A evolução do mercado de creme de leite fresco em Portugal até 2024: uma análise detalhada

Nos últimos anos, o mercado de creme de leite fresco em Portugal tem vindo a experimentar uma transformação significativa, impulsionada por mudanças nos hábitos de consumo, avanços tecnológicos na produção e uma crescente procura por produtos de alta qualidade, sustentáveis e diferenciados. Em 2024, este segmento revela-se como uma das áreas mais dinâmicas do setor lácteo, com impacto direto na economia nacional, nas cadeias de abastecimento e na inovação industrial. Este artigo visa analisar o estado atual do mercado de creme de leite fresco, baseando-se em dados de produção, consumo, receitas, ações de mercado e tendências emergentes, utilizando informações recolhidas até 2023, com projeções para o próximo período.

Creme de Leite Fresco Mercado 2024 Tamanho do Mercado Acoes Receita Producao Consumo — industria
industria · Creme de Leite Fresco Mercado 2024 Tamanho do Mercado Acoes Receita Producao Consumo

Contexto histórico e evolução do mercado de creme de leite fresco em Portugal até 2020

Para compreender o panorama atual, é fundamental realizar uma análise do percurso histórico do segmento. Até 2020, o mercado de creme de leite fresco apresentou um crescimento moderado, sustentado pelo aumento do consumo de produtos lácteos de alta qualidade, assim como por uma maior sensibilização dos consumidores para questões de saúde e sustentabilidade. De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), a produção nacional de creme de leite fresco registou uma média anual de crescimento de 2,3% entre 2015 e 2019, refletindo uma procura crescente tanto no mercado doméstico quanto na exportação.

Em termos de produção, o setor foi marcado por uma forte concentração em regiões com tradição na produção láctea, nomeadamente o Norte do país, onde as cooperativas e os pequenos produtores desempenham um papel central. A inovação na embalagem e no processamento contribuiu também para ampliar a validade do produto, aumentando a sua competitividade. No entanto, a pandemia de COVID-19, iniciada em 2020, trouxe desafios significativos, com interrupções na cadeia de abastecimento e uma diminuição temporária no consumo em restaurantes e setores de catering.

Estrutura do mercado atual em 2024: principais atores e participação de mercado

Em 2024, o mercado de creme de leite fresco é caracterizado por uma forte presença de marcas nacionais, com algumas multinacionais a disputar uma fatia relevante do mercado. Segundo dados de fontes industriais, os cinco principais produtores representam cerca de 70% do volume total comercializado no país. Entre estes, destacam-se empresas como Lactogal, Central Lechera, e a portuguesa Lactícinias, que investiram em tecnologias de produção mais sustentáveis e em ações de branding focadas na qualidade e origem do produto.

De acordo com os relatórios de mercado, a participação de mercado por tipo de produto é a seguinte:

  • Creme de leite fresco tradicional: 55%
  • Creme de leite fresco orgânico: 25%
  • Creme de leite com aditivos especiais (sem lactose, com baixo teor de gordura): 15%
  • Outros formatos e variedades: 5%

Este panorama evidencia uma preferência crescente por produtos orgânicos e com atributos especiais, alinhando-se às tendências de consumo mais consciente e de saúde.

Tendências de consumo e preferências do mercado em 2024

O comportamento do consumidor português tem vindo a evoluir, com maior atenção à origem, qualidade e valor nutricional do creme de leite fresco. Segundo estudos de mercado, há uma preferência acentuada por produtos provenientes de agricultura sustentável e de produção local, refletindo uma tendência global de valorização do produto artesanal e de origem controlada.

Além disso, a procura por produtos com benefícios adicionais, como versões sem lactose ou com menor teor de gordura, tem crescido exponencialmente. Dados de consumo indicam que, em 2023, aproximadamente 35% dos consumidores portugueses adquiriram pelo menos uma vez creme de leite com alguma característica especial nesta categoria. Este comportamento reforça a importância de inovação e adaptação por parte dos produtores.

Outro fator relevante é a influência do comércio eletrónico, que em 2023 representou cerca de 12% do volume de vendas de creme de leite fresco. A crescente conveniência proporcionada pelas plataformas online e a aposta em entregas rápidas impulsionam a acessibilidade a diferentes variedades do produto.

Projeções de produção, receita e consumo para 2024

Utilizando dados de fontes oficiais e projeções de analistas de mercado, estima-se que em 2024 a produção de creme de leite fresco em Portugal deverá atingir aproximadamente 150 mil toneladas, representando um aumento de 3% em relação ao ano anterior. Este crescimento é atribuído à expansão das explorações leiteiras, à modernização das fábricas e ao aumento da procura interna e externa.

Quanto às receitas, o setor deverá atingir cerca de 250 milhões de euros, refletindo uma margem de crescimento de 4% face a 2023. Este aumento é sustentado pelo incremento na procura por produtos diferenciados e de maior valor agregado, bem como pela subida nos preços de venda, que têm vindo a ajustar-se de acordo com os custos de produção e as tendências de mercado.

O consumo interno de creme de leite fresco em Portugal deverá ultrapassar as 80 mil toneladas, com uma taxa de crescimento estimada em 2,5% ao ano. Este aumento é sustentado por um maior consumo em domicílio, bem como por uma evolução na utilização do produto na gastronomia tradicional e moderna.

Desafios e oportunidades na indústria do creme de leite fresco

Apesar do otimismo, o setor enfrenta diversos desafios que merecem análise aprofundada. Entre eles, destacam-se:

  1. Sustentabilidade na produção: a crescente pressão para reduzir a pegada ecológica obriga os produtores a adotarem práticas mais sustentáveis, incluindo o uso eficiente de recursos e a redução de resíduos.
  2. Competição internacional: a entrada de produtos estrangeiros, nomeadamente de Espanha, França e Itália, constitui um fator de concorrência que obriga a inovação constante e ao reforço da diferenciação.
  3. Regulamentação e certificações: a adaptação às normas europeias, especialmente no que diz respeito à produção orgânica e às certificações de qualidade, é fundamental para manter a competitividade.

Por outro lado, o mercado apresenta oportunidades relevantes, como:

  • Expansão para segmentos premium: a valorização de produtos artesanais e de origem controlada permite explorar margens mais elevadas.
  • Inovação em embalagens: o desenvolvimento de formatos mais práticos, sustentáveis e de maior durabilidade é uma via de diferenciação.
  • Internacionalização: a aposta em mercados externos, especialmente na União Europeia e em países de língua portuguesa, pode potenciar o crescimento das receitas.

Perspetivas futuras e estratégias de crescimento para o mercado de creme de leite fresco

O futuro do mercado de creme de leite fresco em Portugal assenta na capacidade de inovar, de responder às exigências de sustentabilidade e de consolidar a presença nos mercados internacionais. Para tal, as empresas devem realizar investimentos em tecnologias de produção mais eficientes, promover estratégias de branding focadas na autenticidade e sustentabilidade, e explorar novas categorias de produtos com valor acrescentado.

Adicionalmente, estratégias de diversificação de canais de distribuição, como o fortalecimento do comércio eletrónico e parcerias com retalhistas especializados, são essenciais para atingir um público mais amplo. A aposta na transparência, na rastreabilidade e na certificação de origem contribuirá para fortalecer a confiança do consumidor e consolidar uma imagem de produto premium.

Por fim, a cooperação entre produtores, associações setoriais e entidades reguladoras será fundamental para estabelecer padrões de qualidade mais elevados e promover uma imagem de Portugal como um país de referência na produção de creme de leite fresco de alta qualidade.

M
Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.