Mercado Smart Grid em 2022: Uma análise aprofundada da evolução, produção, vendas e consumo até 2024

No contexto do sector energético europeu, o mercado de Smart Grid emergiu em 2022 como uma das áreas de maior interesse e potencial de crescimento. Este segmento, que integra tecnologias avançadas de redes eléctricas inteligentes, tem vindo a transformar a forma como a energia é produzida, distribuída e consumida, respondendo às exigências de sustentabilidade, eficiência e inovação tecnológica. Analisando os dados do último ano, podemos perceber que o mercado global de Smart Grid atingiu um valor estimado de 35 mil milhões de euros, com uma taxa de crescimento anual composta de cerca de 8%, prevista para manter-se até 2024. Este artigo visa realizar uma análise detalhada do mercado, comparando os diferentes actores, regiões e tecnologias, com foco especial na evolução da produção, vendas e consumo de energia inteligente até 2024.

Mercado Smart Grid 2022 Analise de Comparacao de Mercado de Producao Vendas e Consumo Ate 2024 — industria
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O contexto global do mercado Smart Grid em 2022: tendências e drivers principais

Em 2022, o mercado de Smart Grid foi fortemente impulsionado por factores regulatórios, avanços tecnológicos e a urgência de transitar para fontes de energia renovável. A crescente necessidade de modernizar as infraestruturas eléctricas tradicionais, muitas das quais datam de várias décadas, levou os países a investirem significativamente nesta área. Segundo dados da Agência Internacional de Energia (AIE), aproximadamente 70% dos investimentos globais em redes eléctricas inteligentes ocorreram na Europa, América do Norte e Ásia-Pacífico.

Entre os principais drivers de crescimento destacam-se:

  • Políticas governamentais de sustentabilidade: Incentivos fiscais, regulamentações de redução de emissões e metas de energias renováveis.
  • Avanços tecnológicos: IoT, inteligência artificial, big data e sistemas de automação que aumentam a eficiência e fiabilidade das redes.
  • Necessidade de integração de fontes renováveis intermitentes: Como solar e eólica, que exigem redes mais flexíveis e inteligentes.
  • Demandas de consumidores finais: Que procuram maior controlo e eficiência no consumo energético.

De acordo com o relatório do European Smart Grid Industry Association, a Europa lidera a implementação de soluções inteligentes, com uma percentagem de 60% de infraestruturas de Smart Grid já implementadas na região, em comparação com 45% na América do Norte e 30% na Ásia-Pacífico.

Produção de energia: o papel das renováveis e a integração nas redes smart

Um dos aspectos centrais do mercado de Smart Grid em 2022 reside na capacidade de integrar de forma eficiente as fontes de energia renovável. O aumento da produção de energia solar, eólica e outras fontes intermitentes tem exigido redes mais flexíveis, capazes de gerir variações na produção e garantir a estabilidade do sistema.

Dados indicam que, em 2022, a produção de energia renovável representou cerca de 40% da energia total produzida na União Europeia, um aumento de 5 pontos percentuais em relação a 2021. Para suportar esta transição, as redes inteligentes têm vindo a implementar tecnologias como os sistemas de armazenamento de energia, controladores avançados e sistemas de previsão meteorológica, que facilitam a previsão de produção e ajustam automaticamente o fluxo de energia.

Conforme estudos do Observatório Europeu de Redes Eléctricas, a instalação de unidades de armazenamento de energia em pontos estratégicos aumentou em 25% em 2022, contribuindo para a redução de perdas e maior fiabilidade do sistema.

Vendas e implementação de soluções Smart Grid: actores e tendências de mercado

O mercado de vendas e implementação de soluções Smart Grid em 2022 foi dominado por grandes empresas multinacionais, incluindo Siemens, Schneider Electric, ABB, e General Electric, que investiram em novas plataformas e infraestruturas para consolidar a sua presença no sector. Além disso, surgiram novos actores especializados em tecnologias específicas, como sensores IoT e sistemas de gestão de energia.

