Mercado de Fertilizantes em 2020: Uma Análise Profunda por Fabricantes, Dinâmicas, Tipos, Tamanhos e Aplicações com Previsões até 2025

No ano de 2020, o mercado global de fertilizantes enfrentou desafios sem precedentes, impulsionados por uma combinação de fatores económicos, ambientais e sanitários. Este período revelou-se crucial para analisar as tendências de produção, consumo e inovação neste setor, especialmente em face das restrições impostas pela pandemia de COVID-19. Este artigo visa realizar uma análise detalhada do mercado de fertilizantes em 2020, focando nos principais fabricantes, dinâmicas de mercado, tipos de fertilizantes, tamanhos de mercado, aplicações predominantes e as previsões para o período até 2025, utilizando dados de fontes credíveis e estudos de mercado atualizados.

1. Contexto global do mercado de fertilizantes em 2020

O mercado de fertilizantes em 2020 foi marcado por uma forte volatilidade, afetada por fatores económicos globais e por mudanças nas políticas de sustentabilidade. A pandemia de COVID-19 provocou uma redução na produção agrícola em várias regiões, ao mesmo tempo que alterou as cadeias de abastecimento e afetou a procura por fertilizantes. Além disso, o aumento da consciência ambiental levou à procura por fertilizantes mais eficientes e sustentáveis, influenciando a inovação no setor.

Segundo dados da FertiWorld, o valor de mercado global de fertilizantes atingiu aproximadamente 150 mil milhões de dólares em 2020, refletindo uma ligeira redução face ao ano anterior, devido às interrupções na cadeia de fornecimento e à diminuição da atividade agrícola em alguns países. Ainda assim, a demanda por fertilizantes de alta performance manteve-se, impulsionada por necessidades de aumento de produtividade agrícola para garantir a segurança alimentar mundial.

2. Principais fabricantes e participação de mercado em 2020

O setor de fertilizantes é dominado por um conjunto de grandes fabricantes multinacionais que, em 2020, continuaram a liderar o mercado global. Entre os principais, destacam-se:

  • Yara International: líder mundial no segmento de fertilizantes nitrogenados, com uma quota de mercado estimada em 15%, devido à sua forte presença na Europa, América do Norte e Ásia.
  • CF Industries: uma das maiores produtoras de amónia e ureia, com operações nos Estados Unidos, respondendo por cerca de 12% do mercado global.
  • Mitsui Chemicals: importante na produção de fertilizantes fosfatados na Ásia, especialmente no Japão e na China, com uma quota de aproximadamente 8%.
  • Yunnan Baiyao: destaque no mercado asiático, com forte presença no segmento de fertilizantes complexos e de libertação controlada.
  • PotashCorp (agora Nutrien): maior produtora de potássio no mundo, com uma participação de mercado de cerca de 10%.

Estes fabricantes continuaram a investir em inovação, sustentabilidade e expansão de capacidade em 2020, apesar das dificuldades económicas, visando consolidar posições e responder às tendências de mercado.

3. Dinâmicas de mercado: tendências e fatores influenciadores em 2020

O mercado de fertilizantes em 2020 foi influenciado por várias dinâmicas que moldaram as estratégias de produção, distribuição e inovação. Entre os principais fatores, destacam-se:

  1. Aumento da procura por fertilizantes sustentáveis: consumidores e reguladores pressionaram por produtos que minimizam os impactos ambientais, levando ao desenvolvimento de fertilizantes de libertação controlada e de origem orgânica.
  2. Impacto da pandemia na cadeia de abastecimento: interrupções logísticas, aumento de custos de transporte e escassez de matérias-primas, como gás natural para a produção de amónia, afetaram a disponibilidade e os preços.
  3. Volatilidade dos preços das matérias-primas: o gás natural, principal input na produção de amónia, registou oscilações significativas, influenciando os custos de produção.
  4. Políticas ambientais e regulatórias: restrições mais severas às emissões de gases com efeito de estufa impulsionaram a inovação na produção de fertilizantes mais eficientes e menos poluentes.
  5. Inovação tecnológica: avanços em fertilizantes de libertação controlada, biofertilizantes e fertilizantes de origem renovável potenciaram o desenvolvimento do setor.

Estas dinâmicas refletiram-se numa maior concentração de mercado, com fusões e aquisições estratégicas entre fabricantes, e numa crescente aposta na inovação tecnológica para manter a competitividade.

4. Categorias de fertilizantes: tipos, tamanhos e aplicações em 2020

O mercado de fertilizantes em 2020 apresentou uma diversidade de categorias, cada uma adaptada às necessidades específicas da agricultura moderna. As principais categorias incluem:

  • Fertilizantes nitrogenados: representam cerca de 55% do mercado global, incluindo ureia, amónia e nitrato de amónio, utilizados principalmente em culturas de cereais, milho e soja.
  • Fertilizantes fosfatados: com uma quota de aproximadamente 25%, essenciais para culturas de raiz e frutos, como batata, tomate e citrinos.
  • Fertilizantes de potássio: respondem por cerca de 15%, importantes para a resistência das plantas e para o aumento da qualidade dos frutos.
  • Fertilizantes complexos e mistos: combinam vários nutrientes, utilizados em culturas diversificadas e em regimes de fertilização específicos.
  • Biofertilizantes e fertilizantes de origem renovável: emergiram como uma tendência crescente, representando cerca de 5% do mercado, devido à procura por soluções mais sustentáveis.

Quanto aos tamanhos de mercado, a maioria dos fertilizantes vendidos em 2020 destinou-se a grandes explorações agrícolas, com quantidades superiores a 1.000 hectares, embora as pequenas e médias explorações também tenham aumentado a sua participação, impulsionadas por políticas de intensificação agrícola e inovação tecnológica.

As aplicações mais relevantes envolveram culturas de cereais (trigo, milho, arroz), oleaginosas, culturas hortícolas e frutícolas, com uma tendência crescente para a utilização de fertilizantes de libertação controlada, que aumentam a eficiência e reduzem perdas ambientais.

5. Previsões de mercado para 2025: tendências, oportunidades e desafios

Projeções até 2025 indicam que o mercado de fertilizantes deverá continuar a crescer, com uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de aproximadamente 3,5%, atingindo valores superiores a 180 mil milhões de dólares. As principais tendências que conduzirão esta evolução incluem:

  1. Transformação digital e agricultura de precisão: o uso de tecnologias de monitorização, análise de dados e automação permitirá uma aplicação mais eficiente de fertilizantes, reduzindo custos e impactos ambientais.
  2. Inovação em fertilizantes sustentáveis: aumento da oferta de biofertilizantes, fertilizantes de libertação avançada e soluções de origem renovável, alinhadas às exigências ambientais.
  3. Adoção de regulamentações mais rigorosas: políticas ambientais mais restritivas impulsionarão a inovação e a adoção de fertilizantes mais eficientes e menos poluentes.
  4. Expansão em mercados emergentes: crescimento da agricultura na Ásia, África e América Latina representará oportunidades de expansão para fabricantes globais.
  5. Desafios económicos e ambientais: volatilidade dos preços das matérias-primas, questões de sustentabilidade e a necessidade de reduzir as pegadas de carbono continuarão a ser obstáculos a superar.

Estima-se que, até 2025, o mercado de fertilizantes de base nitrogenada continuará a dominar, embora o crescimento dos fertilizantes de libertação controlada e biofertilizantes seja especialmente promissor.

Para os fabricantes, a inovação, a sustentabilidade e a digitalização serão os principais fatores de diferenciação e sucesso neste setor em rápida evolução.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.