Análise do Mercado de Marcapassos Cardíacos em 2021: Tendências, Impactos da Covid-19 e Perspetivas Futuras

Em 2021, o mercado global de marcapassos cardíacos continuou a enfrentar desafios e oportunidades, marcados por uma recuperação gradual após o impacto da pandemia de Covid-19 em 2020. Este relatório analisa de forma aprofundada o estado atual do setor, identificando as principais tendências, fatores que influenciaram o crescimento, e realiza uma avaliação do impacto da pandemia no mercado de marcapassos cardíacos, com foco particular na região europeia, incluindo Portugal. A compreensão destes fatores é fundamental para stakeholders, fabricantes, fornecedores de componentes, e reguladores, que procuram antecipar tendências e adaptar estratégias às dinâmicas de mercado em constante evolução.

Status do Mercado Marcapasso Cardiaco Tendencias e Relatorio de Impacto Covid 19 de 2021 — mercados
mercados · Status do Mercado Marcapasso Cardiaco Tendencias e Relatorio de Impacto Covid 19 de 2021

Contexto Global e Regional do Mercado de Marcapassos Cardíacos em 2021

O mercado mundial de marcapassos cardíacos mantém-se como uma das áreas mais relevantes da indústria de dispositivos médicos implantáveis, impulsionado pelo envelhecimento populacional, aumento da incidência de doenças cardiovasculares, e avanços tecnológicos contínuos. De acordo com dados do relatório de mercado de 2021, estima-se que o valor global do mercado de marcapassos tenha atingido aproximadamente 5,4 mil milhões de dólares, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de cerca de 4,8% entre 2016 e 2021.

Na região europeia, incluindo Portugal, o mercado refletiu tendências similares, embora com particularidades relacionadas com fatores demográficos, políticas de saúde pública, e níveis de adoção tecnológica. Portugal, por exemplo, registou uma taxa de implantação de dispositivos de marcapasso de aproximadamente 150 por milhão de habitantes, alinhando-se com a média europeia, mas com potencial de crescimento devido a melhorias nos procedimentos e na acessibilidade.

Tendências Tecnológicas e Inovação no Setor de Marcapassos

O desenvolvimento tecnológico foi um dos principais motores de evolução no mercado de 2021. Destacam-se várias tendências que moldaram o cenário:

  • Marcapassos Recarregáveis e Recarregáveis por Energia Externa: A introdução de dispositivos recarregáveis, com maior longevidade e menor necessidade de substituição, permitiu uma redução de complicações e custos associados a cirurgias repetidas.
  • Marcapassos Conectados (telemédicos): O avanço na conectividade permitiu o monitoramento remoto dos dispositivos, facilitando uma gestão mais eficiente e o acompanhamento contínuo do paciente, sobretudo importante durante a pandemia.
  • Miniaturização e Biocompatibilidade: Novos materiais e técnicas de design resultaram em dispositivos menores, mais confortáveis e com maior biocompatibilidade, reduzindo riscos de infeções e melhorando a qualidade de vida dos utentes.
  • Tecnologias de Estimulação Personalizada: Os dispositivos passaram a ser capazes de ajustar automaticamente os parâmetros de estimulação consoante as necessidades fisiológicas do paciente, promovendo maior eficiência e menor consumo de energia.

Estas tendências refletem uma forte aposta em inovação que visa melhorar a eficácia, segurança, e acessibilidade dos marcapassos, alinhando-se às expectativas de uma medicina cada vez mais personalizada e digitalizada.

Impacto da Covid-19 no Mercado de Marcapassos em 2021

A pandemia de Covid-19 teve um impacto profundo no setor de dispositivos médicos, incluindo os marcapassos cardíacos. Em 2020, observou-se uma redução significativa na realização de procedimentos eletivos, devido às restrições sanitárias e ao redirecionamento de recursos para o combate à pandemia. Em 2021, o setor apresentou sinais de recuperação, embora com variações regionais e logísticas.

