Perspectiva do Mercado Global de Biocombustíveis em 2024: Uma Análise Detalhada por Uso Final, Tipo de Empresa e Região

Em 2024, o mercado global de biocombustíveis encontra-se numa fase de intensa transformação, impulsionada por fatores como a crescente necessidade de fontes de energia mais sustentáveis, as políticas ambientais rigorosas e o compromisso de países e empresas com a redução das emissões de gases com efeito de estufa. Analisando os dados de 2021 e as tendências emergentes até 2024, é possível identificar os principais vetores de crescimento, as regiões mais dinâmicas, os tipos de biocombustíveis de maior destaque e o perfil das empresas que lideram o setor. Esta análise visa oferecer uma visão abrangente sobre o estado atual e as perspetivas futuras do mercado global de biocombustíveis, fundamental para investidores, reguladores e atores industriais que pretendem orientar estratégias de atuação neste setor.

Contexto e Dinâmica do Mercado de Biocombustíveis em 2021

Em 2021, o mercado global de biocombustíveis apresentou um crescimento robusto, avaliado em aproximadamente 120 mil milhões de dólares, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de cerca de 7%. Este crescimento foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo a implementação de políticas de incentivo à energia renovável, a crescente pressão para a redução das emissões de carbono e o aumento da capacidade produtiva em regiões-chave, como a União Europeia, os Estados Unidos, Brasil e Indonésia.

Os biocombustíveis foram divididos em várias categorias, com destaque para os etanol, biodiesel, biogás e biocombustíveis de segunda geração. O uso final predominante foi o setor de transporte, representando cerca de 70% da quota de mercado, seguido pelo setor de aviação, com crescimento acelerado devido às metas de descarbonização do setor aeronáutico. Quanto às empresas, destacaram-se multinacionais como a Archer Daniels Midland, a BP e a Shell, bem como empresas de perfil mais local, sobretudo na América do Sul e Ásia.

Segmentação por Uso Final: Transporte, Aviação e Indústria

O uso final dos biocombustíveis demonstra uma diversificação crescente, refletindo a adaptação do setor às exigências de sustentabilidade e às metas globais de descarbonização. Em 2021, o setor de transporte liderava o consumo, com cerca de 70% da quota de mercado, abrangendo veículos leves, pesados e transporte marítimo.

No entanto, a aviação emergiu como um segmento de destaque, com uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 10%, impulsionada pelo desenvolvimento de biocombustíveis de segunda geração e por compromissos de companhias aéreas de reduzir as suas pegadas de carbono.

O setor industrial, incluindo a produção de calor e energia, também incrementou o uso de biocombustíveis, especialmente na Europa, onde as políticas de transição energética incentivam a utilização de biocombustíveis avançados para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Dados sobre uso final em 2021:

  • Transporte: 70%
  • Aviação: 15%
  • Indústria e energia: 15%

Este panorama revela uma tendência clara de diversificação, com um potencial de crescimento significativo nos setores de aviação e indústria, que representam oportunidades estratégicas para os próximos anos.

Tipologia de Biocombustíveis: De Primeira, Segunda e Terceira Geração

O mercado de biocombustíveis é caracterizado por uma evolução tecnológica que reflete a transição de biocombustíveis de primeira geração, produzidos a partir de culturas alimentares, para biocombustíveis de segunda e terceira geração, derivados de matérias-primas não alimentares, resíduos ou algas.

Em 2021, os biocombustíveis de primeira geração ainda dominavam o mercado, representando aproximadamente 60% do total, devido ao seu custo de produção relativamente baixo e à infraestrutura já consolidada. Contudo, a crescente preocupação com a sustentabilidade e a segurança alimentar está a impulsionar a adoção de biocombustíveis avançados.

Os biocombustíveis de segunda geração, produzidos a partir de resíduos agrícolas, florestais e culturas não alimentares, estão a ganhar terreno, especialmente na União Europeia e na América do Norte, onde as políticas de incentivo e os investimentos em inovação tecnológica estão em destaque.

Já os biocombustíveis de terceira geração, derivados de algas e outros organismos marinhos, apresentam um potencial de crescimento elevado, embora ainda estejam numa fase experimental e de elevado custo de produção.

Distribuição por tipo em 2021:

  1. Primeira geração: 60%
  2. Segunda geração: 30%
  3. Terceira geração: 10%

A tendência de evolução tecnológica aponta para uma gradual substituição dos biocombustíveis de primeira geração por alternativas mais sustentáveis e eficientes, o que deverá refletir-se no perfil do mercado até 2024.

