Mercado de Pesticidas em 2022: Uma Análise das Tendências Recentes, Desenvolvimento e Perspetivas até 2024

Em 2022, o mercado global de pesticidas manteve-se como um setor fundamental para a agricultura moderna, impulsionado por uma crescente necessidade de garantir a segurança alimentar face ao aumento populacional e às mudanças climáticas. Este setor, que movimenta dezenas de biliões de euros anualmente, tem vindo a experienciar uma transformação significativa, caracterizada por inovações tecnológicas, uma maior preocupação com a sustentabilidade e uma evolução nas regulamentações ambientais. Portugal, juntamente com outras regiões europeias, acompanha esta dinâmica, procurando equilibrar a produtividade agrícola com a preservação do ambiente. Este artigo visa analisar em detalhe as tendências recentes do mercado de pesticidas, o seu desenvolvimento até 2024, e as principais forças que moldam o setor em diferentes regiões do mundo.

Mercado Pesticidas 2022 Por Tendencias Recentes Desenvolvimento e Crescimento Por Regioes Ate 2024 — mercados
mercados · Mercado Pesticidas 2022 Por Tendencias Recentes Desenvolvimento e Crescimento Por Regioes Ate 2024

Contexto Global do Mercado de Pesticidas em 2022

O mercado mundial de pesticidas registou em 2022 um valor estimado de aproximadamente 55 mil milhões de euros, segundo dados da consultora de mercado MarketsandMarkets. Este valor representa um crescimento de cerca de 3,2% em relação ao ano anterior, refletindo uma recuperação moderada após os impactos da pandemia de COVID-19, que tinha causado uma ligeira estagnação no setor. A Ásia-Pacífico continua a liderar o mercado, representando cerca de 50% do valor global, impulsionada por uma agricultura intensiva na China, Índia e Indonésia. A Europa, por sua vez, mantém uma quota de aproximadamente 20%, com um crescimento mais lento, devido às regulamentações mais restritivas e à crescente procura por alternativas mais sustentáveis.

Este contexto global é influenciado por fatores económicos, ambientais e políticos. A crescente preocupação com a sustentabilidade levou a uma maior pressão sobre as indústrias químicas para inovar em produtos menos tóxicos e mais eficientes. Ao mesmo tempo, as regulamentações europeias, nomeadamente a Política Agrícola Comum (PAC) e a legislação sobre produtos fitofarmacêuticos, estão a impor limites mais rigorosos sobre o uso e a comercialização de determinados pesticidas tradicionais.

Tendências Recentes no Desenvolvimento de Pesticidas

O setor de pesticidas tem assistido a uma rápida evolução tecnológica, com foco na criação de produtos mais seguros, seletivos e ambientalmente responsáveis. Algumas das principais tendências incluem:

  • Pesticidas de próxima geração: Desenvolvimento de ingredientes ativos com maior seletividade, que visam apenas as pragas específicas, reduzindo o impacto sobre os insetos benéficos e o ambiente.
  • Produtos biológicos: Crescente adoção de pesticidas feitos a partir de organismos vivos, como microrganismos, vírus ou plantas, que oferecem uma alternativa mais sustentável aos produtos químicos convencionais.
  • Aquisições e parcerias: Empresas de grande dimensão estão a realizar aquisições estratégicas e a estabelecer parcerias para acelerar a inovação, como a aquisição de startups que desenvolvem soluções biotecnológicas.
  • Digitalização e agricultura de precisão: Utilização de tecnologias de monitorização e análise de dados para aplicar pesticidas de forma mais eficiente, minimizando o uso excessivo e os efeitos ambientais negativos.

Estas tendências refletem uma mudança de paradigma, onde a eficiência e a sustentabilidade deixam de ser conceitos opostos e passam a integrar-se num modelo de inovação responsável.

Desenvolvimento por Regiões e Perspetivas até 2024

Europa

A União Europeia tem vindo a implementar regulações cada vez mais restritivas em relação ao uso de pesticidas convencionais. Em 2022, cerca de 60% dos pesticidas utilizados na Europa eram produtos biológicos ou de origem natural, refletindo uma aposta clara na sustentabilidade. Portugal, enquanto membro da UE, acompanha esta tendência, embora a agricultura tradicional ainda mantenha uma forte presença, especialmente na produção de vinho, azeite e frutas.

As perspetivas até 2024 indicam uma continuação deste caminho, com uma redução gradual na utilização de pesticidas químicos tradicionais, substituídos por soluções biológicas ou integradas. O crescimento do mercado de pesticidas biológicos na região deverá atingir uma taxa anual composta de 6,5%.

América do Norte

Nos Estados Unidos e Canadá, o mercado de pesticidas continua a crescer, impulsionado por uma agricultura intensiva, especialmente na produção de milho, soja e algodão. Em 2022, o uso de pesticidas químicos permaneceu elevado, embora haja um aumento na investigação e comercialização de alternativas sustentáveis, como os produtos biológicos e as tecnologias de agricultura de precisão.

