Análise do Mercado de Geada e Congelamento em Portugal em 2022: Vendas, Consumo, Exportação e Importação
Em 2022, o mercado de produtos de geada e congelados em Portugal enfrentou uma conjuntura marcada por desafios climáticos, mudanças no padrão de consumo e dinâmicas internacionais de comércio. Este setor, que compreende desde hortícolas congeladas a peixes e mariscos, desempenha um papel estratégico na segurança alimentar e na diversificação da oferta de produtos frescos e processados. Analisar o comportamento de vendas, o consumo interno, bem como as tendências de exportação e importação durante o ano de referência, permite compreender as oportunidades e ameaças presentes neste mercado em evolução.
Contexto e Panorama Geral do Mercado de Geada e Congelamento em 2022
O ano de 2022 foi marcado por uma crescente procura por produtos congelados, impulsionada pela mudança dos hábitos de consumo, que passaram a valorizar a conveniência, a durabilidade e a segurança alimentar. Portugal, como país europeu com forte tradição agrícola e pesqueira, registou uma evolução significativa na produção e comercialização de produtos de geada e congelados. Contudo, fatores como oscilações climáticas, custos de energia, e as alterações nas políticas comerciais internacionais tiveram impacto direto na dinâmica do setor.
Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) e de associações de produtores, o mercado total de produtos congelados movimentou aproximadamente 800 milhões de euros em 2022, representando um crescimento de cerca de 8% face ao ano anterior. Este aumento reflete uma maior adesão dos consumidores portugueses ao consumo de produtos prontos e embalados, em linha com tendências europeias.
Vendas e Consumo Interno: Crescimento e Preferências do Consumidor
O consumo de produtos de geada e congelados em Portugal atingiu, em 2022, níveis recorde. Os dados indicam que as vendas no retalho cresceram cerca de 10%, com destaque para algumas categorias específicas:
- Peixes e mariscos congelados: aumento de 12%, impulsionado pelo crescimento na procura por produtos de alta qualidade e sustentabilidade;
- Vegetais congelados: crescimento de 9%, refletindo a preferência por refeições rápidas e práticas;
- Produtos preparados de carne e aves: incremento de 11%, devido ao aumento do consumo de refeições prontas em casa;
- Sobremesas e doces congelados: subida de 7%, acompanhando tendências de conveniência e inovação na oferta.
Utilizando dados de consumo de fontes oficiais e de estudos de mercado, verifica-se que o perfil do consumidor português está a evoluir, privilegiando produtos de maior valor acrescentado, com preocupação crescente quanto à origem e sustentabilidade. A conveniência, a qualidade e a segurança alimentar continuam a ser fatores decisivos na escolha dos produtos congelados.
Este crescimento no consumo interno é também sustentado por campanhas de sensibilização sobre os benefícios do consumo de alimentos congelados, bem como por uma maior disponibilidade de produtos diferenciados no mercado, com embalagens mais práticas e informações claras ao consumidor.
Dinâmica de Exportação: Portugal como Player Internacional no Sector de Geada e Congelados
Em 2022, Portugal consolidou a sua posição como exportador de produtos de geada e congelados, especialmente para mercados europeus e alguns destinos fora do continente. Os principais produtos exportados incluem peixes e mariscos congelados, hortícolas, e alimentos preparados de carne.
Dados oficiais indicam que as exportações atingiram um valor de aproximadamente 300 milhões de euros, com um crescimento de 6% face ao ano anterior. Os principais destinos foram:
- Espanha: responsável por cerca de 40% do volume exportado;
- França: com 20%;
- Alemanha: representando 15%;
- Outros países europeus: incluindo Itália, Bélgica e Holanda.
Destaca-se que a exportação de mariscos congelados, nomeadamente percebes e camarões, registou um aumento expressivo, sustentado por uma maior procura por produtos de alta qualidade e sustentabilidade em mercados internacionais. A certificação de qualidade e o cumprimento de normas europeias têm sido fatores-chave para a penetração em mercados mais exigentes.
No entanto, a guerra na Ucrânia e as tensões comerciais resultaram numa maior complexidade logística e um aumento nos custos de transporte, o que impactou as margens de lucro dos exportadores portugueses.
Importação de Produtos Congelados: Desafios e Oportunidades
Portugal importa uma quantidade significativa de produtos de geada e congelados, sobretudo de países como Espanha, Marrocos, Países Baixos e China. Em 2022, as importações totalizaram cerca de 500 milhões de euros, com um aumento de 5% relativamente ao ano anterior, refletindo a procura por produtos específicos que não são produzidos nacionalmente ou que apresentam preços competitivos.
As categorias mais importadas incluem:
- Frutos do mar congelados: como lula e polvo;
- Vegetais congelados de origem não europeia;
- Produtos preparados de carne de países terceiros;
- Sobremesas e doces congelados de origem asiática.
Este fluxo de importações apresenta desafios relacionados com a qualidade, a rastreabilidade e as normas de segurança alimentar, mas também oportunidades de diversificação e inovação na oferta de produtos portugueses. A capacidade de integrar produtos importados de alta qualidade ao portefólio nacional pode potenciar o desenvolvimento de novas linhas de negócio.
Perspetivas para o Mercado de Geada e Congelamento em 2023 e Além
Para o futuro próximo, o mercado português de produtos de geada e congelados deverá continuar a evoluir de forma positiva, sustentado por fatores como:
- O aumento da procura por conveniência e alimentos prontos;
- O fortalecimento da presença de produtos sustentáveis e certificados;
- O crescimento das exportações para mercados europeus e internacionais;
- A inovação na oferta de produtos diferenciados e de alta qualidade.
Contudo, o setor enfrenta ainda desafios relevantes, nomeadamente o aumento dos custos energéticos, a volatilidade do mercado internacional, e a necessidade de cumprir com regulamentos cada vez mais rigorosos. A digitalização, a melhoria das cadeias de abastecimento e a aposta na sustentabilidade serão, sem dúvida, elementos essenciais para assegurar a competitividade de Portugal neste setor.
Assim, simultaneamente às oportunidades de crescimento, é fundamental que os agentes do mercado continuem a realizar análises constantes, a adaptar estratégias comerciais e a investir em inovação, de modo a responder às exigências de um mercado global cada vez mais competitivo e dinâmico.


