A evolução do mercado de gases nobres: uma análise do fluxo ascendente e descendente entre 2020 e 2024

Desde o início da década de 2020, o mercado global de gases nobres tem vindo a experimentar uma transformação significativa, marcada por dinâmicas de fluxo ascendente e descendente que refletem as mudanças tecnológicas, económicas e ambientais. Quem analisa o setor neste período, de 2020 a 2024, encontra um cenário composto por desafios e oportunidades, impulsionado sobretudo pelo crescimento da indústria de tecnologia, a necessidade de soluções sustentáveis e as tensões na cadeia de abastecimento. Este artigo visa realizar uma análise detalhada da evolução deste mercado, utilizando dados de mercado, tendências globais e perspectivas futuras, de modo a compreender os fatores que moldaram o mercado de gases nobres, nomeadamente o argón, o hélio, o neón, o criptón e o xenón.

Analise da Industria de Fluxo Ascendente e Descendente do Mercado Gases Nobres 2020 2024 — industria
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Contexto global e impacto da pandemia de COVID-19 no mercado de gases nobres em 2020

O ano de 2020 marcou um ponto de inflexão para múltiplos setores económicos, incluindo o mercado de gases nobres. A pandemia de COVID-19, que se espalhou globalmente, provocou uma crise de saúde pública e uma recessão económica sem precedentes, impactando fortemente a cadeia de abastecimento e a procura de gases nobres. Por um lado, a redução da atividade industrial, da construção civil e do setor automóvel levou a uma diminuição na procura de gases como o argón e o neón. Por outro lado, a emergência de soluções de saúde, como a produção de oxigénio medicinal, impulsionou a procura de outros gases, sobretudo o hélio, utilizado em equipamentos de ventilação e monitorização. Assim, o fluxo ascendente do mercado de gases nobres, que tradicionalmente decorre do aumento da procura industrial, foi parcialmente interrompido, enquanto o fluxo descendente, associado à redução da produção industrial, ganhou força.

Dados da indústria indicam que, em 2020, a produção global de gases nobres sofreu uma queda média de 8%, com particular impacto no segmento do neón e do argón. No entanto, a crescente necessidade de gases para aplicações médicas e tecnológicas revelou uma resiliência, ajudando a estabilizar parcialmente o mercado. A nível regional, a Ásia e a América do Norte mostraram-se mais influenciadas pelo impacto da pandemia, enquanto a Europa, apesar de também afetada, conseguiu manter uma certa estabilidade devido ao seu forte investimento em setores de alta tecnologia e saúde.

Dinâmicas de fluxo ascendente: crescimento impulsionado pela tecnologia e inovação

Durante o período entre 2020 e 2024, o fluxo ascendente no mercado de gases nobres tem sido impulsionado por uma série de fatores tecnológicos e de inovação. O crescimento das indústrias de eletrónica, semicondutores, iluminação LED e telecomunicações tem sido determinante na procura crescente por gases como o neón, o criptón e o xenón. Por exemplo, o mercado de iluminação LED, que utiliza o neón em sinais luminosos e displays, registou um aumento de cerca de 12% ao ano, contribuindo para um crescimento do fluxo ascendente.

Além disso, a crescente adoção de tecnologias de energia renovável, incluindo painéis solares e sistemas de armazenamento de energia, tem incrementado a procura por gases nobres em processos de fabricação e manutenção. O xenón, por exemplo, tem sido utilizado em lâmpadas de alta intensidade e em aplicações médicas, devido às suas propriedades de iluminação e anestesia.

Outro fator importante é a expansão do mercado de saúde, que se traduziu na maior procura de hélio para equipamentos de ressonância magnética e outros dispositivos médicos. Este crescimento tem vindo a estimular a produção e a importação destes gases, contribuindo para uma trajetória ascendente sustentada, sobretudo na Ásia e na América do Norte.