Regionalidade e Dinâmicas de Mercado

A análise regional revela diferenças marcantes no desenvolvimento e na adoção de biocombustíveis, influenciadas por políticas públicas, disponibilidade de matérias-primas e capacidades tecnológicas. Em 2021, as regiões que mais se destacaram foram:

  • União Europeia: Liderança na adoção de biocombustíveis avançados e integração de políticas de sustentabilidade, com uma quota de mercado de aproximadamente 35% do total global.
  • América do Norte: Forte crescimento impulsionado por políticas de incentivos nos Estados Unidos, com uma produção significativa de etanol e biodiesel.
  • Brasil: Um dos principais produtores mundiais de etanol de cana-de-açúcar, com uma forte presença de empresas nacionais e uma cadeia de valor bem consolidada.
  • Ásia: Crescimento acelerado, especialmente na Indonésia e na Índia, impulsionado por políticas de substituição de combustíveis fósseis e expansão de capacidade produtiva.

Por outro lado, regiões como África e América Central apresentam oportunidades de crescimento, embora enfrentem desafios relacionados com infraestruturas e acesso a tecnologias de ponta.

Projeções regionais para 2024:

  • Europa: Crescimento de cerca de 8% ao ano, com foco em biocombustíveis avançados e incorporação de regulamentações mais rigorosas.
  • América do Norte: Aumento de 6% ao ano, com expansão de instalações de produção e inovação tecnológica.
  • Ásia: Crescimento acelerado de 10% ao ano, impulsionado por políticas governamentais e investimentos estrangeiros.

Estes dados demonstram que a região da Ásia deverá registar o crescimento mais expressivo, posicionando-se como uma das principais regiões de desenvolvimento do setor.

Empresas e Negócios no Mercado de Biocombustíveis: Perfil e Estratégias

O mercado de biocombustíveis em 2021 era caracterizado por uma combinação de grandes multinacionais, empresas de perfil regional e start-ups tecnológicas. As multinacionais, como a Shell, a BP, e a TotalEnergies, procuraram integrar os biocombustíveis às suas estratégias de transição energética, investindo em projetos de produção, inovação tecnológica e parcerias estratégicas.

Empresas de perfil regional, sobretudo na América do Sul, Brasil, Indonésia e África do Sul, continuam a desempenhar um papel fundamental na produção de biocombustíveis de primeira geração, aproveitando matérias-primas locais e oferecendo soluções de baixo custo.

Start-ups e empresas de tecnologia emergente focam-se na inovação de processos, biocombustíveis de segunda e terceira geração, e na integração de tecnologias digitais para otimizar a produção e distribuição.

Principais estratégias adotadas pelas empresas:

  • Investimento em inovação tecnológica: Para o desenvolvimento de biocombustíveis de segunda e terceira geração.
  • Parcerias internacionais: Para acesso a matérias-primas, tecnologia e mercados emergentes.
  • Incorporação de políticas de sustentabilidade: Para cumprir regulamentações e atender às expectativas do mercado de energia limpa.
  • Expansão de capacidade produtiva: Em regiões estratégicas com matérias-primas abundantes.

O perfil empresarial do setor evidencia uma tendência de concentração, com fusões e aquisições estratégicas, visando ampliar a capacidade de produção e consolidar posições no mercado global.

Perspetivas de Crescimento e Desafios para 2024

Com base nos dados de 2021 e nas tendências de mercado até 2024, o setor de biocombustíveis apresenta uma perspetiva de crescimento contínuo, estimado em uma CAGR de cerca de 6% a 8%. O aumento da procura por energias renováveis, aliado a políticas públicas mais ambiciosas e à inovação tecnológica, deverá impulsionar o setor, especialmente na Europa, Ásia e América do Norte.

No entanto, o setor enfrenta desafios relevantes, nomeadamente:

  • Custo de produção: Particularmente dos biocombustíveis de segunda e terceira geração, que ainda apresentam custos elevados.
  • Disponibilidade de matérias-primas: Necessidade de garantir matérias-primas sustentáveis e de baixo impacto ambiental.
  • Regulamentação e políticas governamentais: Variabilidade nas políticas públicas e incentivos, que podem afetar investimentos.
  • Inovação tecnológica: Necessidade de continuar a investir em pesquisa para tornar os biocombustíveis mais eficientes e economicamente viáveis.

Por outro lado, o aumento de investimentos em inovação e a crescente aceitação por parte do setor privado e público deverão criar condições favoráveis para o crescimento sustentável do setor até 2024.

Considerações Finais

O mercado global de biocombustíveis em 2024 apresenta-se numa fase de expansão significativa, impulsionada por fatores ambientais, económicos e tecnológicos. A diversificação por uso final, a evolução tecnológica e a regionalização do mercado configuram um cenário dinâmico, onde as oportunidades de crescimento convivem com desafios estruturais e regulatórios.

As empresas que investirem em inovação, sustentabilidade e parcerias estratégicas estarão melhor posicionadas para capitalizar as oportunidades emergentes, contribuindo para a transição energética global e para a redução da pegada de carbono do setor de energia.

O futuro do mercado de biocombustíveis dependerá, sobretudo, da capacidade de equilibrar inovação tecnológica, sustentabilidade e viabilidade económica, numa lógica de crescimento sustentável e de responsabilidade ambiental.

A
Autor
Ana Luísa Ferreira
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.