Mercado de Ar Condicionado por Tipos, Aplicações, Tamanhos e Regiões: Análise de Perspectivas até 2026

Nos últimos anos, o mercado de ar condicionado tem vindo a experimentar uma transformação significativa, impulsionada pelo aumento da urbanização, crescimento populacional, maior preocupação com o conforto térmico e a crescente adoção de soluções de eficiência energética. Em 2020, o setor registou um crescimento notável, apesar dos desafios impostos pela pandemia de COVID-19, e as previsões indicam uma expansão contínua até 2026. Este artigo visa analisar detalhadamente as dinâmicas do mercado, considerando os diferentes tipos de sistemas, aplicações, tamanhos, regiões de atuação e as tendências emergentes que moldarão o setor nos próximos anos.

Mercado ar Condicionado Por Tipos Aplicacao Tamanho Participacao Regioes e Previsao Para 2026 — mercados
mercados · Mercado ar Condicionado Por Tipos Aplicacao Tamanho Participacao Regioes e Previsao Para 2026

1. Panorama Global do Mercado de Ar Condicionado em 2020

Em 2020, o mercado mundial de ar condicionado foi avaliado em aproximadamente 130 mil milhões de euros, tendo registado uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de cerca de 5% entre 2015 e 2020. Este crescimento foi impulsionado por fatores como a urbanização acelerada, o aumento do conforto térmico nas residências e locais de trabalho, além de uma maior preocupação com a eficiência energética e a sustentabilidade.

Apesar de um impacto inicial devido à pandemia, que causou uma desaceleração temporária na produção e na procura, o mercado demonstrou resiliência, adaptando-se às novas condições e às mudanças de comportamento dos consumidores. Países da Ásia-Pacífico, como a China, Índia e Indonésia, lideraram o crescimento, enquanto regiões como a Europa e Américas também registaram aumentos significativos, impulsionados por políticas de sustentabilidade e modernização de infraestruturas.

2. Segmentação por Tipos de Sistemas de Ar Condicionado

O mercado de ar condicionado pode ser classificado em vários tipos, consoante a tecnologia, a capacidade e a aplicação específica. Os principais segmentos incluem:

  • Ar condicionado split e multissplit: Sistemas compostos por unidades internas e externas, populares em residências e escritórios devido à sua eficiência e facilidade de instalação.
  • Ar condicionado central: Sistemas de grande capacidade utilizados em edifícios comerciais, hospitais e complexos residenciais de grande escala.
  • Ar condicionado portátil: Unidades móveis, preferidas por utilizadores que necessitam de soluções temporárias ou de fácil mobilidade.
  • Ar condicionado de janela: Sistemas compactos integrados na janela, comuns em ambientes de menor dimensão.
  • Ar condicionado VRF/VRV: Sistemas de fluxo variável de refrigerante, considerados altamente eficientes e utilizados em edifícios de escritórios, hotéis e centros comerciais.

Em 2020, os sistemas split e multissplit representaram aproximadamente 45% do mercado global, devido à sua versatilidade e aceitação no segmento residencial. Os sistemas centrais seguir-se-ram, com cerca de 30%, enquanto as unidades portáteis e de janela continuaram a dominar os segmentos de menor escala.

3. Aplicações do Ar Condicionado

As aplicações do ar condicionado variam amplamente, adaptando-se às necessidades específicas de diferentes setores e ambientes. Entre as principais áreas de utilização, destacam-se:

  1. Residencial: A maior fatia de mercado, representando cerca de 50% em 2020, impulsionada pela procura por conforto térmico e eficiência energética nas habitações.
  2. Comercial: Inclui escritórios, lojas, centros comerciais e hotéis, com crescimento contínuo devido à necessidade de ambientes confortáveis para clientes e colaboradores.
  3. Industrial: Sistemas utilizados em fábricas, armazéns e laboratórios, onde a controlo de temperatura é fundamental para processos específicos.
  4. Institucional: Hospitais, escolas, universidades e edifícios governamentais, que representam uma parcela significativa devido às exigências de higiene, segurança e conforto.

Os setores residencial e comercial dominavam o mercado em 2020, totalizando cerca de 75% da procura global, refletindo a crescente preocupação com o bem-estar e a eficiência energética nestes ambientes.

4. Análise por Tamanho e Capacidade de Sistemas de Ar Condicionado

Os sistemas de ar condicionado são também classificados pelo tamanho e capacidade de refrigeração, medidos em BTU/h (unidade térmica britânica por hora) ou kW. A segmentação por tamanhos é essencial para determinar as aplicações mais adequadas e os mercados de destino.

De acordo com dados de mercado, em 2020, a distribuição por capacidade foi a seguinte:

  • Pequenos sistemas (< 3 kW): Predominantes em aplicações residenciais e pequenas lojas, representam cerca de 55% do mercado.
  • Médios sistemas (3-10 kW): Utilizados em apartamentos, escritórios e pequenos estabelecimentos comerciais, respondendo por aproximadamente 30%.
  • Grandes sistemas (>10 kW): Destinados a edifícios comerciais, hotéis e indústrias, compondo cerca de 15% do mercado.

