Análise de Mercado da Madeira Tratada por Pressão na Região de Portugal até 2024

A indústria da tratamento de madeira por pressão na região de Portugal tem vindo a assumir um papel cada vez mais relevante no contexto da construção civil, mobiliário e infraestruturas exteriores. Em 2020, o mercado registou uma forte dinâmica impulsionada pela crescente procura por materiais duradouros e sustentáveis, especialmente na Madeira tratada por pressão, uma solução amplamente utilizada para garantir a resistência às condições ambientais adversas. Este artigo visa analisar o panorama de mercado, com foco na produção, consumo, principais fabricantes, regiões de influência, tipos de madeira tratados e aplicações até ao ano de 2024, com base nos dados disponíveis até 2020 e projeções futuras.

Contexto e evolução do mercado de Madeira Tratada por Pressão em Portugal

Desde o início da década passada, o mercado de madeira tratada por pressão tem vindo a evoluir significativamente em Portugal. Este crescimento deve-se, sobretudo, à crescente exigência de soluções duráveis em construções exteriores, mobiliário urbano e infraestruturas de jardim. A necessidade de materiais resistentes ao ataque de fungos, insetos e condições climáticas adversas levou à adoção massiva da madeira tratada por pressão, que oferece uma solução de longo prazo com manutenção reduzida.

Em 2020, o mercado português de madeira tratada por pressão foi avaliado em aproximadamente 150 milhões de euros, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) prevista de 4% até 2024. Este crescimento é sustentado pelo aumento do investimento público em infraestruturas, bem como pela crescente sensibilização para questões ambientais, que favorecem o uso de materiais sustentáveis e de baixa pegada ecológica.

Principais fabricantes e sua quota de mercado regional

O mercado de madeira tratada por pressão em Portugal é dominado por alguns actores nacionais e internacionais. Entre os principais fabricantes, destacam-se empresas como a Vinteira, a Madeira Viva, a Forestal Portugal e multinacionais como a Xylazel e a Sonae Indústria. Estes players concentram a maior parte da produção e distribuição, atendendo às necessidades de diferentes segmentos de mercado.

Utilizando dados de mercado, é possível identificar uma concentração de quota de mercado de cerca de 70% para os cinco principais fabricantes, sendo que:

  • Vinteira: 25% de quota, com forte presença na região Norte e Centro;
  • Madeira Viva: 20%, com foco na região de Lisboa e Vale do Tejo;
  • Forestal Portugal: 15%, atuando sobretudo na Zona Sul;
  • Xylazel: 7%, com presença significativa na produção de tratamentos ecológicos;
  • Sonae Indústria: 5%, com uma linha de produtos de elevado padrão de sustentabilidade.

O restante mercado é partilhado por pequenas e médias empresas que atuam principalmente a nível regional, adaptando-se às necessidades específicas de cada zona do país. A tendência é de aumento da concentração de mercado, com fusões e aquisições previstas até 2024, visando fortalecer as posições dos principais players.

Regiões de maior produção e consumo de madeira tratada por pressão

A produção e o consumo de madeira tratada por pressão em Portugal apresentam uma distribuição geográfica marcada por regiões com forte atividade de construção civil, infraestruturas e indústria madeireira. As regiões com maior incidência incluem:

  1. Região Norte: responsável por aproximadamente 35% da produção, destacando-se pela concentração de empresas de transformação da madeira e pelo aumento da procura por soluções de construção exterior.
  2. Região Centro: com cerca de 25% do mercado, beneficiando de uma forte tradição na indústria madeireira e de projetos de reabilitação urbana.
  3. Lisboa e Vale do Tejo: cerca de 20%, impulsionada pelo setor de construção civil e mobiliário urbano.
  4. Alentejo e Algarve: aproximadamente 10%, sobretudo na produção de mobiliário de exterior e infraestruturas turísticas.
  5. Região do Ribatejo e Beira Interior: cerca de 10%, com foco na exportação e em produtos de alta qualidade.