De acordo com dados do setor, a realização de procedimentos de implantação de marcapassos em 2021 aumentou cerca de 12% em relação ao ano anterior, refletindo uma retoma progressiva. Contudo, ainda houve obstáculos relacionados com a escassez de recursos, atrasos na cadeia de abastecimento, e preocupações de segurança dos pacientes e profissionais de saúde.

Além disso, a pandemia acelerou a adoção de tecnologias de telemonitorização, que se revelaram essenciais para garantir o acompanhamento de pacientes com dispositivos implantados, minimizando visitas presenciais às unidades de saúde. Este aspeto trouxe benefícios tanto em termos de eficiência quanto de segurança, reforçando uma tendência que deverá manter-se como padrão na gestão futura do setor.

Principais Factores de Crescimento e Desafios do Mercado em 2021

O crescimento do mercado de marcapassos em 2021 foi impulsionado por diversos fatores, embora também tenha enfrentado desafios específicos:

  1. Envelhecimento da População: O aumento da longevidade e a prevalência de doenças cardíacas impulsionam a procura por dispositivos implantáveis.
  2. Avanços Tecnológicos: Como mencionado anteriormente, inovação contínua aumenta a eficiência e segurança, estimulando a procura.
  3. Expansão em Mercados Emergentes: Países em desenvolvimento registaram maior adoção de tecnologias cardíacas, impulsionando o crescimento global.
  4. Desafios Logísticos e de Cadeia de Abastecimento: A pandemia trouxe atrasos e escassez de componentes essenciais, dificultando a produção e distribuição.
  5. Custos e Acessibilidade: Apesar do crescimento, os custos elevados continuam a limitar a adoção em alguns mercados, especialmente em regiões com sistemas de saúde menos desenvolvidos.

Para além disto, as questões regulatórias, como aprovações de novos dispositivos e atualizações de normas, também desempenharam um papel na dinâmica do mercado, exigindo maior atenção por parte dos fabricantes.

Previsões de Mercado para os Próximos Anos e Perspetivas para Portugal

Com base nas tendências observadas e nos dados disponíveis até 2021, prevê-se que o mercado de marcapassos continue a crescer a uma CAGR de aproximadamente 5% até 2025. Este crescimento será sustentado por fatores demográficos, avanços tecnológicos, e uma maior integração de soluções digitais na gestão de doenças cardíacas.

Para Portugal, as perspetivas são de uma evolução positiva, com potencial para aumentar a taxa de implantação de dispositivos devido às melhorias nos procedimentos médicos, maior sensibilização, e política de incentivos à inovação. Além disso, o país deverá beneficiar da crescente adoção de telemonitorização, que melhora a qualidade de vida dos utentes e otimiza recursos no sistema de saúde.

De futuro, espera-se uma maior diversificação de produtos, incluindo marcapassos recarregáveis, dispositivos com capacidades de inteligência artificial, e soluções compatíveis com sistemas de saúde digitalizados. A colaboração entre entidades públicas e privadas será crucial para potenciar estas inovações e garantir a acessibilidade às novas tecnologias.

Considerações Finais: Desafios e Oportunidades no Mercado de Marcapassos

O setor de marcapassos cardíacos em 2021 demonstrou resiliência e adaptabilidade perante um cenário global de incerteza. A pandemia trouxe obstáculos significativos, mas também acelerou a adoção de tecnologias digitais e inovação, que representam oportunidades de crescimento sustentável. Os principais desafios permanecem relacionados com a acessibilidade, custos, e cadeia de abastecimento, fatores que requerem estratégias conjuntas entre fabricantes, reguladores e sistemas de saúde.

Para o futuro, a aposta na inovação tecnológica e na personalização dos dispositivos será determinante para consolidar o crescimento do mercado, enquanto a integração de soluções digitais e telemonitorização fortalecerá a gestão de doenças cardíacas, beneficiando sobretudo os utentes mais vulneráveis.

A análise do mercado de 2021 revela, assim, um setor em transformação, preparado para enfrentar os desafios atuais e explorar as oportunidades emergentes, com um olhar atento às necessidades de uma população envelhecida e cada vez mais conectada.

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Author
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.