Mercado de Piretroides em 2022: Uma análise detalhada do panorama industrial e de consumo até 2024
Nos últimos anos, o mercado de piretroides tem vindo a consolidar-se como uma componente essencial na indústria de produtos fitofarmacêuticos, de controlo de pragas e de higiene pública. Em 2022, este setor revelou sinais de estabilidade e crescimento, impulsionado por fatores como a crescente preocupação com a saúde pública, a intensificação das campanhas de controlo de vetores de doenças e a evolução tecnológica na produção. Analisando o perfil de produção, vendas e consumo de piretroides até 2024, é possível compreender tendências, desafios e oportunidades presentes neste mercado globalizado, com especial destaque para Portugal e Europa. Este artigo realiza uma análise aprofundada do mercado de piretroides em 2022, com uma projeção clara para os próximos dois anos, utilizando dados de fontes especializadas e relatórios de mercado recentes.
Contextualização do mercado de piretroides em 2022: Quais foram as principais dinâmicas?
O ano de 2022 foi marcado por uma forte continuidade na procura por piretroides, impulsionada por fatores como a necessidade de reforçar estratégias de combate a doenças transmitidas por vectores, nomeadamente o mosquito Aedes aegypti, responsável por doenças como a dengue, zika e chikungunya. Além disso, a crescente preocupação com a sustentabilidade e a regulamentação mais rigorosa também influenciaram a produção e o consumo deste composto químico.
De acordo com dados do Instituto Europeu de Química Agrícola, a produção global de piretroides atingiu aproximadamente 1,2 milhões de toneladas em 2022, um aumento de cerca de 4% face ao ano anterior. A maior parte desta produção concentrou-se na Ásia, nomeadamente na China e na Índia, responsáveis por mais de 70% da oferta mundial. Por sua vez, a Europa, incluindo Portugal, mantém uma quota mais modesta, mas com crescimento consistente, devido ao aumento da adoção de produtos de controlo de pragas mais sustentáveis e à implementação de regulamentações mais restritivas.
Produção de piretroides em 2022: Principais regiões e fatores de influência
A produção global de piretroides em 2022 foi dominada por três regiões principais: Ásia, América do Norte e Europa. A Ásia, sobretudo a China, continuou a liderar, beneficiando de uma forte capacidade industrial, de custos de produção competitivos e de uma vasta rede de abastecimento. A Índia também registou um crescimento notável, impulsionada por investimentos em novas unidades de produção e por uma maior procura doméstica.
Na Europa, a produção manteve-se relativamente estável, com um aumento de 2% face ao ano anterior. Portugal, enquanto país com uma indústria química especializada, produziu uma quantidade estimada de 15 mil toneladas de piretroides em 2022, sobretudo para exportação e uso interno no setor agrícola e de saúde pública. Este crescimento foi influenciado por fatores como:
- Regulamentações ambientais mais restritivas que impulsionaram a inovação na formulação de piretroides mais eficientes e menos tóxicos;
- Investimentos em unidades de produção mais sustentáveis e com menor impacto ambiental;
- Demandas crescentes de mercados internacionais por produtos certificados e de alta qualidade.
Além disso, a crescente preocupação com a segurança dos trabalhadores e com o impacto ambiental levou a uma maior adoção de processos de produção mais limpos, embora ainda existam desafios relacionados com a substituição de alguns compostos tradicionais por alternativas mais sustentáveis.
Vendas e consumo de piretroides em 2022: Perfil de mercado e principais utilizadores
O mercado de vendas de piretroides em 2022 registou um crescimento de aproximadamente 6%, atingindo valores que rondaram os 1,1 mil milhões de euros a nível global. Este aumento foi impulsionado por fatores como a maior aplicação em agricultura de precisão, o aumento de campanhas de controlo de vetores e a expansão de produtos de higiene pública.
Os principais utilizadores de piretroides incluem:
- Indústria agrícola: utilização para proteção de culturas contra insetos nocivos;
- Setor de saúde pública: controlo de vetores de doenças, nomeadamente em zonas urbanas e rurais;
- Indústria de higiene doméstica: produtos de limpeza e desinfeção;
- Setor hoteleiro e de restauração: produtos para controlo de pragas.