As políticas ambientais e as preocupações públicas estão a pressionar as empresas a inovar, prevendo-se que até 2024, 25% do mercado seja composto por pesticidas de baixa toxidade ou biológicos.

Ásia-Pacífico

A região continua a liderar o mercado global, com uma forte dependência de pesticidas químicos para suportar a crescente produção agrícola. A China, maior consumidor de pesticidas do mundo, investe em tecnologias de próxima geração, incluindo produtos biológicos e sistemas integrados de gestão de pragas.

O crescimento previsto até 2024 é de cerca de 4% ao ano, apoiado por uma expansão agrícola sustentável e por políticas governamentais que incentivam a inovação em produtos menos tóxicos.

América Latina

A América Latina, nomeadamente Brasil e Argentina, mantém uma forte dependência de pesticidas químicos para maximizar a produção agrícola de soja, milho e café. No entanto, há um aumento na procura por alternativas mais sustentáveis, impulsionado por regulamentações ambientais mais rígidas e pela crescente consciência pública.

Espera-se que até 2024, o mercado de pesticidas biológicos cresça a uma taxa anual de aproximadamente 5%, refletindo uma tendência global de transição para práticas agrícolas mais responsáveis.

Desafios e Oportunidades do Mercado de Pesticidas até 2024

Apesar de um crescimento moderado, o mercado de pesticidas enfrenta diversos desafios que podem influenciar as suas perspetivas de evolução:

  1. Regulamentações mais restritivas: A União Europeia e outros mercados desenvolvidos estão a implementar limites mais severos, o que pode restringir a utilização de certos produtos químicos e estimular a inovação.
  2. Preocupações ambientais e de saúde pública: A crescente conscientização sobre os riscos dos pesticidas tradicionais leva à procura de soluções mais seguras, viabilizando o crescimento do segmento biológico.
  3. Custo de inovação: O desenvolvimento de novos produtos de alta tecnologia exige elevados investimentos, que podem ser um entrave para pequenas e médias empresas.
  4. Pressões de mercado: A crescente preferência por alimentos orgânicos e sustentáveis cria oportunidades, mas também impõe desafios às empresas tradicionais do setor.

Por outro lado, surgem também oportunidades significativas, nomeadamente:

  • Expansão dos pesticidas biológicos: Como alternativa sustentável, o mercado de produtos biológicos está a crescer de forma exponencial, com potencial para substituir pesticidas convencionais em diversas culturas.
  • Inovação tecnológica: A digitalização, inteligência artificial e sensores de monitorização oferecem possibilidades de aplicar pesticidas de forma mais eficiente, reduzindo custos e impacto ambiental.
  • Mercados emergentes: Países em desenvolvimento apresentam oportunidades de crescimento, especialmente ao adotarem práticas agrícolas mais sustentáveis e inovadoras.

Perspetivas de Crescimento e Impacto no Mercado de Pesticidas até 2024

De acordo com projeções de mercado, o setor de pesticidas deverá continuar a crescer a uma taxa anual composta de aproximadamente 3% a 4% até 2024. Este crescimento será impulsionado por fatores como a necessidade de aumentar a produtividade agrícola de forma sustentável, o desenvolvimento de novas tecnologias e a crescente adoção de alternativas biológicas.

Regiões como a Ásia-Pacífico e a América Latina deverão liderar este crescimento, enquanto a Europa continuará a sua transição para práticas mais sustentáveis, embora a uma taxa mais moderada. A inovação tecnológica desempenhará um papel central, com as soluções de agricultura de precisão e produtos biológicos a ganharem cada vez mais quota de mercado.

O impacto desta evolução será notório na redução do uso de pesticidas convencionais, na diminuição dos riscos ambientais e na promoção de uma agricultura mais responsável e eficiente. Contudo, será fundamental que os reguladores, as indústrias e os agricultores colaborem para assegurar uma transição equilibrada, que beneficie tanto a saúde pública quanto a segurança alimentar.

Conclusão: Uma Transformação em Curso no Mercado de Pesticidas

O mercado de pesticidas em 2022 apresenta-se como um setor em plena transformação, marcado por uma forte tendência para a inovação tecnológica e por uma crescente preocupação com a sustentabilidade. Apesar de desafios regulatórios e económicos, as oportunidades para soluções mais seguras, eficientes e sustentáveis são evidentes e deverão impulsionar o crescimento até 2024.

Regiões como a Europa, América do Norte, Ásia-Pacífico e América Latina apresentam dinâmicas distintas, mas convergem na necessidade de desenvolver uma agricultura mais responsável e adaptada às exigências ambientais atuais. A inovação, aliada a uma regulamentação inteligente, será o fator determinante para o sucesso do setor nos próximos anos.

Assim, o mercado de pesticidas permanece como um campo de oportunidades e desafios, onde a capacidade de inovação e adaptação determinará o seu futuro próximo.

R
Autor
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.