Relatório de Mercado Travel and Expense em 2021: Uma análise de tendências e desafios no setor de viagens corporativas

No contexto pós-pandemia de COVID-19, o mercado de Travel and Expense (T&E) em 2021 apresentou-se como um cenário de profundas transformações, desafios e oportunidades. Este relatório, elaborado por entidades especializadas em análise de mercados, visa oferecer uma visão detalhada do setor, analisando as principais tendências, alterações no comportamento dos consumidores corporativos, e as estratégias adotadas pelas empresas para adaptar-se a um panorama marcado pela incerteza e pela digitalização acelerada. Utilizando dados recolhidos de diversas fontes, incluindo associações da indústria, empresas de consultoria e plataformas tecnológicas, o objetivo é compreender como o mercado de T&E evoluiu ao longo do ano, identificando fatores que poderão influenciar o seu desenvolvimento futuro.

Contexto global e impacto da pandemia de COVID-19 no mercado de T&E

O ano de 2021 foi marcado por uma recuperação gradual das atividades económicas globais, após o impacto devastador da pandemia de COVID-19 em 2020. No entanto, o setor de viagens corporativas continuou a enfrentar constrangimentos significativos, fruto de restrições de mobilidade, medidas de confinamento e uma crescente preocupação com a saúde e segurança dos viajantes. Segundo dados da Associação Internacional de Viagens de Negócios (GBTA), as despesas globais com viagens de negócios em 2021 registaram uma diminuição de aproximadamente 50% em comparação com 2019, ano de referência pré-pandemia. Este cenário refletiu-se na adaptação das empresas, que passaram a privilegiar a implementação de políticas de viagens mais restritivas, ao mesmo tempo que investiram em soluções tecnológicas para gerir despesas de forma mais eficiente e segura.

Tendências de consumo e mudança de comportamento dos viajantes corporativos

Uma das principais conclusões do relatório de 2021 assinala uma mudança significativa no comportamento dos viajantes corporativos. A preocupação com a saúde, a preferência por viagens de curta duração e a realização de reuniões virtuais tornaram-se norma. Além disso, há uma crescente preferência por destinos locais ou próximos, o que influenciou a redistribuição dos orçamentos de viagens. Destaca-se também a adoção de ferramentas digitais de gestão de despesas, que permitiram às empresas monitorizar em tempo real os gastos durante as viagens, promovendo maior controlo financeiro e redução de custos desnecessários.

De acordo com um estudo realizado pela consultora Deloitte, cerca de 65% das empresas aumentaram o investimento em plataformas tecnológicas de gestão de despesas em 2021, com o intuito de facilitar o reporte e a aprovação de despesas, bem como melhorar a experiência do utilizador. Este movimento foi impulsionado pela necessidade de garantir a segurança dos viajantes e otimizar recursos, numa conjuntura de recursos financeiros mais restritos.

Transformações na oferta de serviços e inovação tecnológica

O mercado de Travel and Expense assistiu a uma rápida evolução na oferta de serviços, com destaque para a digitalização e a inovação tecnológica. Plataformas integradas de gestão de viagens, que combinam reserva, controlo de despesas e relatórios analíticos, tornaram-se essenciais para as empresas. Além disso, a utilização de inteligência artificial e big data permitiu personalizar ofertas e melhorar a experiência do viajante, ao mesmo tempo que se otimizam os custos operacionais.

Destacam-se, neste contexto, soluções de contacto digital para check-in em aeroportos, hotéis e outros serviços de transporte, além de plataformas que oferecem recomendações de segurança e saúde em tempo real. Segundo o relatório, cerca de 78% das empresas passaram a utilizar de forma regular plataformas de gestão de despesas baseadas na cloud, garantindo acessibilidade e segurança de dados.

Desafios económicos e estratégicos enfrentados pelas empresas em 2021

O setor de Travel and Expense enfrentou, em 2021, uma série de desafios económicos e estratégicos. A incerteza quanto à evolução da pandemia, as restrições de mobilidade e a volatilidade do mercado financeiro obrigaram as empresas a reavaliar as suas políticas de viagens e despesas. Muitas organizações adotaram estratégias de contenção de custos, como a limitação de viagens internacionais, o aumento do foco em videoconferências e a renegociação de contratos com fornecedores de serviços de viagens.

Segundo dados do Banco de Portugal, as despesas de viagens corporativas sofreram uma redução média de 45% em comparação com 2019, refletindo uma forte contenção de custos. Além disso, as empresas têm vindo a apostar na implementação de políticas de sustentabilidade, procurando reduzir a pegada ecológica associada às deslocações profissionais, o que também influencia as decisões de viagem.

Outro desafio relevante é a gestão de risco, que passou a incluir aspetos relacionados com a saúde pública, segurança e conformidade regulatória, fatores que exigem uma maior atenção e recursos por parte das organizações.

Perspetivas futuras e oportunidades de crescimento no setor de T&E

Apesar do impacto adverso da pandemia, o relatório de 2021 indica que o setor de Travel and Expense possui potencial de recuperação e crescimento, impulsionado por uma maior digitalização e inovação. A previsão é que, à medida que as restrições sejam flexibilizadas e a vacinação avance, as empresas retomem as deslocações presenciais, embora com uma abordagem mais equilibrada entre viagens físicas e virtuais.

Espera-se que o mercado assista a uma maior adoção de soluções de gestão de despesas baseadas em inteligência artificial, bem como a uma crescente importância de políticas de sustentabilidade e responsabilidade social. As oportunidades de crescimento também residem na expansão de destinos domésticos e na personalização dos serviços, atendendo às novas preferências dos viajantes.

Dados do European Travel Commission revelam que, até 2025, o mercado de T&E poderá recuperar cerca de 70% do volume de despesas registado em 2019, com uma tendência de estabilização e inovação contínua.

  • Investimento em tecnologias de automação e inteligência artificial;
  • Foco em políticas de sustentabilidade e redução da pegada ecológica;
  • Expansão de soluções integradas de gestão de viagens e despesas;
  • Adaptação às novas preferências de destinos e tipos de viagens;
  • Fortalecimento de protocolos de segurança e saúde;
  • Valorização do equilíbrio entre viagens presenciais e virtuais.

Conclusão: Uma nova era para o setor de Travel and Expense pós-2021

O ano de 2021 marcou uma fase de profundas mudanças no mercado de Travel and Expense, impulsionadas pela pandemia e pela necessidade de adaptação às novas realidades. As empresas tiveram de repensar estratégias, investir em tecnologia e implementar políticas de gestão de despesas mais eficientes e seguras. Apesar dos constrangimentos, o setor revelou-se resiliente, demonstrando uma capacidade de inovação e adaptação que deverá continuar a moldar o seu futuro.

O caminho para a recuperação passa pela digitalização, sustentabilidade e uma abordagem mais integrada e personalizada dos serviços. A partir de agora, o mercado de T&E terá de equilibrar as necessidades de redução de custos, proteção da saúde dos viajantes e o retorno às deslocações presenciais, numa perspetiva de crescimento sustentável e competitivo.

Assim, o relatório de 2021 serve de base para compreender as dinâmicas atuais e as tendências emergentes, sendo crucial para as empresas que pretendem posicionar-se estrategicamente num setor em transformação contínua.

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Author
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.