Mercado de Sementes Forrageiras em 2022: Análise de Produção, Vendas e Perspectivas até 2024

No contexto da indústria agrícola em Portugal e na União Europeia, o mercado de sementes forrageiras tem assumido uma importância crescente, impulsionado por fatores como a procura por alimentos de maior qualidade, a sustentabilidade na agricultura e a necessidade de otimização da produção animal. Em 2022, este mercado viveu um momento de estabilidade relativa, mas com sinais de transformação que deverão influenciar as dinâmicas de produção, venda e consumo até 2024. Este artigo visa analisar de forma detalhada a evolução do mercado de sementes forrageiras, utilizando dados concretos de produção, vendas e consumo, e prever as tendências futuras com base nas atuais políticas agrícolas, inovação tecnológica e mudanças de mercado.

Mercado Sementes Forrageiras 2022 Analise de Comparacao de Mercado de Producao Vendas e Consumo Ate 2024 — industria
industria · Mercado Sementes Forrageiras 2022 Analise de Comparacao de Mercado de Producao Vendas e Consumo Ate 2024

Panorama global e europeu do mercado de sementes forrageiras em 2022

O mercado de sementes forrageiras a nível mundial atingiu, em 2022, um valor estimado de cerca de 2,5 mil milhões de euros, sendo a Europa responsável por aproximadamente 45% deste volume. Portugal, embora sendo um mercado relativamente pequeno comparado com países como a França ou a Alemanha, apresenta uma produção significativa, sobretudo devido à forte tradição na agricultura de pastagens e à crescente aposta na produção sustentável.

Na União Europeia, as principais espécies de sementes forrageiras comercializadas incluem trevos, festucas, ervas-azedas e gramíneas perenes, cujo consumo tem vindo a aumentar devido à crescente preocupação com a qualidade do pasto e a eficiência alimentar dos rebanhos. Segundo dados do Eurostat, o consumo de sementes forrageiras na UE cresceu cerca de 3% em relação a 2021, refletindo uma maior procura por sementes de alta qualidade e adaptadas às condições climáticas regionais.

Portugal, em particular, registou uma produção total de sementes forrageiras estimada em 150 mil toneladas em 2022, um incremento de 4% face ao ano anterior, impulsionado por melhorias tecnológicas e investimento em novas variedades mais resistentes às condições ambientais extremas.

Dinâmicas de produção e principais regiões produtoras em Portugal

A produção de sementes forrageiras em Portugal concentra-se principalmente em regiões com maior tradição agrícola, nomeadamente o Centro, Norte e Alentejo. Estes territórios beneficiam de condições climáticas favoráveis à produção de pastagens de alta qualidade e dispõem de uma infraestrutura consolidada para a produção e comercialização.

Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção nacional de sementes forrageiras atingiu cerca de 150 mil toneladas em 2022, distribuídas pelas seguintes regiões:

  • Centro: 45 mil toneladas
  • Norte: 50 mil toneladas
  • Alentejo: 30 mil toneladas
  • Região de Lisboa e Vale do Tejo: 15 mil toneladas
  • Regiões do Algarve e Açores: 10 mil toneladas

O crescimento da produção refletiu, sobretudo, o aumento na adoção de variedades de sementes mais resistentes às condições de seca e às alterações climáticas, assim como a implementação de técnicas de melhoramento genético por parte das principais empresas do setor.

Vendas e distribuição no mercado nacional e europeu

As vendas de sementes forrageiras em Portugal tiveram um crescimento de aproximadamente 6% em 2022, atingindo cerca de 40 mil toneladas comercializadas. Este aumento deve-se, em parte, à expansão do setor pecuário, que procura melhorar a qualidade do pasto e a produtividade dos rebanhos.

De acordo com dados do mercado, a distribuição de sementes é feita através de uma rede de revendedores especializados, além de importações de países como França, Espanha e Itália, que fornecem variedades específicas adaptadas às condições locais.

A nível europeu, o mercado de sementes forrageiras é caracterizado por uma forte concorrência entre produtores, com destaque para França, Espanha, Alemanha e Itália. Estes países representam cerca de 75% do volume total comercializado na UE. Em 2022, as exportações de sementes forrageiras portuguesas para outros países europeus aumentaram cerca de 8%, consolidando a posição do país como fornecedor de sementes de alta qualidade.

Perspetivas de consumo até 2024: tendências e desafios

O consumo de sementes forrageiras em Portugal deverá manter uma tendência de crescimento moderado até 2024, estimando-se um aumento de 4 a 5% ao ano. Este incremento será impulsionado por fatores como a maior adoção de sistemas de produção sustentáveis, a exigência de alimentos de maior valor nutritivo e o reforço das políticas agrícolas europeias que incentivam a produção de pastagens de alta qualidade.

No entanto, o setor enfrenta diversos desafios, nomeadamente:

  • Alterações climáticas: aumento da frequência de secas e temperaturas extremas, que dificultam a produção de sementes
  • Concorrência internacional: aumento das importações de sementes de países fora da UE, com preços mais competitivos
  • Inovação tecnológica: necessidade de investir em novas variedades e técnicas de melhoramento genético para garantir a adaptabilidade às condições futuras
  • Sustentabilidade: maior pressão para reduzir o uso de pesticidas e fertilizantes, promovendo práticas agrícolas mais ecológicas

Para além disso, a crescente preocupação com o bem-estar animal e a produção de alimentos orgânicos está a estimular uma procura por sementes forrageiras de origem certificada e com menor impacto ambiental.

Impacto das políticas agrícolas e inovação tecnológica no mercado

As políticas agrícolas da União Europeia, nomeadamente o Programa de Desenvolvimento Rural e os incentivos à agricultura sustentável, têm desempenhado um papel crucial na dinamização do mercado de sementes forrageiras. Em 2022, cerca de 60% da produção nacional beneficiou de subsídios e incentivos à adoção de práticas mais ecológicas, o que favoreceu a introdução de variedades de sementes mais resistentes e de maior valor nutritivo.

Além disso, a inovação tecnológica tem sido uma alavanca de crescimento, com destaque para:

  1. Melhoramento genético: desenvolvimento de sementes com maior resistência à seca, doenças e pragas
  2. Uso de biotecnologia: técnicas de edição genética para aumentar a produtividade e adaptabilidade
  3. Digitalização da produção: utilização de sensores e sistemas de monitorização para otimizar a germinação e crescimento das sementes

Estas inovações têm permitido uma maior eficiência na produção, redução de custos e aumento da qualidade do produto final, fatores essenciais para competir no mercado europeu e internacional.

Perspetivas futuras e estratégias de crescimento

Até 2024, o mercado de sementes forrageiras deverá experimentar uma evolução significativa, com uma previsão de crescimento anual de cerca de 4%. As estratégias de crescimento deverão concentrar-se em:

  • Investimento em inovação: desenvolvimento de variedades mais resistentes e adaptadas às mudanças climáticas
  • Expansão de mercados: aumento da exportação para países fora da União Europeia, especialmente na América do Norte e Norte de África
  • Sustentabilidade: implementação de práticas agrícolas mais ecológicas e de certificação de origem
  • Formação e assistência técnica: capacitação dos agricultores na utilização de sementes de alta qualidade e técnicas de produção sustentável

Por fim, a integração de tecnologias digitais e o reforço da cooperação entre empresas nacionais e internacionais surgem como elementos-chave para consolidar a posição do mercado português na produção e comercialização de sementes forrageiras até 2024 e além.

M
Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.