Análise da Estrutura do Mercado de Queijo em pó: Desde 2020 até 2024

Em 2020, o mercado global de queijo em pó revelou-se uma das áreas mais dinâmicas dentro da indústria láctea, impulsionado por mudanças nos padrões de consumo, avanços tecnológicos na produção e uma crescente procura por ingredientes convenientes e de longa duração. Portugal, como parte integrante deste cenário, assistiu a uma evolução significativa na sua cadeia de produção e distribuição, refletindo tendências globais e desafios específicos do contexto europeu. Este artigo visa analisar de forma aprofundada a estrutura da cadeia do queijo em pó na indústria, desde a sua produção até ao consumo final, considerando o período de 2020 a 2024, com foco na evolução, desafios e oportunidades atuais.

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Estrutura da Cadeia de Valor do Queijo em Pó

A cadeia de valor do queijo em pó caracteriza-se por várias etapas específicas e interligadas, que vão desde a produção de matérias-primas até à distribuição e venda ao consumidor final. A compreensão desta estrutura é fundamental para analisar o seu desenvolvimento entre 2020 e 2024.

  • Produção de leite e matérias-primas: A base da cadeia, onde a qualidade e a quantidade de leite influenciam diretamente a produção de queijo em pó. Portugal possui uma forte tradição na produção de leite de alta qualidade, especialmente nas regiões do Norte e do Centro.
  • Transformação e fabrico de queijo: Envolve processos de pasteurização, coagulação, maturação e secagem, com destaque para tecnologias de atomização que garantem a obtenção de queijo em pó com características específicas.
  • Embalagem e conservação: Uma etapa crítica, onde a tecnologia de embalamento garante a preservação do produto, facilitando o transporte e armazenamento, além de responder às exigências de sustentabilidade.
  • Distribuição e logística: O transporte eficiente, aliado a redes de distribuição modernas, permite que o queijo em pó chegue a mercados globais, com foco na Europa, Ásia e América do Norte.
  • Vendas e consumo final: A penetração em diferentes segmentos, como indústria alimentícia, restaurantes, e consumidores finais, é impulsionada por estratégias de marketing e inovação de produto.

Esta estrutura de cadeia, ao longo de 2020 a 2024, tem sido marcada por melhorias tecnológicas e adaptações às novas exigências do mercado, contribuindo para um crescimento sustentável e uma maior competitividade internacional.

Evolução da Produção de Queijo em Pó em Portugal (2020-2024)

Portugal tem vindo a consolidar a sua posição na produção de queijo em pó, com incrementos constantes na capacidade instalada e na eficiência dos processos produtivos. Em 2020, a produção nacional representava aproximadamente 15% do total europeu, com uma tendência de crescimento impulsionada por fatores internos e externos.

Entre 2020 e 2024, destaca-se:

  1. Aumento na capacidade de produção: Novas unidades industriais foram instaladas, sobretudo na região Norte, aumentando a capacidade instalada em cerca de 20%.
  2. Investimentos em tecnologia: A adoção de técnicas de atomização de última geração, que melhoram a qualidade do produto e reduzem custos energéticos, foi uma prioridade crescente.
  3. Padronização e certificação: A certificação de qualidade e sustentabilidade permitiu o acesso a mercados mais exigentes, reforçando a competitividade portuguesa na indústria do queijo em pó.
  4. Impacto da pandemia de COVID-19: Apesar dos desafios logísticos e de mercado, a indústria adaptou-se rapidamente, consolidando o aumento da procura por produtos de conveniência, incluindo o queijo em pó.

Dados concretos indicam que, em 2023, a produção nacional atingiu aproximadamente 25.000 toneladas anuais, com uma previsão de crescimento contínuo até 2024, sustentado por uma maior procura internacional e inovação na linha de produtos.

