes. Em 2022, a produção mundial de oleochemicals atingiu aproximadamente 11 milhões de toneladas, um aumento de cerca de 4% face a 2021, refletindo a recuperação económica após os efeitos da pandemia de COVID-19.

As principais regiões produtoras continuam a ser a Ásia, com destaque para a Indonésia, Malásia e Tailândia, responsáveis por cerca de 65% da produção global, devido à abundância de matérias-primas e custos de produção relativamente baixos. A Europa e os Estados Unidos mantêm uma quota significativa, sobretudo na produção de oleochemicals especializados e de alta performance, atendendo a mercados específicos com requisitos rigorosos de sustentabilidade e qualidade.

Indonésia e Malásia: líderes de produção

  • Indonésia: cerca de 4,2 milhões de toneladas produzidas em 2022, consolidando a sua posição como maior exportador mundial.
  • Malásia: aproximadamente 3,8 milhões de toneladas, com forte aposta na sustentabilidade e certificações ambientais.

Estas regiões beneficiam de uma cadeia de abastecimento consolidada de óleo de palma, principal matéria-prima para a produção de oleochemicals, embora enfrentem desafios ambientais e de sustentabilidade cada vez maiores.

Dinâmica de mercado: produção, vendas e consumo em 2022

Em 2022, o mercado de oleochemicals evidenciou uma recuperação sólida após o período de retração provocado pela pandemia, com aumento tanto na produção como na procura. A produção global cresceu cerca de 4%, atingindo valores próximos das 11 milhões de toneladas, enquanto as vendas aumentaram cerca de 6%, refletindo uma maior procura de setores industriais em crescimento.

O consumo, por sua vez, atingiu aproximadamente 10,5 milhões de toneladas, evidenciando uma taxa de penetração mais elevada em áreas como cosmética, higiene pessoal, alimentos e aplicações industriais, incluindo plásticos biodegradáveis e lubrificantes sustentáveis.

Segmentação por aplicação

  1. Cosmética e cuidados pessoais: 35% do mercado, impulsionado pela crescente procura por produtos naturais e sustentáveis.
  2. Indústria de alimentos: 20%, principalmente na produção de emulsificantes e ingredientes alimentares biodegradáveis.
  3. Indústria de plásticos e materiais de embalagem: 15%, com um incremento na utilização de oleochemicals em plásticos biobased.
  4. Lubrificantes e produtos industriais: 10%, com foco na redução da pegada de carbono e na compatibilidade ambiental.
  5. Outros setores: 20%, incluindo produtos de limpeza, têxtil e agricultura.

Comparação com os anos anteriores e tendências emergentes

Comparando os dados de 2022 com os anos anteriores, verifica-se um crescimento constante do mercado de oleochemicals, que desde 2019 apresentou uma média de crescimento anual de aproximadamente 3,8%. Este crescimento foi impulsionado por uma maior adesão às políticas de sustentabilidade por parte de empresas globais, bem como pela inovação tecnológica que possibilitou o desenvolvimento de oleochemicals com propriedades específicas e de maior valor acrescentado.

As tendências emergentes incluem a ampliação do portefólio de produtos biobased, a adoção de certificações de sustentabilidade (como RSPO e ISCC) e a crescente procura por matérias-primas de fontes alternativas, devido às preocupações ambientais relacionadas com o óleo de palma.

Inovação e sustentabilidade

A inovação tecnológica tem permitido a produção de oleochemicals a partir de resíduos, como óleos de cozinha usados e subprodutos agrícolas, contribuindo para uma economia circular e para a redução do impacto ambiental. Além disso, a pressão regulatória para reduzir a pegada de carbono tem levado as empresas a investirem em processos de produção mais verdes, como a utilização de energias renováveis e a implementação de técnicas de captura de carbono.

Desafios do mercado

Apesar do crescimento, o mercado enfrenta desafios relevantes, nomeadamente:

  • Sustentabilidade da matéria-prima, com preocupações ambientais e sociais relacionadas com o óleo de palma.
  • Volatilidade nos preços de matérias-primas, influenciada por fatores climáticos e económicos.
  • Concorrência crescente de alternativas sintéticas ou de origem microbiana.
  • Regulamentações cada vez mais restritivas e exigentes, exigindo adaptação contínua por parte das empresas.

Perspetivas de evolução até 2024: oportunidades e riscos

O horizonte até 2024 apresenta oportunidades consideráveis para o mercado de oleochemicals, impulsionadas por uma maior sensibilização global para questões ambientais e sustentabilidade. Prevê-se que a produção global possa atingir cerca de 12 milhões de toneladas, com uma taxa de crescimento anual média de 3,5%. As vendas deverão continuar a expandir-se, apoiadas por uma procura crescente em setores de alta performance e por inovação tecnológica.

No entanto, o mercado também enfrenta riscos, nomeadamente a volatilidade dos preços de matérias-primas, possíveis restrições regulatórias adicionais e a concorrência de alternativas mais económicas ou de maior inovação tecnológica.

Oportunidades emergentes

  • Expansão de oleochemicals especializados para aplicações específicas, como cosmética de luxo e nutracêuticos.
  • Investimento em cadeias de abastecimento sustentáveis, incluindo a certificação de matérias-primas e práticas agrícolas responsáveis.
  • Desenvolvimento de novas fontes de matérias-primas, como óleos de microalgas e resíduos agrícolas.
  • Implementação de tecnologias de produção mais verdes e eficientes.

Riscos a monitorizar

  • Incerteza regulatória, especialmente relacionada ao óleo de palma e sustentabilidade ambiental.
  • Flutuações nos preços de matérias-primas, influenciadas por fatores climáticos e económicos globais.
  • Concorrência de alternativas sintéticas ou de biotecnologia avançada.
  • Desafios logísticos e de cadeia de abastecimento, agravados por eventuais crises globais.

Em suma, o mercado de oleochemicals em 2022 demonstrou resiliência e potencial de crescimento sustentado, apoiado por uma crescente procura de produtos mais sustentáveis e por avanços tecnológicos. Se as tendências atuais se mantiverem, até 2024 este mercado continuará a evoluir de forma positiva, embora deva estar atento aos riscos que podem comprometer o seu desenvolvimento.

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Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.