Análise de Mercado do Pure de Tomate por Fabricantes, Regiões, Tipos e Aplicações até 2024

Em 2020, o mercado global de pure de tomate apresentou uma dinâmica complexa, impulsionada por fatores como o crescimento da demanda por produtos alimentares processados, a variabilidade climática em regiões produtoras e as tendências de consumo saudável. O presente artigo visa analisar em detalhe o setor do pure de tomate, destacando os principais fabricantes, as regiões de produção, os diferentes tipos de produto e as aplicações que preenchem o mercado até 2024. Esta análise é fundamental para compreender as oportunidades e desafios enfrentados pelos players do setor, assim como as tendências que irão moldar o futuro deste segmento alimentar.

Analise de Mercado Pure de Tomate Por Fabricantes Regioes Tipo e Aplicacao Ate 2024 — industria
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Panorama do Mercado de Pure de Tomate em 2020

O mercado de pure de tomate, conhecido pela sua versatilidade na cozinha e por ser uma fonte concentrada de nutrientes, registou em 2020 um volume de negócio estimado em cerca de 4,5 mil milhões de euros a nível mundial. Este valor reflete uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de aproximadamente 3,2% entre 2015 e 2020. Os principais fatores que impulsionaram este crescimento incluem a crescente preferência por produtos naturais e saudáveis, a expansão das indústrias de alimentos processados, e as estratégias de diversificação de portefólio dos principais fabricantes.

Os mercados emergentes, sobretudo na Ásia e na África, destacaram-se pelo aumento da procura, enquanto as regiões tradicionais, como a Europa e as Américas, continuaram a liderar a produção e o consumo, beneficiando de uma maior sensibilização para uma alimentação equilibrada.

Principais Fabricantes e suas Estratégias de Mercado

O setor do pure de tomate é dominado por um grupo restrito de fabricantes globais, que representam cerca de 60% do mercado total. Entre os principais destacam-se empresas como a Nestlé, a ConAgra, a H.J. Heinz, a Mutti e a Cirio. Estes players têm implementado estratégias diversificadas para consolidar a sua posição, incluindo fusões, aquisições, inovação em produtos e ampliação de capacidade produtiva.

Por exemplo, a Mutti, uma marca italiana, tem investido na expansão da sua linha de produtos premium, apostando numa produção sustentável e na certificação de origem italiana. Já a H.J. Heinz, amplamente presente nos Estados Unidos e na Europa, aposta no reforço do seu portefólio de produtos prontos a usar, atendendo às tendências de conveniência.

Segundo dados de 2020, a capacidade instalada global de produção de pure de tomate ultrapassava as 8 milhões de toneladas anuais, com um crescimento previsto de 4% até 2024, refletindo o aumento da procura e a entrada de novos fabricantes em mercados emergentes.

Distribuição Geográfica e Regiões Produtoras

A produção de pure de tomate é predominantemente concentrada em regiões com clima favorável ao cultivo de tomateiro, nomeadamente na Europa, Ásia e América do Norte. A Europa, liderada por Itália, Espanha e França, responde por cerca de 45% da produção mundial, beneficiando de uma tradição agrícola consolidada e de uma elevada qualidade de matéria-prima.

Na Ásia, países como a China e a Índia têm vindo a ampliar significativamente a sua capacidade de produção, impulsionados por políticas de incentivo agrícola e pelo crescimento do mercado interno de alimentos processados. A China, por si só, representa aproximadamente 20% da produção global, posicionando-se como um ator estratégico no setor.

Nos Estados Unidos, a produção é alvo de forte inovação tecnológica, especialmente na Califórnia, onde a preferência por produtos orgânicos e sustentáveis tem impulsionado a adoção de práticas agrícolas mais responsáveis e de valor acrescentado.

De acordo com dados de 2020, a América do Sul, particularmente o Brasil, tem vindo a expandir-se, embora ainda represente uma quota menor do mercado global, com potencial de crescimento significativo até 2024.