Dinâmicas de Mercado e Factores de Crescimento

O mercado do queijo em pó é influenciado por diversos fatores que impulsionaram o seu crescimento entre 2020 e 2024. Destacam-se as seguintes dinâmicas:

  • Surgimento de novos segmentos de mercado: A crescente procura por ingredientes para a indústria de alimentos processados, snacks, e produtos de alimentação rápida, aumentou a procura por queijo em pó de alta qualidade.
  • Inovação e diversificação de produtos: Novas formulações, incluindo versões com baixo teor de gordura, sem lactose ou enriquecidas com nutrientes, responderam às exigências de consumidores mais conscientes.
  • Globalização e acesso a novos mercados: Portugal aproveitou acordos comerciais e a sua localização geográfica para ampliar a presença em mercados asiáticos e africanos, onde a procura por produtos lácteos em pó tem crescido.
  • Regulamentação e sustentabilidade: A implementação de normas europeias mais rigorosas, aliada ao investimento em práticas sustentáveis na produção, reforçou a imagem do produto e abriu oportunidades de exportação.

Segundo dados do Eurostat, a exportação de queijo em pó europeu cresceu cerca de 12% entre 2020 e 2023, com Portugal a consolidar uma quota significativa neste incremento.

Desafios na Cadeia de Produção e Distribuição

Apesar do crescimento, a indústria do queijo em pó enfrenta diversos desafios que podem condicionar o seu desenvolvimento até 2024. Entre eles, destacam-se:

  1. Volatilidade nos preços das matérias-primas: A flutuação do preço do leite e do queijo base tem impacto direto nos custos de produção, exigindo estratégias de gestão de risco.
  2. Custos energéticos e ambientais: A adoção de tecnologias de secagem e atomização consome elevadas quantidades de energia, levantando preocupações ambientais e de sustentabilidade económica.
  3. Concorrência internacional: Países como os Estados Unidos, Nova Zelândia e União Europeia competem fortemente na produção de queijo em pó, dificultando a manutenção de quotas de mercado.
  4. Regulamentações e barreiras comerciais: Tarifas, quotas e normas específicas em mercados de destino podem limitar o crescimento das exportações portuguesas.

Para superar estes obstáculos, a indústria tem vindo a realizar investimentos em inovação tecnológica, melhorias na eficiência energética e na certificação de qualidade, buscando uma vantagem competitiva sustentável.

Perspectivas de Futuro para o Mercado de Queijo em Pó

As projeções para o mercado de queijo em pó até 2024 indicam um cenário de crescimento sustentado, impulsionado por fatores internos de inovação e por tendências globais de consumo. Entre as principais perspetivas, destacam-se:

  • Continuação do crescimento de produção e exportação: A capacidade instalada deverá expandir-se em cerca de 15% até ao final de 2024, com forte aposta na internacionalização.
  • Aumento da variedade de produtos: Novas linhas com atributos funcionais, como queijo em pó enriquecido com proteínas ou ingredientes naturais, deverão ganhar quota de mercado.
  • Inovação tecnológica: A implementação de processos sustentáveis, como a utilização de energias renováveis na secagem, será uma prioridade para alinhar crescimento económico com sustentabilidade ambiental.
  • Reforço do posicionamento no mercado europeu e além: A estratégia de internacionalização continuará a ser fundamental, com foco especial em mercados emergentes na Ásia, África e América Latina.

Contudo, a indústria deverá manter-se vigilante perante os desafios de volatilidade de preços, regulamentação e concorrência, adaptando-se às mudanças de mercado e às exigências de consumidores mais conscientes e exigentes.

Conclusão: Uma Indústria em Processo de Consolidação e Inovação

Entre 2020 e 2024, o mercado do queijo em pó tem demonstrado uma resiliência notável e uma capacidade de adaptação às dinâmicas globais, refletindo-se numa cadeia de valor mais eficiente, inovadora e sustentável. Portugal, ao apostar na modernização do seu parque industrial, na certificação de qualidade e na expansão internacional, posiciona-se como um player relevante neste mercado em crescimento.

Para assegurar o seu desenvolvimento futuro, será crucial que a indústria continue a investir em inovação tecnológica, sustentabilidade e estratégias de mercado que permitam superar os desafios de volatilidade, concorrência internacional e regulamentação. Assim, o queijo em pó português poderá consolidar a sua presença global, respondendo às novas tendências de consumo e às exigências de um mercado cada vez mais competitivo.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.