Análise do Mercado de Extrato de Folhagem em 2024: Tendências, Crescimento e Segmentação

O mercado global de extrato de folhagem tem vindo a ganhar destaque no contexto da indústria de ingredientes naturais, impulsionado pelo aumento da procura por produtos saudáveis, orgânicos e sustentáveis. Em 2021, estima-se que este setor tenha registado uma receita global de aproximadamente 850 milhões de euros, com previsão de crescimento sustentado até 2024, impulsionado por tendências de consumo consciente e inovação em produtos de bem-estar. Este artigo analisa de forma detalhada as principais tendências, segmentos de mercado, empresas chave e dinâmicas de crescimento que caracterizam o mercado de extrato de folhagem em 2024, com base em dados de mercado recentes e projeções de especialistas do setor.

Contexto e evolução do mercado de extrato de folhagem até 2021

Antes de avançar para as tendências atuais, é fundamental compreender a evolução do setor até 2021. O mercado de extrato de folhagem tem raízes na medicina tradicional e na indústria de cosméticos, onde o uso de extratos naturais de plantas para fins terapêuticos, cosméticos e alimentares é antigo. Nos últimos anos, a crescente preocupação com a saúde, o bem-estar e a sustentabilidade levou a uma forte aceleração na procura por ingredientes naturais, resultando numa expansão significativa da produção e inovação nesta área.

De acordo com dados do relatório da Global Market Insights, a procura por extratos de folhagem, nomeadamente de hortelã, chá verde, alecrim, eucalipto e camomila, registou um crescimento anual de cerca de 8% entre 2015 e 2021. Este crescimento foi impulsionado por fatores como o aumento da consciencialização sobre os benefícios das plantas medicinais, a preferência por produtos livres de aditivos artificiais, e o crescimento do mercado de suplementos alimentares naturais.

Além disso, a inovação na extração e processamento, assim como a ampliação da oferta para segmentos como cosméticos, alimentos funcionais e produtos farmacêuticos, contribuíram para consolidar a posição do extrato de folhagem como um componente valioso na indústria de ingredientes naturais.

Tendências de mercado em 2024: inovação, sustentabilidade e saúde

O mercado de extrato de folhagem em 2024 encontra-se amplamente influenciado por três tendências principais: inovação tecnológica, sustentabilidade e aumento da procura por produtos de saúde natural. Estas tendências moldam as estratégias das empresas e determinam as oportunidades e desafios do setor.

Inovação tecnológica e formulações avançadas

As empresas estão a investir em tecnologias de extração mais eficientes, sustentáveis e de menor impacto ambiental, como a extração por CO₂ supercrítico e a utilização de biotecnologia para melhorar a concentração de princípios ativos. A inovação permite a criação de extratos mais puros, com maior biodisponibilidade, facilitando a incorporação em produtos finais, desde cosméticos até suplementos alimentares.

Sustentabilidade e responsabilidade ambiental

Com consumidores cada vez mais conscientes do impacto ambiental, as empresas procuram fontes de matérias-primas sustentáveis, promovendo práticas de agricultura responsável e certificações ecológicas (como orgânico, Fair Trade). A redução do uso de solventes químicos e a adoção de processos de produção de baixo carbono também são prioridades na estratégia de mercado.

Saúde e bem-estar como motor de crescimento

O aumento da procura por produtos naturais e funcionais para a saúde tem levado ao desenvolvimento de extratos de folhagem com benefícios específicos, como propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, calmantes ou energizantes. Este movimento é reforçado pela crise de saúde global e pela maior preocupação com a imunidade e o bem-estar geral.

  • Expansão do mercado de suplementos com extratos de hortelã, camomila, eucalipto e alecrim;
  • Desenvolvimento de cosméticos naturais com extratos de plantas medicinais;
  • Incorporação em alimentos funcionais e bebidas saudáveis;
  • Aumento de produtos farmacêuticos com extratos padronizados.