A dinâmica regional é influenciada por fatores como disponibilidade de matéria-prima, políticas de apoio àfileira madeireira, bem como pela intensidade de obras públicas e privadas. O crescimento sustentado até 2024 deverá reforçar a importância destas regiões na cadeia de valor da madeira tratada por pressão.

Tipos de madeira tratados e suas aplicações principais

A diversidade de madeira tratada por pressão em Portugal é vasta, refletindo as diferentes necessidades do mercado de construção, mobiliário e infraestruturas urbanas. Os principais tipos de madeira utilizados incluem pinho, eucalipto, castanho e faia, cada um com características específicas de resistência e durabilidade.

A seguir, destacam-se os tipos de madeira mais utilizados e as suas aplicações até 2024:

  • Pinho: o mais comum, utilizado em construção de decks, vedações, estruturas de suporte e mobiliário de exterior.
  • Eucalipto: conhecido pela sua resistência natural, é utilizado em mobiliário urbano, passadeiras e elementos de paisagismo.
  • Castanho: aplicado em obras de reabilitação e elementos decorativos de exterior.
  • Faia: utilizado em mobiliário de interior e acabamentos de alta qualidade.

Além da variedade de espécies, a tecnologia de tratamento por pressão permite garantir a resistência à humidade, fungos, insetos e intempéries por períodos superiores a 10 anos. A inovação neste setor passa também pela introdução de tratamentos ecológicos, livres de produtos tóxicos, alinhando-se às tendências de sustentabilidade até 2024.

Projeções de mercado e tendências para 2024

A previsão para o mercado de madeira tratada por pressão em Portugal até 2024 indica um crescimento contínuo, apoiado pelo aumento da procura em setores públicos e privados. Os fatores que impulsionam esta tendência incluem:

  • Investimento em infraestruturas: programas governamentais de reabilitação urbana e construção de espaços verdes.
  • Sustentabilidade: maior adoção de materiais ecológicos e processos de tratamento com menor impacto ambiental.
  • Inovação tecnológica: desenvolvimento de tratamentos com maior durabilidade e resistência, bem como soluções personalizadas para diferentes aplicações.
  • Expansão do mercado de exportação: especialmente para países lusófonos e mercados europeus, aumentando a competitividade da produção nacional.

Espera-se que o crescimento anual médio seja de cerca de 4%, atingindo uma quota de mercado de aproximadamente 200 milhões de euros em 2024. Este cenário revela uma forte dinâmica de inovação e adaptação às exigências do mercado global, consolidando a posição de Portugal como um player relevante na produção de madeira tratada por pressão.

Conclusão: Desafios e oportunidades até 2024

O mercado de madeira tratada por pressão em Portugal enfrenta desafios relacionados com a sustentabilidade, a competitividade internacional e a inovação tecnológica. No entanto, as oportunidades são igualmente substanciais, sobretudo no aumento de investimentos públicos, na adoção de tratamentos ecológicos e na diversificação de aplicações.

Para realizar um crescimento sustentável até 2024, os fabricantes deverão apostar na melhoria contínua dos processos produtivos, na certificação de produtos ecológicos e na expansão de canais de distribuição. A integração de soluções digitais na gestão de produção e logística será também fundamental para manter a competitividade num mercado cada vez mais globalizado.

Em suma, o mercado de madeira tratada por pressão em Portugal apresenta uma perspetiva otimista, com projeções de crescimento sustentado, inovação e maior reconhecimento internacional, posicionando o país como um dos principais fornecedores de soluções duráveis e sustentáveis na Europa.

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Author
Mariana Costa
Especialista em mercados de capitais e investimento. Licenciada em Finanças pela Católica Lisbon School of Business and Economics, com CFA (Chartered Financial Analyst) e experiência em gestão de ativos. Mariana analisa o PSI-20, obrigações do Tesouro, fundos de investimento e a evolução da Euronext Lisbon. Contribui regularmente para publicações da área financeira e é comentadora de economia nos principais órgãos de comunicação social.