Mercado de Sistemas de Gestão de Energia entre 2019 e 2023: Uma análise regional aprofundada
Nos últimos quatro anos, o mercado de sistemas de gestão de energia (SGE) tem vindo a experienciar uma evolução acelerada, impulsionada por uma crescente preocupação global com a sustentabilidade, eficiência energética e a necessidade de cumprir regulamentações ambientais mais rigorosas. Entre 2019 e 2023, diferentes regiões do mundo, nomeadamente as Américas, Ásia-Pacífico, Europa e África, têm registado dinâmicas distintas, influenciadas por fatores económicos, políticos e tecnológicos. Este artigo visa analisar de forma detalhada este mercado, utilizando dados de mercado de 2020, e identificar as tendências, desafios e oportunidades que marcaram este período, focando-se na indústria e produção, numa perspetiva global e regional.
Contexto global do mercado de Sistemas de Gestão de Energia em 2020
No início de 2020, o mercado de sistemas de gestão de energia encontrava-se numa fase de expansão moderada, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) estimada em cerca de 8% desde 2019. Este crescimento foi impulsionado pela crescente adoção de tecnologias inteligentes e pela forte pressão de reguladores e consumidores para reduzir a pegada de carbono. A crescente digitalização, aliada à implementação de normas internacionais como a ISO 50001, criou um ambiente propício à implementação de soluções de gestão energética em indústrias, edifícios comerciais e infraestruturas públicas.
Para além disso, o aumento da consciencialização sobre a eficiência energética e os benefícios económicos associados levou muitas organizações a realizar investimentos estratégicos nesta área. Como resultado, em 2020, o mercado global de SGE atingiu uma valorização estimada de aproximadamente 35 mil milhões de dólares, com uma projeção de crescimento contínuo para os anos seguintes.
Dinâmicas do mercado nas Américas
Nos Estados Unidos e Canadá, as políticas de sustentabilidade e os incentivos fiscais para projetos de eficiência energética fomentaram uma forte adoção de sistemas de gestão de energia. As empresas de grande escala, nomeadamente na indústria automóvel, petroquímica e de tecnologias renováveis, lideraram a implementação de soluções integradas de gestão energética. Além disso, a crescente pressão para cumprir metas de redução de emissões estabelecidas pelo Acordo de Paris potenciou investimentos nesta área.
Na América Latina, o crescimento foi mais moderado, influenciado por fatores económicos e políticos instáveis. Contudo, países como o Brasil e o México apresentaram avanços significativos na adoção de sistemas de gestão de energia em setores industriais e de energia renovável, impulsionados por programas governamentais de incentivo e pela entrada de multinacionais com políticas de responsabilidade social corporativa.
Dados concretos do mercado americano
- Investimentos em sistemas de gestão de energia nos EUA cresceram aproximadamente 12% em 2020 face ao ano anterior.
- Mais de 50% das grandes indústrias adotaram pelo menos uma solução de gestão energética certificada ISO 50001.
- O setor de energias renováveis representou cerca de 30% da implementação de sistemas de gestão nos EUA e Canadá.
Perspetivas do mercado na região Ásia-Pacífico
A Ásia-Pacífico tem sido uma das regiões de maior crescimento do mercado de sistemas de gestão de energia, impulsionada por países como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. Estes países têm vindo a realizar investimentos massivos em infraestruturas energéticas inteligentes, com o objetivo de garantir maior eficiência e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
A China, em particular, tem liderado a adoção de tecnologias de gestão de energia em setores industriais e urbanos, apoiada por políticas de incentivo ao desenvolvimento de energias renováveis e à modernização das redes elétricas. A Índia, por sua vez, tem reforçado o uso de sistemas de gestão para melhorar a eficiência de suas redes de distribuição de energia, enquanto o Japão e a Coreia do Sul continuam a inovar em soluções de smart grids e edifícios inteligentes.
