Em 2024, o mercado global da música gravada encontra-se numa fase de transformação acelerada, impulsionada por fatores tecnológicos, alterações nos hábitos de consumo e estratégias de monetização inovadoras. Este artigo analisa em detalhe o tamanho do mercado, a evolução das ações, receitas, produção e consumo, utilizando dados de referência de 2020, para compreender as tendências atuais e futuras que moldam esta indústria num contexto de crescente digitalização e globalização. A análise abrange os principais actores, as dinâmicas de mercado e as oportunidades emergentes, oferecendo uma visão aprofundada sobre o estado e o potencial de crescimento do sector da música gravada em 2024.
Dimensão de Mercado em 2024: Tamanho e Crescimento
De acordo com os dados mais recentes, o mercado global da música gravada atingiu um valor estimado de aproximadamente 28 mil milhões de euros em 2024, representando um crescimento de cerca de 15% comparativamente a 2020. Este aumento é consequência de uma combinação de factores, incluindo a expansão do streaming, o aumento de receitas provenientes de direitos digitais e a diversificação dos formatos de consumo musical.
Especificamente, o segmento de streaming continua a dominar, respondendo por cerca de 83% da receita total do mercado, enquanto as vendas físicas de música representam apenas 5%, e as vendas digitais de downloads cerca de 12%. Este cenário evidencia uma forte transição para modelos digitais, com o streaming a consolidar-se como principal fonte de receita e de consumo para os utilizadores.
Para compreender o crescimento, importa fazer uma análise comparativa com 2020, ano de referência inicial, em que o mercado movimentava aproximadamente 24 mil milhões de euros. Assim, verifica-se uma taxa de crescimento composta anual de aproximadamente 4,2%, sustentada sobretudo pelo aumento de assinantes de plataformas de streaming em todo o mundo.
Estratégias de Acção das Grandes Gravadoras e Plataformas Digitais
As grandes gravadoras, como Universal Music Group, Sony Music e Warner Music, continuam a desempenhar um papel decisivo na definição das estratégias de mercado, ao mesmo tempo que as plataformas de streaming, incluindo Spotify, Apple Music e Amazon Music, consolidam a sua posição de liderança. Estas entidades têm investido na expansão de catálogos, na diversificação de ofertas e na implementação de planos de subscrição diferenciados para atender a diferentes segmentos de consumidores.
Adicionalmente, a aquisição de startups tecnológicas e o desenvolvimento de inteligência artificial para melhorar recomendações personalizadas têm sido estratégias centrais para aumentar a fidelização e o tempo de permanência nas plataformas. É importante destacar o crescimento de modelos de assinatura freemium, que equilibram o acesso gratuito com funcionalidades premium pagas, contribuindo para o aumento de receita global.
Segundo dados de 2024, as receitas provenientes de assinaturas representam cerca de 70% do total de receitas digitais, enquanto os lucros provenientes de publicidade, veiculada em plataformas gratuitas, representam aproximadamente 15%, e as vendas de conteúdos físicos e digitais de forma tradicional, cerca de 15%.
Produção e Distribuição: Novos Modelos e Desafios
A produção de música gravada em 2024 caracteriza-se por uma maior descentralização, com artistas independentes a ganhar maior visibilidade graças às plataformas digitais. Este fenómeno tem provocado uma mudança na dinâmica tradicional, onde anteriormente a produção era dominada pelas grandes gravadoras.
O uso de tecnologias de gravação acessíveis, o aumento de estúdios domésticos e a facilidade de distribuição digital permitem aos artistas independentes alcançar audiências globais sem necessidade de intermediários convencionais. Como resultado, a produção de música independente cresceu aproximadamente 25% desde 2020, representando atualmente cerca de 35% do total de lançamentos anuais.
Por outro lado, a distribuição digital, apoiada por plataformas de streaming e lojas online, enfrenta desafios relacionados com a gestão de direitos, remuneração justa para os artistas e a proteção contra pirataria digital. A implementação de sistemas de blockchain e contratos inteligentes surge como uma solução potencial para garantir maior transparência e equidade na distribuição de receitas.
Consumo: Novos Hábitos e Segmentos de Mercado
O consumo de música gravada em 2024 revela uma preferência crescente por plataformas de streaming, com uma média de 20 horas de escuta mensal por utilizador globalmente. Este comportamento é impulsionado por uma combinação de acessibilidade, personalização e a oferta de conteúdos sob demanda.
Os jovens entre os 15 e os 30 anos continuam a ser o segmento mais ativo, representando aproximadamente 60% dos utilizadores de plataformas de streaming. Contudo, outros segmentos, como os consumidores mais idosos, também têm vindo a adoptar estas tecnologias, impulsionados por melhorias na interface e na recomendação de conteúdos.
Outro fenómeno relevante é a diversificação do consumo em diferentes formatos, incluindo playlists, podcasts, vídeos musicais e integrações com redes sociais. Este fenómeno tem contribuído para uma maior permanência dos utilizadores nas plataformas digitais e para o aumento do envolvimento com o conteúdo musical.
- Utilização média de plataformas de streaming: 20 horas mensais por utilizador
- Segmento de maior consumo: jovens entre 15-30 anos
- Expansão do consumo em segmentos mais idosos
- Aumento de formatos diversificados: playlists, podcasts, vídeos
- Influência das redes sociais na descoberta de música
Perspectivas Futuras e Oportunidades de Crescimento
O mercado da música gravada em 2024 apresenta perspetivas de crescimento sustentado, impulsionado pelo contínuo aumento do consumo digital e pela inovação tecnológica. A previsão aponta para uma expansão adicional de 10% a 12% até 2026, atingindo valores próximos dos 31 mil milhões de euros.
As oportunidades de crescimento passam pela implementação de novas tecnologias, como inteligência artificial para produção e recomendação de conteúdos, blockchain para gestão de direitos e remunerações, e realidade aumentada/virtual para experiências imersivas de consumo musical.
Além disso, o crescimento de mercados emergentes, nomeadamente na Ásia e África, oferece novas fontes de receita e audiências, muitas das quais ainda pouco exploradas pelas principais plataformas. O investimento em parcerias locais e adaptação de conteúdos às preferências culturais são estratégias essenciais para aproveitar estas oportunidades.
Por outro lado, a questão da remuneração justa para os artistas e a sustentabilidade do modelo de negócio continuam a ser temas centrais, exigindo uma maior regulamentação e inovação nos sistemas de distribuição e gestão de direitos.
Conclusão: Desafios e Caminhos a Seguir
O mercado da música gravada em 2024 revela-se uma indústria dinâmica, marcada por mudanças profundas no modo de produção, distribuição e consumo. A digitalização continua a ser o principal motor de crescimento, ao mesmo tempo que apresenta desafios relacionados com a gestão de direitos, remuneração e sustentabilidade económica.
Para os actores do sector, o sucesso passa pela adaptação às novas tecnologias, pela inovação nas estratégias de monetização e pela atenção às preferências de um público cada vez mais diversificado. A capacidade de equilibrar crescimento e equidade será determinante para assegurar a sustentabilidade e o progresso desta indústria em rápida evolução.