Esta divisão revela uma forte orientação para sistemas de menor capacidade em 2020, embora a procura por soluções de maior potência venha a crescer, impulsionada por projetos de construção de grande escala e modernização de infraestruturas.

5. Análise Regional e Participação de Mercado

O mercado de ar condicionado apresenta uma distribuição geográfica heterogénea, refletindo diferenças económicas, climáticas e de políticas ambientais. Em 2020, as principais regiões foram:

  • Ásia-Pacífico: Liderou o mercado global, com uma quota superior a 50%, devido à rápida urbanização, crescimento populacional e maior adoção de tecnologias de eficiência energética. China, Índia e Indonésia foram os principais mercados nesta região.
  • Europa: Com uma quota aproximada de 20%, destacou-se pela implementação de regulamentos ambientais rigorosos e uma forte procura por sistemas eficientes e sustentáveis.
  • Norte de América: Representou cerca de 15%, com crescimento impulsionado por melhorias na infraestrutura de edifícios comerciais e residenciais.
  • América Latina e Médio Oriente: Juntas, contribuíram com cerca de 10%, com mercados emergentes em fase de crescimento acelerado.

Prognósticos para 2026 indicam que a Ásia-Pacífico continuará a liderar, com aumentos de mercado na Europa e Américas à medida que as regras de sustentabilidade se tornarem mais restritivas e a procura por soluções ecológicas crescer.

6. Tendências e Perspectivas para o Mercado até 2026

O setor de ar condicionado está em plena transformação, impulsionado por avanços tecnológicos, mudanças regulatórias e uma maior consciência ambiental. As principais tendências que deverão moldar o mercado até 2026 incluem:

  • Eficiência energética: Adoção de sistemas com classificações superiores, como A+++ e sistemas VRF com tecnologia inverter, que permitem uma redução significativa no consumo energético.
  • Sustentabilidade e energias renováveis: Integração de fontes de energia renovável, como painéis solares, para alimentar sistemas de ar condicionado, promovendo uma maior autonomia e redução de pegada carbónica.
  • Automação e IoT: Sistemas inteligentes que permitem o controlo remoto, programação automática e manutenção preditiva, elevando o nível de conveniência e eficiência.
  • Regulamentações ambientais: Normas mais restritivas relativas ao uso de gases refrigerantes com elevado potencial de aquecimento global (GWP), levando à adoção de alternativas mais ecológicas, como HFOs e gases naturais.
  • Crescimento do mercado de soluções portáteis e de baixa capacidade: Facilitando a adaptação a ambientes temporários ou de pequenas dimensões, com soluções de fácil instalação e mobilidade.

Previsões apontam para um crescimento anual de cerca de 6% até 2026, atingindo valores próximos dos 180 mil milhões de euros, com destaque para o aumento da procura por soluções sustentáveis na Europa e na Ásia.

7. Desafios e Oportunidades no Mercado de Ar Condicionado

Apesar do potencial de crescimento, o mercado de ar condicionado enfrenta diversos desafios que podem influenciar as tendências futuras. Entre eles, destacam-se:

  • Regulamentações ambientais rigorosas: Necessidade de inovar em gases refrigerantes mais sustentáveis e de cumprir padrões de eficiência energética cada vez mais exigentes.
  • Custos de implementação: Investimentos elevados em tecnologia de ponta podem limitar a adoção em mercados emergentes ou por consumidores com restrições orçamentais.
  • Conscientização ambiental: A crescente preocupação dos consumidores com o impacto ambiental pode acelerar a transição para soluções mais ecológicas, criando oportunidades para fabricantes inovadores.
  • Concorrência e inovação tecnológica: A pressão competitiva força as empresas a investir em inovação contínua, especialmente na integração de soluções inteligentes e sustentáveis.

Por outro lado, as oportunidades incluem a expansão para mercados emergentes, o desenvolvimento de produtos energicamente eficientes e a implementação de estratégias de sustentabilidade que atendam às novas exigências regulatórias e de mercado.

Conclusão

O mercado de ar condicionado apresenta um panorama dinâmico e em evolução, impulsionado por fatores tecnológicos, ambientais e socioeconómicos. Em 2020, o setor mostrou resiliência perante os desafios globais, e as previsões indicam uma expansão contínua até 2026, com destaque para a crescente adoção de soluções sustentáveis, sistemas inteligentes e uma forte presença na Ásia-Pacífico, Europa e Américas.

Para os fabricantes, investidores e reguladores, compreender as tendências e adaptar-se às mudanças será fundamental para aproveitar as oportunidades emergentes neste setor em rápida transformação. A inovação na eficiência energética, a utilização de gases refrigerantes de baixo GWP e a implementação de soluções inteligentes serão fatores determinantes para o sucesso futuro do mercado de ar condicionado.

R
Author
Rui Barbosa
Jornalista com 18 anos dedicados à cobertura do tecido empresarial português, com foco em PME, empreendedorismo e internacionalização. Formado em Comunicação Social pela Universidade Nova de Lisboa. Rui acompanha de perto o ecossistema de startups nacional, o programa Portugal 2030 e os fundos europeus disponíveis para as empresas. É autor do podcast "Negócios de Portugal", onde entrevista empresários e decisores económicos.