Dados relevantes do mercado Ásia-Pacífico
- Investimento total em sistemas de gestão na região atingiu cerca de 20 mil milhões de dólares em 2020.
- China respondeu por aproximadamente 45% desse valor, com um crescimento anual de 15% na implementação de soluções inovadoras.
- O setor industrial é responsável por cerca de 60% das aplicações de SGE na região.
O posicionamento europeu perante as tendências de 2019-2023
A Europa manteve-se na vanguarda na adoção de sistemas de gestão de energia, graças às políticas ambientais rigorosas e ao forte compromisso com a transição energética. Países como Alemanha, França, Países Baixos e Escandinávia lideraram a implementação de soluções inteligentes, com especial foco na eficiência de edifícios, indústrias e infraestruturas públicas.
Este continente destacou-se também pela forte integração de plataformas digitais e de inteligência artificial para otimizar o consumo energético, bem como pelo desenvolvimento de redes inteligentes (smart grids) capazes de integrar fontes renováveis de energia de forma eficiente. Além disso, o cumprimento das metas do Acordo de Paris e o compromisso com a neutralidade carbónica até 2050 reforçaram o investimento nesta área.
Dados do mercado europeu
- Em 2020, a Europa representou cerca de 25% do mercado global de sistemas de gestão de energia.
- Cerca de 70% das novas instalações industriais na União Europeia adotaram soluções certificadas ISO 50001.
- Investimentos em energias renováveis e smart grids aumentaram cerca de 10% em relação ao ano anterior.
Desafios e oportunidades no continente africano
Apesar de ainda apresentar um mercado mais incipiente, a África tem vindo a identificar oportunidades claras na área de sistemas de gestão de energia, sobretudo em países com maior desenvolvimento económico como a África do Sul, Quênia e Nigéria. Os principais desafios continuam a ser o acesso limitado a infraestruturas modernas, a escassez de investimentos e a necessidade de formação especializada.
No entanto, o aumento de projetos de energia renovável, especialmente em solar e eólica, criou oportunidades para a implementação de soluções de gestão de energia que possam melhorar a eficiência e garantir a sustentabilidade dos sistemas elétricos locais. Programas de cooperação internacional e parcerias público-privadas têm sido essenciais para impulsionar estes projetos.
Dados do mercado africano
- O investimento global em gestão de energia na África foi de aproximadamente 2 mil milhões de dólares em 2020.
- Projetos de energia solar representam cerca de 55% da implementação de sistemas de gestão na região.
- As principais aplicações estão focadas em redes de distribuição de eletricidade e em grandes instalações industriais.
Tendências e perspetivas para o mercado de sistemas de gestão de energia até 2023 e além
O período de 2019 a 2023 assistiu a uma rápida aceleração na adoção de tecnologias que promovem a eficiência energética, com destaque para a inteligência artificial, análise de dados em tempo real e automação de processos. A integração de sistemas de gestão com plataformas de armazenamento de energia e veículos elétricos também se revelou uma tendência forte, sobretudo na Europa e na Ásia-Pacífico.
Para o futuro, prevê-se que o mercado continue a expandir-se, impulsionado por fatores como:
- Regulamentações mais rigorosas e metas ambientais mais ambiciosas;
- Inovação tecnológica contínua, nomeadamente na digitalização e automação;
- Consciencialização crescente dos consumidores e empresas sobre os benefícios económicos e ambientais;
- Maior integração de energias renováveis nas redes energéticas.
Estima-se que, até 2025, o mercado global de sistemas de gestão de energia possa atingir valores superiores a 50 mil milhões de dólares, com crescimento mais acelerado nas regiões em desenvolvimento, onde a modernização das infraestruturas é prioritária.
Em suma, o mercado de sistemas de gestão de energia configura-se como uma componente fundamental na transição energética global, oferecendo oportunidades únicas para investidores, fabricantes e consumidores, ao mesmo tempo que enfrenta desafios relacionados com a implementação, financiamento e formação qualificada.