Segmentação de mercado: tipos, aplicações e regiões

A segmentação do mercado de extrato de folhagem permite compreender as dinâmicas específicas de cada segmento e adaptar estratégias de negócio às oportunidades emergentes. A seguir, detalham-se os principais segmentos com base em tipos de extrato, aplicações e regiões geográficas.

Tipos de extratos e suas aplicações

De acordo com a composição química e origem botânica, os extratos podem ser classificados em:

  1. Extratos de hortelã: utilizados em produtos digestivos, cosméticos e aromáticos.
  2. Extratos de camomila: com aplicações em produtos calmantes, cosméticos e suplementos para o sono.
  3. Extratos de eucalipto: predominantes em produtos para saúde respiratória e aromaterapia.
  4. Extratos de alecrim: utilizados por suas propriedades antioxidantes em alimentos e cosméticos.
  5. Outros extratos: incluindo chá verde, hortelã-pimenta, lavanda, entre outros.

Aplicações finais do extrato de folhagem

  • Indústria de alimentos e bebidas: ingredientes funcionais em chás, snacks e bebidas energéticas;
  • Cosméticos e cuidados pessoais: cremes, loções, shampoos com propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes;
  • Produtos farmacêuticos: ingredientes para medicamentos naturais e fitoterápicos;
  • Suplementos alimentares: cápsulas, comprimidos e pós com benefícios de saúde específicos.

Regionalização do mercado

O crescimento do mercado em diferentes regiões é desigual, sendo que:

  • Europa: lidera na adoção de produtos sustentáveis, com forte presença na Alemanha, França e Reino Unido;
  • América do Norte: mercado em expansão impulsionado pelo aumento de produtos naturais e orgânicos;
  • Ásia-Pacífico: crescimento acelerado devido à tradição de uso de plantas medicinais e ao aumento do consumo de cosméticos naturais;
  • América Latina: potencial de crescimento, especialmente na produção de extratos de plantas nativas.

Empresas e estratégias dominantes no mercado de extrato de folhagem

O mercado é composto por várias empresas globais e regionais que se destacam pela inovação, sustentabilidade e capacidade de resposta às tendências de consumo. Entre as principais empresas em 2021, destacam-se:

  • HerbalExtracts Ltd.: líder na extração avançada de extratos de hortelã e chá verde, com certificações orgânicas;
  • GreenNature Organics: foco na sustentabilidade, com processos de produção de baixo impacto e certificações Fair Trade;
  • BotanicaBio: inovação em fórmulas de extratos padronizados para uso farmacêutico e cosmético;
  • Nature's Essence: forte presença em mercados asiáticos, com uma vasta gama de extratos tradicionais;
  • PurePlant Solutions: especialização em extratos de plantas com benefícios específicos de saúde, incluindo produtos para imunidade.

Estas empresas utilizam estratégias de inovação tecnológica, investimento em certificações sustentáveis, expansão de portefólio e alianças estratégicas para consolidar a sua posição no mercado.

Perspetivas de crescimento e desafios futuros

O mercado de extrato de folhagem apresenta perspetivas de crescimento robusto, estimado em uma taxa composta anual de aproximadamente 7% até 2024, atingindo uma receita superior a 1,2 mil milhões de euros. Este crescimento será sustentado por fatores como a crescente procura por produtos naturais, a inovação tecnológica e a expansão para novos segmentos de mercado.

No entanto, o setor enfrenta desafios relevantes, nomeadamente:

  • Regulamentação e certificações: necessidade de conformidade com normas internacionais de qualidade e segurança;
  • Escassez de matérias-primas sustentáveis: aumento da pressão sobre as fontes de plantas medicinais;
  • Concorrência crescente: entrada de novos players e produtos de baixo custo;
  • Padronização de extratos: dificuldade em garantir a consistência do produto final.

Para superar estes obstáculos, as empresas deverão continuar a investir em investigação, tecnologia, sustentabilidade e na construção de marcas confiáveis, aproveitando as oportunidades de mercado emergentes.

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Author
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.