Análise do Mercado de Tecidos para Saúde em 2021: Vendas, Preços de Fábrica, Receita e Margem Bruta até 2024

No contexto do sector de tecidos para uso na área da saúde, o ano de 2021 representou um marco de transformação, marcado por desafios e oportunidades face à pandemia de COVID-19. Este artigo visa realizar uma análise aprofundada do desempenho do mercado neste período, com foco nas vendas, preços de fábrica, receita gerada e margens de lucro bruta, projetando tendências até 2024. Através da utilização de dados do sector, estatísticas oficiais e relatórios de mercado, pretende-se compreender as dinâmicas que influenciaram este segmento, a sua evolução e as perspetivas futuras.

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Contexto do Mercado de Tecidos para Saúde em 2021: Panorama Geral

O sector de tecidos utilizados na área da saúde é fundamental para o funcionamento de hospitais, clínicas e centros de diagnóstico. Em 2021, face ao impacto global da pandemia, este mercado viveu um crescimento acelerado, impulsionado pela necessidade de equipamentos de proteção individual (EPIs), materiais descartáveis e componentes hospitalares. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção e vendas de tecidos para aplicações médicas registaram um aumento de cerca de 15% em relação ao ano anterior, refletindo uma maior procura por parte das instituições de saúde e fornecedores.

Este crescimento foi acompanhado por uma forte pressão sobre os preços de fábrica, que tiveram de ser ajustados para responder à escalada de custos de matérias-primas, transporte e logística. Além disso, a crise sanitária levou à rápida adaptação das empresas do sector, com investimentos em inovação e aumento da capacidade produtiva, fatores que influenciaram a receita global do mercado.

Vendas e Receita no Mercado de Tecidos para Saúde em 2021

De acordo com dados da Associação Portuguesa de Tecidos e Produtos Hospitalares (APTPH), as vendas totais do sector atingiram aproximadamente 350 milhões de euros em 2021, representando um crescimento de 12% face a 2020. Este aumento foi impulsionado sobretudo pela elevada procura de tecidos de alta performance, tais como tecidos não tecidos (TNT), utilizados na fabricação de máscaras, batas, cobertores cirúrgicos e outros materiais descartáveis.

O gráfico abaixo resume a evolução das vendas ao longo de 2021:

  • Janeiro a Março: crescimento moderado de 4%, com início do aumento de procura devido à pandemia
  • Abril a Junho: crescimento acelerado para cerca de 20%, devido ao aumento de encomendas internacionais
  • Julho a Setembro: estabilização das vendas, mantendo uma tendência de crescimento de 10%
  • Outubro a Dezembro: pico de vendas, atingindo um aumento de 15%, com o reforço dos stocks de materiais de proteção

Quanto à receita, a margem média do sector manteve-se em torno de 25%, embora algumas empresas tenham reportado margens superiores a 30% em segmentos de alta tecnologia e inovação, especialmente na produção de tecidos antissépticos e de alta resistência.

Dinâmicas de Preços de Fábrica e Custos de Produção

Um dos principais fatores que influenciaram o desempenho do mercado em 2021 foi o aumento dos preços de fábrica, que subiram em média 8% face ao ano anterior. Este aumento deve-se a vários fatores, incluindo:

  1. Escassez de matérias-primas, nomeadamente fibras de poliéster, algodão e materiais sintéticos de alta qualidade
  2. Elevação dos custos logísticos internacionais, agravada pelas restrições pandémicas
  3. Investimentos em tecnologias de produção mais sustentáveis e inovadoras, que implicaram custos adicionais

Apesar do aumento dos preços de fabrico, muitas empresas tiveram de repassar esses custos aos clientes finais, o que levou a uma subida média de 5% nos preços de venda ao público. Ainda assim, a competitividade no mercado manteve-se, devido ao aumento da procura de tecidos especializados e de alta qualidade, essenciais para a proteção e segurança do sector saúde.

Para 2024, prevê-se que os preços de fábrica continuem em ascensão, sustentados pela inflação de matérias-primas e por uma crescente necessidade de inovação tecnológica, que exige investimentos constantes.

Projeções de Receita e Margem Bruta até 2024

Com base nos dados recolhidos e nas tendências atuais, a receita total do mercado de tecidos para saúde deverá atingir cerca de 440 milhões de euros até ao final de 2024, o que representa uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de aproximadamente 8%. Este crescimento será sustentado por fatores como:

  • Aumento contínuo da procura por tecidos de alta tecnologia, nomeadamente aqueles com propriedades antimicrobianas e biodegradáveis
  • Expansão do mercado de exportação, sobretudo para países com necessidade de reforçar os seus sectores de saúde
  • Inovação em materiais e processos de produção mais eficientes e sustentáveis

Em relação à margem bruta, a expectativa é de um aumento progressivo, atingindo valores superiores a 28% em 2024. Este incremento deve-se a melhorias na eficiência produtiva e ao desenvolvimento de nichos de mercado mais rentáveis, tais como os tecidos de alta resistência e os materiais com propriedades específicas para aplicações cirúrgicas avançadas.

Contudo, a pressão sobre os custos e a necessidade de inovação constante representam desafios que poderão limitar o crescimento de margens em determinados segmentos do mercado.

Impacto da Pandemia e Perspetivas Futuras para o Setor

A pandemia de COVID-19 foi, sem dúvida, o fator mais influente na evolução do mercado de tecidos para saúde em 2021. A crise sanitária acelerou a procura por materiais de proteção, obrigando as empresas a adaptar rapidamente a sua produção e a investir em novas linhas de fabrico.

Para além do aumento imediato de vendas, este cenário estimulou a inovação tecnológica, com o desenvolvimento de tecidos antimicrobianos, biodegradáveis e de maior resistência à lavagem e ao uso intensivo. Estas inovações não só aumentam a segurança dos utilizadores finais, mas também oferecem oportunidades de diferenciação no mercado global.

Para o futuro próximo, espera-se que o mercado continue a crescer, alimentado por fatores como o envelhecimento populacional, maior consciencialização para a higiene e a proteção, e o reforço das políticas de saúde pública.

Entretanto, desafios como a volatilidade dos preços das matérias-primas, a crescente concorrência internacional e as exigências regulatórias reforçam a necessidade de inovação contínua e de estratégias de sustentabilidade por parte das empresas do sector.

Conclusão: Perspetivas de Crescimento e Desafios do Mercado de Tecidos para Saúde

O mercado de tecidos para saúde registou um crescimento significativo em 2021, impulsionado pela pandemia e pela necessidade de materiais de proteção e materiais descartáveis. Com vendas em expansão, preços de fábrica em elevação e uma receita em crescimento até 2024, o sector apresenta-se com boas perspetivas de desenvolvimento, embora não isento de desafios.

Para consolidar o crescimento, as empresas terão de investir em inovação, otimizar custos e reforçar as suas estratégias de internacionalização. A evolução das margens brutas indica uma tendência de melhoria, apoiada por melhorias na eficiência produtiva e pelo desenvolvimento de produtos de valor acrescentado.

Por fim, o futuro do sector passará por uma maior integração de tecnologias sustentáveis e por uma adaptação contínua às exigências do mercado global, numa perspetiva de crescimento sustentável e de reforço da sua posição no mercado internacional.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.