  • Investimento em tecnologia de semicondutores: aumento de 15% na procura de argón para processos de corte e soldadura
  • Expansão do setor de iluminação LED: crescimento anual de 12% na procura de neón
  • Aplicações médicas: crescimento de 8% na procura de hélio para ressonância magnética
  • Indústria de energia renovável: aumento de 10% na utilização de gases nobres em processos de fabricação de painéis solares

Fluxo descendente e os desafios económicos e ambientais

Se por um lado o fluxo ascendente tem sido impulsionado pela inovação, por outro, o fluxo descendente revela os desafios económicos, ambientais e de sustentabilidade que o setor enfrenta. A redução de atividades industriais durante a pandemia, combinada com questões ambientais relacionadas com a extração e o uso de gases nobres, tem contribuído para uma diminuição da produção e do consumo em certos segmentos.

Um dos principais desafios ambientais prende-se com a sustentabilidade da extração de gases como o argón, que é obtido como subproduto do ar liquefeito do ar. A crescente preocupação com a pegada ecológica e a necessidade de reduzir as emissões de gases com efeito de estufa têm levado a uma maior pressão sobre as indústrias de extração e produção. Além disso, a escassez de recursos naturais, especialmente no caso do hélio, que é considerado um recurso não-renovável, agravou a situação, levando a uma maior volatilidade nos preços e a uma maior procura por alternativas ou reciclagem.

De acordo com dados de mercado, a quota de gases nobres reciclados aumentou cerca de 20% em 2022, refletindo uma estratégia de sustentabilidade adotada por várias empresas. Contudo, a dependência de fontes externas e a necessidade de garantir uma cadeia de abastecimento segura continuam a representar obstáculos significativos para o crescimento sustentado do setor.

Além disso, fatores políticos e geopolíticos, como restrições à exportação de recursos ou dificuldades logísticas, têm impacto direto na acessibilidade dos gases nobres, agravando os desafios do fluxo descendente.

Perspetivas futuras: tendências e oportunidades no mercado de gases nobres até 2024

Para o período até 2024, as perspetivas do mercado de gases nobres apontam para uma continuidade de crescimento, impulsionado pelas mesmas forças de inovação e sustentabilidade. A crescente digitalização da economia global, a expansão do setor de energias renováveis e a evolução da tecnologia médica são fatores que deverão continuar a promover o fluxo ascendente.

Por outro lado, a crise de recursos, a necessidade de reciclagem e as políticas ambientais mais restritivas vão reforçar a importância de soluções sustentáveis, como a recuperação e reciclagem de gases, bem como a inovação em alternativas tecnológicas.

Espera-se que o mercado de gases nobres atinja uma taxa de crescimento anual composta de aproximadamente 6% até 2024, com destaque para o aumento do consumo de xenón e hélio, sobretudo na área médica e de iluminação de alta tecnologia.

Além disso, a crescente preocupação com a segurança de abastecimento e a diversificação de fontes de produção deverão ser prioridades estratégicas, incentivando investimentos em novas unidades de extração, centros de reciclagem e tecnologias de captura de gases.

  1. Expansão da produção de gases nobres em países com recursos abundantes, como a Austrália e a Argélia
  2. Investimento em tecnologias de captura e reciclagem para reduzir a dependência de recursos naturais
  3. Desenvolvimento de novas aplicações em inteligência artificial, medição e automação industrial
  4. Políticas de incentivo à sustentabilidade e redução da pegada ecológica

Conclusão: uma indústria em transformação, entre inovação e sustentabilidade

O mercado de gases nobres, entre 2020 e 2024, apresenta-se como uma indústria em fase de transformação, marcada por fluxos ascendentes impulsionados pela inovação tecnológica e fluxos descendentes provocados por desafios económicos, ambientais e geopolíticos. A resiliência do setor, em face das adversidades, revela uma capacidade de adaptação que deve continuar a ser testada nos próximos anos.

Utilizando dados de mercado e tendências globais, fica claro que a sustentabilidade, a diversificação de fontes e a inovação tecnológica serão os principais motores de crescimento sustentável. A capacidade de equilibrar o fluxo ascendente de inovação com a gestão dos desafios ambientais e de abastecimento determinará o sucesso do setor na próxima década, tornando-o vital para o desenvolvimento de múltiplas indústrias estratégicas em Portugal e no mundo.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.