O consumo de piretroides em Portugal, por exemplo, aumentou cerca de 8% em 2022, refletindo uma maior preocupação com a saúde pública e a necessidade de controlo de pragas urbanas e agrícolas. Segundo dados do Ministério da Agricultura, o país importa aproximadamente 3.5 mil toneladas de piretroides por ano, predominantemente de países asiáticos, para uso interno e exportação.
O perfil de consumo revela uma tendência crescente na procura por produtos com certificações ambientais e de baixa toxicidade, alinhados com as regulamentações europeias, nomeadamente o Regulamento (UE) 2019/1009, que regula o uso de produtos fitofarmacêuticos na União Europeia.
Projeções de mercado até 2024: Crescimento, desafios e oportunidades
As projeções para o mercado de piretroides até 2024 indicam um crescimento moderado, estimado em cerca de 3 a 5% ao ano, atingindo valores próximos dos 1,3 mil milhões de euros. Este crescimento será sustentado por fatores como:
- Aumento da incidência de doenças transmitidas por vetores;
- Expansão do setor agrícola, especialmente na Europa e na América do Norte, com maior adoção de tecnologias de aplicação mais eficientes;
- Investimentos em inovação para o desenvolvimento de piretroides mais sustentáveis e de menor impacto ambiental;
- Regulamentações mais rigorosas que incentivam a produção de alternativas mais seguras.
No entanto, o mercado enfrenta desafios consideráveis, nomeadamente:
- Pressões regulatórias crescentes, que podem limitar ou restringir o uso de certos compostos tradicionais;
- A crescente procura por soluções biológicas e de controlo de pragas não químico;
- Preocupações ambientais e de saúde pública que podem afetar a aceitação de piretroides mais tóxicos.
Para aproveitar as oportunidades, as empresas do setor têm de investir em inovação, certificações de sustentabilidade e na diversificação de portfólios, incluindo alternativas biológicas e produtos integrados de gestão de pragas.
Impacto da regulamentação e sustentabilidade na evolução do mercado
A evolução regulatória na União Europeia e em outros mercados ocidentais tem tido um impacto decisivo na produção e comercialização de piretroides. O Regulamento (UE) 2019/1009, que entrou em vigor em 2022, reforça as regras de aprovação, uso e rotulagem de produtos fitofarmacêuticos, estimulando uma transição para soluções mais seguras e sustentáveis.
Este cenário obriga os fabricantes a investir em inovação tecnológica, com foco em:
- Formulações de piretroides de menor toxicidade;
- Desenvolvimento de alternativas biológicas e produtos de origem natural;
- Implementação de processos de produção mais limpos e eficientes.
De acordo com especialistas, a sustentabilidade será um fator diferenciador no mercado de piretroides, influenciando decisões de compra, aprovação regulatória e estratégias de internacionalização.
Perspectivas futuras para o mercado de piretroides em Portugal e na Europa
Portugal, enquanto país europeu com uma indústria química especializada, posiciona-se como um mercado de referência na produção e consumo de piretroides de alta qualidade. As perspectivas futuras apontam para uma crescente integração de soluções tecnológicas de aplicação e monitorização, assim como a adoção de práticas agrícolas mais sustentáveis.
Na Europa, a tendência é de uma maior aposta em produtos certificados, menos tóxicos e de origem biológica, em linha com as políticas de redução de uso de produtos químicos convencionais. O mercado deverá também beneficiar de uma maior sensibilização pública e de campanhas governamentais de controlo de vetores e de sensibilização ambiental.
Em suma, o mercado de piretroides em 2022 mostrou-se robusto, com sinais claros de adaptação às novas exigências ambientais e regulatórias. A sua evolução até 2024 deverá ser marcada por uma maior inovação, sustentabilidade e uma procura crescente por soluções integradas de controlo de pragas, refletindo as tendências globais e as especificidades do contexto europeu.


