Mercado das Oleaginosas de Processamento em 2021: Uma Análise Abrangente por Regiões, Tipos e Aplicações com Perspectivas para 2024

Em 2021, o mercado global de oleaginosas de processamento revelou-se como um sector fulcral na cadeia de produção de alimentos, biocombustíveis e produtos industriais, refletindo um crescimento marcado por fatores económicos, ambientais e tecnológicos. Este artigo visa analisar de forma detalhada o desempenho do mercado naqueles doze meses, utilizando dados provenientes de fontes internacionais, com uma atenção especial às diferenças regionais, aos tipos de oleaginosas e às aplicações mais relevantes. Além disso, apresenta-se uma previsão para 2024, tendo por base as tendências de consumo, inovação tecnológica e políticas ambientais que influenciam a indústria.

Mercado Oleaginosa Processing 2021 Por Fabricantes Regioes Tipo e Aplicacao Previsao Para 2024 — industria
industria · Mercado Oleaginosa Processing 2021 Por Fabricantes Regioes Tipo e Aplicacao Previsao Para 2024

Contexto global e dinâmica de mercado em 2021

O ano de 2021 foi marcado por desafios e oportunidades para o setor das oleaginosas, impulsionado por uma crescente procura global por ingredientes alimentares saudáveis, biocombustíveis sustentáveis e novos usos industriais. A pandemia de COVID-19, embora tenha causado perturbações na logística e na produção, também acelerou a transição para fontes de energia renováveis e produtos mais sustentáveis, refletindo-se na procura por oleaginosas como soja, palma, girassol e colza.

Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o consumo mundial de oleaginosas de processamento atingiu aproximadamente 600 milhões de toneladas em 2021, representando um crescimento de 4,5% face ao ano anterior. Este aumento deve-se, sobretudo, ao incremento na produção de óleos vegetais utilizados na indústria alimentícia e na produção de biocombustíveis, com a China, Estados Unidos e União Europeia a liderarem o consumo.

Distribuição regional do mercado de oleaginosas em 2021

A análise por regiões revela diferenças substanciais na produção e consumo de oleaginosas de processamento. Cada região tem as suas especificidades, influenciadas por fatores climáticos, políticas agrícolas e tendências de mercado.

América do Norte

  • Produção predominante de soja e girassol, com os Estados Unidos a responderem por cerca de 60% da produção total da região.
  • O mercado de óleos vegetais é altamente desenvolvido, destinando-se principalmente ao consumo interno e à exportação.
  • O crescimento do sector de biocombustíveis tem impulsionado a procura por oleaginosas de alta qualidade e com certificações sustentáveis.

América do Sul

  • Brasil e Argentina destacam-se como principais produtores mundiais de soja, contribuindo com aproximadamente 40% da produção global.
  • A expansão da agricultura de oleaginosas é impulsionada por incentivos governamentais e investimentos estrangeiros.
  • O mercado de óleos de soja e de palma é altamente relevante na região, com forte presença de empresas multinacionais.

África e Ásia

  • A Índia, Indonésia e Malásia lideram a produção de óleo de palma, um dos principais produtos de oleaginosas na região.
  • Apesar do crescimento, o mercado enfrenta desafios relacionados com a sustentabilidade, desmatamento e controlo de certificações ambientais.
  • O consumo interno é elevado, impulsionado por uma crescente urbanização e mudança de hábitos alimentares.

Europa

  • A Europa importa grande parte das oleaginosas, sobretudo soja e palma, para processamento e consumo final.
  • Existe uma forte pressão para a adoção de fontes mais sustentáveis, com uma crescente preferência por óleos de origem europeia ou produzidos de forma responsável.
  • O sector de processamento é altamente inovador, investindo em tecnologia para aumentar a eficiência e reduzir o impacto ambiental.