Tipos de Pure de Tomate e Suas Características

O mercado distingue-se por diferentes tipos de pure de tomate, sobretudo em função do processamento e da textura. Os principais incluem:

  • Pure de tomate concentrado: com uma concentração de sólidos de tomate superior a 28%, destinado a aplicações industriais e à produção de molhos;
  • Pure de tomate semi-concentrado: com uma concentração entre 20% e 28%, utilizado em cozinhas domésticas e em produtos finais de maior valor agregado;
  • Pure de tomate com aditivos: que inclui ingredientes adicionais, como sal, especiarias ou conservantes, direcionado a segmentos específicos de mercado;
  • Pure de tomate orgânico: produzido a partir de tomates cultivados sem químicos sintéticos, com crescente procura na Europa e na América do Norte.

O tipo concentrado continua a liderar o mercado, representando cerca de 65% das vendas globais, sobretudo na indústria de alimentos processados. No entanto, a procura por produtos orgânicos tem vindo a registar uma taxa de crescimento anual de aproximadamente 8%, refletindo uma maior preocupação dos consumidores com a saúde e a sustentabilidade.

Aplicações e Tendências de Consumo até 2024

As aplicações do pure de tomate são vastas, abrangendo desde a indústria de alimentos processados até à utilização em restaurantes e cozinhas domésticas. Os segmentos mais relevantes incluem:

  1. Indústria de molhos e condimentos: o maior utilizador, representando cerca de 50% do consumo global, especialmente na produção de ketchup, molhos para massas e pizzas;
  2. Produtos enlatados e conservas: utilizados na preparação de sopas, estufados e pratos tradicionais;
  3. Indústria de alimentos prontos a consumir: incluindo refeições congeladas e snacks, onde o pure de tomate confere sabor e valor nutritivo;
  4. Cozinha doméstica: com um aumento na procura por ingredientes naturais e saudáveis, os consumidores têm preferido comprar pure de tomate para preparar pratos tradicionais e inovadores.

Até 2024, prevê-se que a tendência de aumento do consumo de produtos orgânicos e sustentáveis continuará a ganhar força, impulsionando a inovação na oferta de pure de tomate com certificação de origem e processos de produção mais responsáveis. Além disso, a digitalização da cadeia de abastecimento e o crescimento do comércio eletrónico têm facilitado o acesso a uma gama mais diversificada de produtos, contribuindo para a expansão do mercado global.

Outro fator de destaque será o impacto das políticas de sustentabilidade e das regulamentações ambientais na produção agrícola, que poderão levar à adoção de práticas de agricultura regenerativa e ao aumento de produtos certificados de origem controlada.

Perspectivas Futuras e Desafios do Mercado

O mercado de pure de tomate enfrenta uma série de desafios e oportunidades até 2024. Entre os desafios mais relevantes destacam-se:

  • Volatilidade dos preços da matéria-prima: influenciada por condições climáticas adversas em regiões de produção chave, como a Itália e a China;
  • Concorrência crescente: de novos fabricantes em mercados emergentes, que oferecem produtos a preços competitivos;
  • Regulamentação ambiental e de segurança alimentar: que exige investimentos em processos sustentáveis e certificações;
  • Alterações nas preferências dos consumidores: com maior foco em produtos naturais, orgânicos e com menor teor de conservantes.

Por outro lado, as oportunidades são evidentes na inovação de produtos, na expansão para mercados emergentes e na crescente procura por produtos de alta qualidade e sustentáveis. A adoção de tecnologias de agricultura de precisão, o desenvolvimento de embalagens mais amiga do ambiente e a implementação de estratégias de marketing focadas na sustentabilidade serão determinantes para o sucesso dos fabricantes.

Em suma, até 2024, o mercado do pure de tomate deverá consolidar-se como um segmento estratégico no setor alimentar, com uma forte orientação para a inovação, sustentabilidade e diversificação de produtos, respondendo às exigências de um mercado cada vez mais globalizado e consciente.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.