Ricardo Sousa, economista e especialista em mercado imobiliário, revelou que em Porto, 90 m² de habitação já não são acessíveis para a maioria das famílias. Na conferência realizada na última terça-feira, Sousa destacou as implicações econômicas desta tendência, que afeta diretamente o setor imobiliário e os cidadãos da cidade.

O aumento dos preços no mercado imobiliário do Porto

Nos últimos anos, o Porto tem assistido a um aumento significativo nos preços das habitações. Segundo dados da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), o preço médio por metro quadrado na cidade ultrapassou os 2.500 euros, um aumento de 15% em comparação com o ano anterior. Este fenómeno não só limita o acesso à habitação, mas também altera o perfil demográfico da cidade.

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empresas · Ricardo Sousa revela que 90 m² já não cabem na carteira — o que isso significa para o Porto

Impactos nas famílias e negócios locais

A crescente inacessibilidade das habitações no Porto está a forçar muitas famílias a reconsiderar a sua localização. Ricardo Sousa apontou que, enquanto algumas pessoas são forçadas a mudar-se para cidades periféricas como Lisboa e Faro, outras a enfrentar um dilema financeiro, tendo em conta o aumento constante dos custos de vida. Essa situação poderá levar a uma diminuição do consumo local, impactando negativamente pequenos negócios que dependem do poder de compra das famílias.

Reações do mercado e investidores

Os investidores estão a reagir a esta crise de acessibilidade de várias maneiras. Com a procura a superar a oferta, muitos estão a direcionar seus recursos para o segmento de arrendamento de luxo, onde os preços continuam a subir. No entanto, especialistas como Sousa alertam para o risco de criar uma bolha imobiliária que pode ter consequências devastadoras para o mercado, caso ocorra uma correção brusca.

Consequências para a economia local

O aumento dos preços das habitações no Porto pode ter repercussões a longo prazo na economia local. À medida que a classe média é empurrada para fora da cidade, a diversidade econômica pode ser ameaçada. O setor turístico, que também depende da stabilidade do mercado imobiliário, poderá sofrer se a cidade se tornar inacessível para trabalhadores e visitantes. Os dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) já mostram uma leve desaceleração no crescimento econômico da região, que muitos atribuem à crise habitacional.

O que esperar no futuro?

Ricardo Sousa concluiu a sua apresentação com um apelo à ação. Ele enfatizou a necessidade de políticas públicas que promovam a construção de habitação acessível para evitar a exclusão de grandes parcelas da população do mercado imobiliário do Porto. As próximas eleições autárquicas poderão ser um ponto de viragem, onde candidatos que priorizem soluções habitacionais podem ganhar destaque. A sociedade civil também está a mobilizar-se para exigir mudanças e monitorar a evolução dos preços das habitações nesta região crítica.

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Autor
Jornalista económica com 14 anos de experiência na cobertura de mercados financeiros e política monetária europeia. Formada em Economia pela Universidade do Porto, com pós-graduação em Jornalismo de Negócios pelo ISCTE. Colaborou com o Jornal de Negócios e a RTP Informação antes de integrar a redação do Minho Diário. Especializada em análise do BCE, taxas de juro e impacto macroeconómico nas famílias e empresas portuguesas.