Tipos de oleaginosas: produção, consumo e tendências em 2021

O mercado de oleaginosas de processamento distingue-se por uma variedade de produtos, cada um com características específicas de produção, utilização e valor de mercado. A seguir, destacam-se os principais tipos em 2021:

  1. Soja: Com uma quota de mercado superior a 50% na produção mundial de óleos vegetais, a soja é a oleaginosa mais utilizada, sobretudo na América do Norte, América do Sul e Ásia. A sua versatilidade permite aplicações na alimentação humana, ração animal e biocombustíveis.
  2. Palmela: Predominante na Ásia, especialmente na Indonésia e Malásia, o óleo de palma é conhecido pela sua eficiência de produção e baixo custo, embora enfrente críticas por questões ambientais.
  3. Girassol: Com forte presença na Europa, Rússia e Ucrânia, o óleo de girassol é valorizado pela sua composição nutricional e é amplamente utilizado na indústria alimentar.
  4. Colza ou canola: Destacada na União Europeia, Canadá e Austrália, a colza é uma fonte importante de óleo para a alimentação e biocombustíveis.
  5. Sésamo e outras oleaginosas: Com menor quota de mercado, mas de crescente interesse, destacam-se pelo valor nutricional e aplicações específicas na indústria alimentar.

Aplicações industriais e de consumo final em 2021

As oleaginosas de processamento encontram diversas aplicações na economia global, que podem ser agrupadas em três grandes categorias:

  • Alimentação humana: Óleos de alta qualidade para cozinhar, produtos processados, margarinas, snacks e alimentos funcionais.
  • Indústria de rações e alimentos para animais: A soja, em particular, é uma fonte fundamental de proteína para ração animal.
  • Biocombustíveis e produtos industriais: A utilização de óleos vegetais na produção de biodiesel tem ganho destaque, incentivada por políticas ambientais e regulamentações de emissões.

Em 2021, o consumo de biodiesel cresceu cerca de 7% face ao ano anterior, refletindo uma aposta crescente na transição energética sustentável.

Perspectivas para 2024: tendências e desafios futuros

O horizonte até 2024 apresenta várias tendências que irão moldar o mercado das oleaginosas de processamento, com impactos na produção, inovação, sustentabilidade e regulação.

Inovação tecnológica e sustentabilidade

O desenvolvimento de novas variedades de oleaginosas com maior rendimento e resistência a pragas, aliado à adoção de práticas agrícolas sustentáveis, será fundamental para responder à crescente procura e às exigências ambientais. Empresas investem em tecnologias de rastreabilidade e certificação para garantir a origem responsável dos produtos.

Regulamentação e políticas ambientais

A União Europeia, por exemplo, prevê a eliminação gradual de óleos produzidos através de práticas de desmatamento até 2030, pressionando os fornecedores a adotarem certificações de sustentabilidade. A implementação de tarifas e incentivos fiscais também influenciará a dinâmica de mercado.

Demanda de mercado e novos mercados emergentes

O crescimento de mercados na Ásia, África e América Latina, aliado à procura de produtos de maior valor agregado, como óleos especializados e ingredientes funcionais, criará oportunidades para os actores do sector. Além disso, a preferência por óleos com certificação de sustentabilidade e de origem local será uma tendência crescente.

Desafios logísticos e ambientais

A gestão de cadeias de abastecimento, o combate ao desmatamento e a redução do impacto ambiental continuarão a ser prioridades, com o sector a necessitar de investir em práticas mais responsáveis e eficientes.

Conclusão: previsão de evolução até 2024

O mercado de oleaginosas de processamento, em 2021, revelou-se resiliente e em fase de transformação, impulsionado por fatores económicos, ambientais e tecnológicos. Para 2024, espera-se um crescimento sustentado, com maior ênfase na sustentabilidade, inovação e adaptação às políticas reguladoras. A dinâmica de regiões, tipos de oleaginosas e aplicações deverá consolidar um sector mais responsável, eficiente e alinhado às exigências de um mundo em transição energética e alimentar.

O futuro próximo reserva desafios, mas também oportunidades relevantes para os actores que investirem em inovação, sustentabilidade e na adaptação às novas tendências de consumo e regulamentação global.

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Autor
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.