As principais tendências de mercado incluem:

  1. Digitalização das redes tradicionais: Modernização de infraestruturas existentes com componentes inteligentes.
  2. Automatização e controlo remoto: Implementação de sistemas que permitem a gestão em tempo real, reduzindo custos operacionais.
  3. Sistemas de medição avançada: Como os smart meters, que passaram a ser uma obrigatoriedade em vários países europeus.
  4. Investimento em projetos piloto: Para testar novas soluções de integração de renováveis e armazenamento.

Em 2022, registou-se uma aumento de 12% na venda de smart meters na Europa, totalizando cerca de 130 milhões de unidades. Este crescimento foi impulsionado pelas regulamentações europeias que obrigam à instalação de medidores inteligentes até 2023.

Consumo energético inteligente: padrões, comportamentos e eficiência

O consumo de energia inteligente tem vindo a alterar-se significativamente em 2022, com consumidores finais a adotarem tecnologias de automação residencial, sistemas de gestão de energia e dispositivos conectados. Segundo a Comissão Europeia, a adopção de sistemas de eficiência energética aumentou 15% em relação ao ano anterior, refletindo uma maior consciencialização e interesse por parte dos consumidores em reduzir custos e emissões.

Dados de consumo indicam que, em média, os consumidores com sistemas Smart Home consomem 20% menos energia do que os tradicionais. Esta redução é atribuída ao controlo mais preciso de iluminação, aquecimento e eletrodomésticos, bem como ao uso de painéis solares residenciais.

Além disso, o comportamento de consumo tem sido influenciado por tarifas dinâmicas, que ajustam os preços consoante a procura, incentivando o uso de energia em períodos de menor demanda. Para 2024, prevê-se que cerca de 30% dos consumidores finais na Europa utilizem tarifas variáveis, estimulando o consumo inteligente e sustentável.

Perspectivas de crescimento e desafios até 2024

O horizonte até 2024 mostra um crescimento contínuo do mercado de Smart Grid, impulsionado por políticas de transição energética e inovação tecnológica. No entanto, existem desafios relevantes que podem condicionar este desenvolvimento:

  • Custos de implementação: Ainda elevados para alguns operadores, especialmente em regiões com infraestruturas antigas.
  • Segurança cibernética: O aumento da digitalização implica maior risco de ataques e vulnerabilidades.
  • Padronização e interoperabilidade: Necessidade de harmonizar tecnologias e protocolos entre diferentes fornecedores e países.
  • Resistência à mudança: Entre actores tradicionais do sector energético, relutantes em adoptar novas tecnologias.

Estima-se que, até 2024, o investimento global em Smart Grid ultrapasse os 50 mil milhões de euros, com um crescimento anual de 8%. Países como a Alemanha, França e Reino Unido continuam a liderar a implementação, enquanto mercados emergentes na Europa de Leste também começam a mostrar interesse crescente na modernização das redes.

Conclusão: o impacto do mercado Smart Grid na transição energética até 2024

A análise do mercado de Smart Grid em 2022 demonstra que estamos perante uma transformação estrutural do sector energético europeu e global. A integração de tecnologias inteligentes nas redes de distribuição eléctrica é fundamental para alcançar metas de sustentabilidade, eficiência e resiliência. Com o aumento da produção de energias renováveis, a implementação de soluções inovadoras de gestão e controlo, e uma maior consciencialização dos consumidores finais, o mercado de Smart Grid apresenta-se como uma das áreas mais promissoras para o futuro próximo.

No entanto, para realizar todo o potencial destas tecnologias, é imprescindível ultrapassar obstáculos relacionados com custos, segurança e padronização. A cooperação entre actores públicos e privados, bem como a adopção de políticas facilitadoras, serão determinantes para consolidar o crescimento sustentável deste mercado até 2024 e além.

Assim, o mercado de Smart Grid representa uma peça-chave na transição para um sistema energético mais inteligente, sustentável e resiliente, capaz de responder aos desafios ambientais e económicos do século XXI.

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Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.