Análise do Mercado da Aquicultura em 2024: Perspectivas, Tamanho e Desafios do Setor

Em 2024, o mercado da aquicultura revela-se como uma das indústrias mais dinâmicas e estratégicas no contexto global de produção de alimentos. Quem realiza esta análise são diversos actores do sector, incluindo entidades governamentais, associações empresariais e consultoras especializadas, que têm vindo a monitorizar o crescimento, a evolução e as ameaças que caracterizam uma indústria fundamental para a segurança alimentar e a economia marítima. Este artigo centra-se na análise detalhada do mercado de aquicultura em Portugal e no mundo, utilizando dados de 2020 como referência, e projeta as tendências de 2024, incluindo o tamanho do mercado, ações estratégicas, receitas, produção e consumo, de modo a oferecer uma visão completa e fundamentada do setor.

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Dimensão e Crescimento do Mercado de Aquicultura em 2024

O tamanho do mercado global e nacional

De acordo com os dados mais recentes, o mercado global de aquicultura atingiu, em 2020, um valor estimado de cerca de 250 mil milhões de dólares, com uma taxa de crescimento composta anual (CAGR) de aproximadamente 5,8% entre 2015 e 2020. Para Portugal, embora a aquicultura represente uma parcela menor do que a pesca tradicional, o setor tem vindo a crescer de forma consistente, impulsionado por políticas de sustentabilidade e inovação tecnológica.

Em 2020, a produção total de aquicultura em Portugal rondava as 50 mil toneladas, representando cerca de 8% do total de pescado consumido no país. O mercado nacional movimentou aproximadamente 300 milhões de euros, refletindo uma crescente procura interna e interesse por produtos sustentáveis e de alta qualidade.

Projeções para 2024

Utilizando tendências de crescimento e dados de mercado, estima-se que, em 2024, o mercado global de aquicultura ultrapasse os 330 mil milhões de dólares, com uma CAGR de 6%, enquanto a produção nacional deve atingir as 70 mil toneladas, reforçando a posição de Portugal na produção europeia de espécies como o robalo, a dourada e o salmão.

Estratégias de Ações e Investimentos no Sector

Principais actores e suas ações estratégicas

Nos últimos anos, o mercado de aquicultura tem sido marcado por uma forte aposta em inovação tecnológica, sustentabilidade e diversificação de espécies. Grandes empresas multinacionais, bem como pequenas e médias empresas portuguesas, têm realizado ações estratégicas para consolidar a sua posição no mercado, nomeadamente:

  • Investimento em sistemas de recirculação de água (RAS), que permitem uma produção mais sustentável e controlada;
  • Implementação de práticas de aquicultura ecológica, reduzindo o impacto ambiental;
  • Desenvolvimento de linhas de produtos premium, dirigidas ao mercado de exportação e ao consumidor final com maior poder de compra;
  • Parcerias com centros de investigação para o desenvolvimento de novas espécies e melhorias genéticas;
  • Acesso a fundos europeus destinados à inovação no setor agrícola e marítimo.

Capacitação e inovação tecnológica

A utilização de tecnologia de ponta tem sido uma das principais ações no setor, incluindo sistemas de monitorização remota, inteligência artificial para gestão de recursos e biotecnologia para melhorar a resistência das espécies às doenças. Estes investimentos visam aumentar a eficiência, reduzir custos e ampliar a produção de forma sustentável.

Receita e Rentabilidade do Mercado de Aquicultura

Dados de receita em 2020 e projeções para 2024

Em 2020, a receita global gerada pela aquicultura rondou os 250 mil milhões de dólares, com uma margem de crescimento impulsionada pelo aumento do consumo, melhorias tecnológicas e expansão de novos mercados. Portugal, embora representando uma fatia menor, registou uma receita de aproximadamente 300 milhões de euros, com uma margem de crescimento estimada de 7% ao ano até 2024.

As principais fontes de receita incluem:

  1. Venda de espécies para consumo interno e exportação;
  2. Produtos processados, como peixes congelados e preparados;
  3. Serviços de tecnologia e consultoria especializada;
  4. Investimento em projetos de sustentabilidade e certificações ecológicas.

Fatores que influenciam a rentabilidade

Alguns dos fatores que impactam a rentabilidade do setor incluem o custo de produção, o preço de mercado, as políticas de sustentabilidade, o acesso a financiamento e a capacidade de inovação. A volatilidade dos preços de matérias-primas, como ração e energia, também influencia diretamente a margem de lucro dos operadores do setor.

Produção de Espécies e Tendências de Consumo

Espécies dominantes na produção e consumo

Em 2020, as espécies mais produzidas e consumidas em Portugal foram:

  • Salmonídeos (salmão atlântico e salmão do Atlântico)
  • Robalo (Dicentrarchus labrax)
  • Dourada (Sparus aurata)
  • Camarão (especialmente o Penaeus vannamei)

Estas espécies representam cerca de 85% da produção nacional, com a dourada e o robalo a ganharem destaque no mercado interno devido à preferência por produtos de alta qualidade e origem controlada.

Tendências de consumo em 2024

Os consumidores portugueses demonstram uma preferência crescente por produtos sustentáveis, certificados e de origem local. A procura por alimentos livres de antibióticos e com apelo ecológico aumenta a cada ano, impulsionando a indústria a adaptar-se a estas tendências. Além disso, há uma crescente procura por produtos processados e prontos a consumir, que facilitam a vida do consumidor urbano e contribuem para o aumento das receitas do setor.

Desafios e Oportunidades no Mercado de Aquicultura

Desafios atuais

Apesar do crescimento, o setor enfrenta diversos obstáculos, incluindo:

  • Impacto ambiental e questões de sustentabilidade;
  • Doenças e parasitas que afetam a produção;
  • Oscilações de preços no mercado internacional;
  • Regulamentação crescente e complexidade burocrática;
  • Escassez de mão-de-obra qualificada.

Oportunidades de crescimento

Por outro lado, várias oportunidades se apresentam, como:

  • Expansão para novas espécies com maior valor agregado;
  • Integração com a agricultura de precisão e tecnologias digitais;
  • Exportação para mercados emergentes com alta procura de produtos sustentáveis;
  • Construção de cadeias de valor completas, desde a produção até ao consumo final;
  • Investimento em certificações ecológicas que aumentam a competitividade.

Conclusão: Perspectivas e Recomendações para 2024

O mercado da aquicultura em 2024 apresenta-se como uma indústria de elevado potencial de crescimento, sustentada por uma crescente procura global por alimentos de origem aquática, práticas mais sustentáveis e inovação tecnológica. Portugal, apesar de ser um mercado de dimensão relativamente moderada, beneficia de uma forte reputação na produção de espécies de alta qualidade e de uma economia marítima robusta que pode potenciar o setor.

Para realizar um desenvolvimento sustentável e rentável, é fundamental que os actores do setor continuem a apostar na inovação, na certificação ecológica e na diversificação de espécies. Além disso, a implementação de políticas públicas que facilitem o acesso a financiamento, a formação de profissionais qualificados e a redução do impacto ambiental serão essenciais para consolidar o posicionamento do país na cadeia global de valor da aquicultura.

Assim, o setor de aquicultura em Portugal e no mundo deverá continuar a evoluir de forma positiva, contribuindo para a segurança alimentar, a criação de emprego e o desenvolvimento económico sustentável no horizonte de 2024 e além.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.