Perspetivas do Mercado de Biotecnologia Agrícola em 2024: Uma Análise Detalhada

Nos últimos anos, a indústria da biotecnologia agrícola tem assumido uma importância crescente no contexto global, impulsionada pela necessidade de garantir a segurança alimentar, responder às alterações climáticas e promover práticas agrícolas mais sustentáveis. Em 2022, o mercado mundial de biotecnologia agrícola registou um valor aproximado de 35 mil milhões de dólares, com previsões de crescimento acelerado para 2024. Este artigo procura analisar de forma aprofundada o estado atual do mercado, identificando os principais fabricantes, regiões líderes, tipos de aplicações, tamanhos de mercado e tendências emergentes, com foco na realidade europeia, norte-americana e asiática.

Analise de Mercado Biotecnologia Agricola 2024 Fabricantes e Regioes Lideres Aplicacao Tamanho e Tipos — industria
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Fabricantes e Líderes de Mercado em 2024

A indústria da biotecnologia agrícola é caracterizada por uma forte concentração em empresas multinacionais que investem consideravelmente em investigação e desenvolvimento (I&D). Entre os principais fabricantes, destacam-se:

  • Bayer Crop Science: líder global, resultado da aquisição da Monsanto em 2018, com uma quota de mercado estimada em 25% em 2022. A Bayer investe fortemente em sementes geneticamente modificadas (GM) e tecnologias de proteção de culturas.
  • Syngenta: propriedade da ChemChina, com uma forte presença na Europa, América do Norte e Ásia, especializando-se em sementes e produtos fitossanitários biológicos.
  • Corteva Agriscience: resultado da divisão agrícola da DowDuPont, com foco em sementes, proteção de culturas e tecnologias de edição genética.
  • BASF: com uma divisão dedicada à biotecnologia agrícola, especialmente no desenvolvimento de soluções sustentáveis e de precisão.
  • Limagrain: uma cooperativa agrícola francesa que tem vindo a expandir-se na área de sementes biotecnológicas e híbridos resistentes a condições adversas.

Estes fabricantes lideram o mercado não apenas pelo volume de produção, mas também pelo investimento em inovação, patentes e parcerias estratégicas com centros de investigação e universidades.

Regiões Líderes na Adoção e Produção de Biotecnologia Agrícola

O mercado de biotecnologia agrícola apresenta uma distribuição geográfica diferenciada, com regiões que se destacam pela adoção e desenvolvimento de tecnologias inovadoras:

  1. América do Norte: lidera o mercado global, impulsionada pelos Estados Unidos, Canadá e México. Nos EUA, as culturas transgénicas representam cerca de 50% das plantações de milho e soja, com forte apoio de regulamentações favoráveis e financiamentos públicos.
  2. América Latina: sobretudo o Brasil e a Argentina, que utilizam biotecnologia para aumentar a produtividade e resistir a condições climáticas adversas, como secas e pragas.
  3. Europa: apresenta uma adoção mais restrita, devido a fatores regulatórios e de opinião pública, mas regiões como França, Alemanha e Espanha investem na pesquisa de biotecnologia para agricultura sustentável e produção de sementes resistentes a doenças.
  4. Ásia: com destaque para a China, Índia e Indonésia, onde há um crescimento acelerado na introdução de culturas geneticamente modificadas, especialmente para arroz, algodão e milho, visando segurança alimentar e inovação agrícola.

Estes fatores geográficos refletem a diversidade de necessidades, políticas públicas e níveis de investimento, que moldam o desenvolvimento do mercado de biotecnologia agrícola globalmente.

Tipos de Aplicações e Tecnologias Utilizadas em 2024

A tecnologia de biotecnologia agrícola abrange uma vasta gama de aplicações, desde culturas geneticamente modificadas até sistemas de edição genética avançados. Em 2022, os principais tipos de aplicações incluem:

  • Sementes GM (Geneticamente Modificadas): destinadas a aumentar a resistência a pragas, herbicidas e condições ambientais adversas. Representaram cerca de 60% do mercado de sementes em 2022.
  • Edição genética: utilizando tecnologias como CRISPR/Cas9 para desenvolver variedades de culturas com características específicas, como maior valor nutricional ou resistência a doenças.
  • Produtos biológicos: incluindo biofertilizantes, bioinseticidas e outros produtos de proteção de culturas derivados de microrganismos, que representam uma alternativa sustentável aos químicos tradicionais.
  • Biotecnologia de precisão: uso de drones, sensores e plataformas digitais para monitorizar e gerir culturas de forma mais eficiente, reduzindo desperdícios e aumentando a produtividade.

Estas aplicações refletem uma tendência crescente para soluções mais sustentáveis, eficientes e alinhadas com as exigências de uma agricultura moderna e responsável.

Dimensão do Mercado e Segmentação por Tamanho e Tipos de Cultura

O mercado de biotecnologia agrícola em 2022 tinha uma dimensão aproximada de 35 mil milhões de dólares, com previsões de crescimento anual superior a 8% até 2025. A segmentação por tipos de cultura revela:

  • Milho: continua a ser a cultura mais beneficiada, representando cerca de 40% do mercado de sementes biotecnológicas, devido à sua importância económica e à resistência a pragas.
  • Soja: com aproximadamente 35% do mercado, especialmente nos EUA, Brasil e Argentina, favorecendo a resistência a herbicidas e tolerância a condições adversas.
  • Algodão: cerca de 15%, com foco na resistência a insetos e maior eficiência no uso de recursos hídricos.
  • Arroz e trigo: em fase de expansão, particularmente na Ásia, com projetos de edição genética para melhorar o valor nutricional e resistência.

O tamanho dos agricultores que adotam estas tecnologias varia entre pequenos e grandes produtores, sendo que os grandes agricultores tendem a liderar a implementação de soluções de biotecnologia devido ao maior acesso a recursos e conhecimento técnico.

Tendências Emergentes e Desafios do Mercado em 2024

O mercado de biotecnologia agrícola encontra-se numa fase de rápida evolução, marcada por várias tendências e desafios que irão definir o seu percurso nos próximos anos:

Tendências

  • Integração de inteligência artificial e big data: para melhorar a previsão de condições climáticas, saúde das culturas e otimizar a aplicação de produtos biológicos.
  • Desenvolvimento de culturas mais sustentáveis: com foco na redução do uso de químicos, aumento da eficiência de recursos e adaptação às mudanças climáticas.
  • Expansão na edição genética: uso de tecnologias como CRISPR para criar variedades com características específicas, acelerando o ciclo de desenvolvimento de novas culturas.
  • Regulamentação mais rigorosa: especialmente na União Europeia, que pode influenciar a velocidade de adoção de novas tecnologias.

Desafios

  • Questões regulatórias e éticas: que podem limitar ou atrasar o lançamento de novas variedades de culturas geneticamente modificadas.
  • Aceitação pública: resistência por parte de consumidores e organizações ambientais, principalmente na Europa.
  • Investimento elevado: necessário para pesquisa e desenvolvimento, bem como para a implementação de novas tecnologias.
  • Questões de propriedade intelectual: incluindo patentes e licenças, que podem dificultar o acesso de agricultores a tecnologias inovadoras.

Enfrentando estes desafios, a indústria deverá apostar na transparência, inovação responsável e colaboração internacional para consolidar o crescimento sustentável do mercado de biotecnologia agrícola.

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Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.