Perspetivas do Mercado da Construção Civil em Portugal para 2024: Uma Análise Profunda do Crescimento, Demanda e Competitividade

Em 2024, o mercado da construção civil em Portugal continua a ser um setor fundamental para a economia nacional, impulsionado por um conjunto de fatores que incluem a recuperação pós-pandémica, os investimentos públicos e privados, e as mudanças nas dinâmicas de habitação e infraestruturas. Este artigo realiza uma análise detalhada do estado atual e das projeções para o próximo ano, utilizando dados do período de 2021 como referência, focando no crescimento, na evolução da procura, na dimensão do setor e na atuação dos principais jogadores por regiões. A compreensão destas variáveis é essencial para investidores, construtores e decisores políticos que pretendem posicionar-se estrategicamente neste mercado em franca transformação.

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Contexto de Recuperação e Transformação do Mercado em 2021

O ano de 2021 foi marcado por uma fase de recuperação gradual do setor da construção civil, após o impacto severo da pandemia de COVID-19 em 2020. Com a implementação de medidas de estímulo económico, o aumento do financiamento público e a retoma da confiança dos investidores, o setor registou um crescimento moderado de 3,8% em volume de obra lançada, comparativamente ao ano anterior. Este contexto permitiu consolidar uma base sólida para o crescimento futuro, ainda que os desafios relacionados com a escassez de materiais, a inflação dos custos e as dificuldades de mão-de-obra tenham impactado a margem de evolução.

Dinâmicas de Demanda e Perspetivas de Crescimento para 2024

Para 2024, as previsões indicam um aumento consistente na procura por novos projetos de construção, sustentado por várias tendências que se consolidam no mercado português. Entre estas, destacam-se:

  • Incentivos à habitação e reabilitação urbana: programas como o "Reabilitar para Arrendar" e fundos europeus continuam a estimular a renovação de imóveis antigos, especialmente em Lisboa, Porto e cidades de médio porte.
  • Investimentos em infraestruturas: projetos públicos, nomeadamente na área de transportes e energias renováveis, representam uma fatia significativa da procura futura.
  • Mercado imobiliário em expansão: com um aumento na procura de habitação, sobretudo em regiões metropolitanas e nas áreas costeiras, impulsionado por migrantes e investidores estrangeiros.

Estima-se que a procura por novos edifícios residenciais aumente cerca de 6% em relação a 2021, enquanto os projetos de reabilitação urbana poderão crescer 8%, refletindo a crescente necessidade de adaptação às novas exigências ambientais e de eficiência energética. Assim, o mercado total de construção prevê um crescimento global de aproximadamente 5,5% em volume de obras lançadas em 2024.

Dimensão do Mercado: Tamanho e Segmentos Chave

Com base nos dados de 2021, o setor da construção civil em Portugal movimentou cerca de 8,2 mil milhões de euros, sendo divido em diversos segmentos que contribuem para a sua dimensão total:

  1. Habitação: aproximadamente 40% do volume de obras, com forte dinamismo em reabilitação urbana e novos empreendimentos.
  2. Infraestruturas: cerca de 25%, incluindo transportes, energia e água.
  3. Comércio e escritórios: 15%, particularmente em regiões metropolitanas.
  4. Indústria e armazéns: 10%, com crescimento moderado.
  5. Outros segmentos: 10%, incluindo obras públicas diversas e infraestruturas de lazer.

Para 2024, a previsão é que o mercado total alcance valores próximos dos 9,5 mil milhões de euros, refletindo o aumento na atividade de construção e reabilitação. Este crescimento será especialmente impulsionado pelos segmentos de habitação e infraestruturas, que continuam a ser os principais motores do setor.

Principais Jogadores e Competitividade Regional

O mercado da construção civil em Portugal caracteriza-se por um conjunto de grandes construtoras nacionais, empresas regionais e multinacionais com forte presença local. Entre os principais jogadores, destacam-se:

  • Sacyr/Teixeira Duarte: atuando sobretudo em obras de grande dimensão, como estradas e infraestruturas públicas.
  • Vibra Engenharia: com forte presença na reabilitação urbana e projetos residenciais.
  • Mota-Engil: uma das maiores empresas do país, com atuação em várias regiões e projetos internacionais.
  • Construções Metropolitanas Lda: foco em obras residenciais e comerciais nas áreas metropolitanas.

A análise por regiões revela que as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto continuam a ser os principais focos de atividade, respondendo por cerca de 70% do volume de obras lançadas. As regiões do Algarve e Centro registam crescimento devido ao aumento do mercado de segunda habitação e turismo. Regiões de interior, embora com menor volume, beneficiam de programas de reabilitação e de incentivos específicos, apresentando uma oportunidade de crescimento moderado para os próximos anos.

Desafios e Oportunidades no Mercado da Construção Civil em 2024

Apesar das perspetivas positivas, o setor enfrenta diversos desafios que poderão condicionar o seu crescimento em 2024:

  • Escassez de materiais: a globalização das cadeias de abastecimento tem causado atrasos e aumento de custos.
  • Custos de mão-de-obra: dificuldades na contratação e retenção de trabalhadores qualificados continuam a ser um entrave.
  • Regulamentação ambiental e eficiência energética: obrigatoriedade de cumprir novos requisitos que podem aumentar os custos e o tempo de execução.
  • Incertezas económicas e políticas: alterações na política de financiamento e na legislação podem impactar os investimentos.

No entanto, estas dificuldades representam também oportunidades de inovação, com a adoção de novas tecnologias como construção modular, materiais sustentáveis e processos digitais. A crescente procura por edifícios energeticamente eficientes abre um mercado de soluções especializadas, promovendo a competitividade dos players locais e internacionais.

Conclusão: Perspetivas de Crescimento Sustentável e Estratégias de Mercado

O mercado da construção civil em Portugal para 2024 apresenta sinais claros de crescimento sustentado, apoiado por fatores económicos, ambientais e sociais. A procura por habitação, reabilitação urbana e infraestruturas públicas continuará a impulsionar o setor, enquanto os principais jogadores ajustam as suas estratégias para responder às novas exigências de sustentabilidade e inovação. Apesar dos desafios, a adaptação às mudanças regulatórias e à escassez de recursos será fundamental para garantir um crescimento sustentável e duradouro.

Assim, os investidores e construtores que conseguirem antecipar as tendências do mercado, apostar na inovação e diversificação de portfolios estarão melhor posicionados para aproveitar as oportunidades que o setor da construção civil oferece em 2024 e nos anos seguintes.

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Author
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.