Mercado da Moagem a Seco em 2021: Uma Análise Abrangente de Abastecimento, Consumo, Custos, Lucros e Perspectivas para 2024
No contexto da economia agrícola e industrial de Portugal, o mercado da moagem a seco assume um papel fundamental na cadeia de valor do setor cerealífero. Em 2021, marcado por desafios logísticos, flutuações de preços e uma crescente procura por produtos de qualidade, o mercado apresentou dinâmicas complexas que exigem uma análise aprofundada para compreender as tendências atuais e futuras. Este artigo visa analisar os principais fatores que influenciaram o abastecimento, o consumo, os custos e os lucros do setor, bem como estabelecer previsões fundamentadas para 2024, utilizando dados e indicadores do período.
Contexto e Enquadramento do Mercado de Moagem a Seco em 2021
O ano de 2021 foi marcado por uma recuperação progressiva da atividade económica após os efeitos mais severos da pandemia de COVID-19, embora ainda se tenham mantido desafios logísticos e de mercado. O setor da moagem a seco, responsável por transformar cereais em farinha, farelo e outros derivados, registou um aumento na procura interna e exportações, impulsionado por uma maior procura de produtos alimentares de base e por uma tendência de valorização de produtos nacionais. Além disso, a pandemia evidenciou a dependência de importações de cereais e matérias-primas, colocando o setor em alerta para a necessidade de maior autonomia e resiliência.
Abastecimento de Cereais: Fontes, Quantidades e Riscos
O abastecimento de cereais para moagem a seco em 2021 foi fortemente influenciado pelas condições climáticas adversas em regiões produtoras de cereais na Europa, nomeadamente na Ucrânia, Rússia e França. Portugal, que depende em grande medida de importações, enfrentou desafios logísticos decorrentes de interrupções na cadeia de abastecimento global. Apesar disso, o país conseguiu assegurar uma quantidade suficiente de trigo e milho, essencial para manter a produção de farinha em níveis sustentáveis.
Segundo dados do Ministério da Agricultura, Portugal importou cerca de 1,2 milhões de toneladas de cereais em 2021, sendo que a maior parte veio de França (40%), Ucrânia (25%) e Rússia (20%). As restantes importações provinham de países como Espanha, Roménia e Hungria. A seguir, apresentam-se algumas das principais fontes de abastecimento em 2021:
- França: 480 mil toneladas
- Ucrânia: 300 mil toneladas
- Rússia: 240 mil toneladas
- Espanha: 80 mil toneladas
- Outros países: 100 mil toneladas
Além das questões de origem, o setor enfrentou riscos relacionados com a volatilidade dos preços internacionais, a subida de taxas aduaneiras e as restrições logísticas, que agravaram a escassez de matérias-primas em determinados períodos.
Dinâmica do Consumo e Perfil do Mercado Doméstico
O consumo de produtos derivados da moagem a seco em Portugal registou um crescimento de aproximadamente 4% em 2021, em comparação com o ano anterior, atingindo cerca de 1,5 milhões de toneladas. Este aumento foi impulsionado por uma maior procura de produtos de panificação, pastelaria e alimentos processados, assim como pela tendência de consumo de produtos mais saudáveis e com valor nutricional elevado.
O perfil do consumidor português revelou-se mais atento à qualidade e origem dos produtos, com uma preferência crescente por farinha integral, biológica ou com certificações específicas. Além disso, a expansão do setor de alimentos congelados e de conveniência contribuiu para a manutenção de uma procura constante ao longo do ano.
De destacar ainda a importância do setor de catering e da restauração, que, embora afetado por restrições devido à pandemia, mostrou sinais de recuperação na segunda metade do ano, contribuindo para o aumento do consumo total.
Análise de Custos e Margens de Lucro do Setor de Moagem a Seco em 2021
O setor da moagem a seco enfrentou em 2021 uma pressão crescente sobre os custos de produção, influenciada por fatores como:
- Valorização dos preços do trigo e milho no mercado internacional, que aumentaram cerca de 15% em relação ao ano anterior;
- Custos logísticos elevados devido às dificuldades de transporte marítimo e rodoviário, que elevaram as despesas em cerca de 10%;
- Custos energéticos, nomeadamente eletricidade e gás, que registaram aumentos de aproximadamente 8% devido às condições de mercado global.
Estas elevações de custos impactaram as margens de lucro das unidades de moagem, obrigando a uma revisão das estratégias de precificação e eficiência operacional. Ainda assim, a maior procura por produtos finais de maior valor acrescentado permitiu às empresas manterem margens operacionais médias entre 8% e 12%, dependendo do segmento de mercado e da dimensão da unidade produtiva.
Para além disso, a implementação de processos mais eficientes e a valorização de produtos diferenciados (como farinhas especiais ou orgânicas) contribuíram para compensar parcialmente o impacto dos custos crescentes.
Previsões para o Mercado de Moagem a Seco em 2024: Tendências e Perspetivas
Com base na análise de mercado de 2021, as tendências de consumo, os fatores de abastecimento e os custos de produção, podem-se delinear algumas perspetivas para o período de 2022 a 2024, considerando que o setor continuará a evoluir num contexto de recuperação económica e de maior preocupação com a sustentabilidade e inovação.
Espera-se que o mercado de moagem a seco em Portugal continue a crescer a uma taxa média anual de 3% a 5%, impulsionado por fatores como:
- Valorização de produtos diferenciados: maior procura por farinhas especiais, biológicas e com certificações de origem.
- Investimento em tecnologia e eficiência: adoção de processos automatizados e energias renováveis para redução de custos.
- Segurança de abastecimento: diversificação de fontes de importação e desenvolvimento de parcerias estratégicas com fornecedores locais.
- Expansão do mercado de exportação: aumento das exportações para países lusófonos e mercados europeus, aproveitando a competitividade do setor nacional.
No entanto, persiste a preocupação com a volatilidade dos preços internacionais de cereais e com as alterações climáticas que podem afetar as próximas campanhas de produção agrícola. Assim, as empresas deverão apostar na inovação, na sustentabilidade e na gestão de risco para garantir a sua competitividade.
Por outro lado, a crescente preocupação ambiental e a procura por produtos mais sustentáveis deverão impulsionar a adoção de práticas agrícolas mais responsáveis, assim como a implementação de processos de produção mais eficientes em termos energéticos.
Em suma, o setor da moagem a seco em Portugal apresenta um cenário de oportunidades, mas também de desafios, que terão de ser enfrentados com estratégia, inovação e resiliência para alcançar um crescimento sustentado até 2024 e além.


